Em Bauru, o Parque Paulista é famoso por abrigar diversos galpões onde estão instalados os mais diversos tipos de empresas. O que pouca gente sabe é que por trás de um destes muros funciona a única cutelaria de Bauru. E é ao som do barulho produzido por duras marteladas que se revela o talento de Emerson Lopes Pinheiro, 32 anos, especializado na fabricação de facas e armas.
Ali perto, no Jardim Tangarás, outra raridade: a Cerâmica Costa Lopes, que produz vasos, moringas e filtros artesanalmente. O proprietário José Roberto Lopes, 57 anos, orgulha-se do ofício que aprendeu com o tio e que passou para a esposa Francisca Gomes Costa Lopes, para os filhos e até mesmo para a neta, Maria Eduarda, de apenas 5 anos.
Um pouco mais longe dali, na Vila Souto, José Roberto Ferreira produz cachaças e licores artesanais. Apaixonado pela bebida tipicamente brasileira, ele faz questão de maturar e engarrafar as bebidas pessoalmente. Em tempos tão modernos em que indústrias de bebidas têm processos totalmente automatizados, ele faz questão de preservar e divulgar o sabor da cachaça produzida artesanalmente.
João Albano Gomes também faz parte deste time de talentos. Ex-mestre de obras, ele descobriu nas sobras de madeiras de construção civil seu verdadeiro talento: o de artesão. Depois disso, mais de 25 anos se passaram e, com o tempo, ele foi aperfeiçoando a técnica de entalhar móveis e esculturas em troncos de madeira. Atualmente, sua fábrica de móveis localizada na Chácara São João atrai clientes de diversos bairros e cidades.
Emerson, João e os dois José Robertos são apenas alguns dos exemplos de raridades que é possível encontrar ao garimpar os talentos que estão espalhados pelos bairros da cidade. São profissionais que herdaram habilidades artesanais e que contam com a propaganda boca a boca para a divulgação de seus trabalhos. Para eles, a localização longe do Centro da cidade não é empecilho. Neste caso, a vocação extrapola barreiras geográficas.
Contudo, encontrá-los não é tarefa tão fácil quanto parece. Para produzir esta reportagem, a equipe do JC nos Bairros contou com indicações de colegas da redação, motoristas, fotojornalistas e, é claro, com a sempre válida mãozinha da sabe-tudo internet. O resultado, você confere nas páginas a seguir. Boa leitura!
Cachaça artesanal
Em termos de bebidas, o Brasil é mundialmente famoso por sua original invenção: a cachaça. Extraída da cana-de-açúcar, uma das matérias primas mais abundantes do País, a branquinha não custou a cair no gosto popular e tornar-se uma herança verde e amarela.
Em Bauru, José Roberto Ferreira, 50 anos, mantém a tradição tupiniquim e, há 1 ano e meio, fabrica cachaças artesanais.
“Sempre fui um amante desta bebida e, por paixão, decidi me dedicar à sua produção”, conta ele, que antes trabalhava fabricando rótulos personalizados.
José Roberto encomenda a cachaça pura de um alambique em Araraquara. Depois, em seu comércio, na Vila Souto, realiza o processo de maturação.
“É quando a cachaça pega sabor e perde a acidez. Para isso, deixo a bebida em contato com a madeira por um tempo que varia entre quatro e oito meses”, explica ele, que ressalta que o sabor da bebida varia de acordo com a madeira onde é feito o processo de maturação.
“Tenho nove tipos de madeiras brasileiras e, consequentemente, nove sabores de cachaça. Todas suaves, que nada têm a ver com a famosa pinga”, destaca.
Além disso, José Roberto também utiliza a cachaça para fazer licores artesanais, misturando frutas e essências. Ao todo, ele produz 18 tipos de licores.
E é justamente este processo artesanal que leva o nome da Casa Ferreira para o Brasil e para o mundo.
“Exporto para Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, já envasei cachaça e licor para outras partes do mundo. A cachaça é uma ótima opção para quem quer presentear amigos, dar brinde para clientes ou até mesmo apreciar seu peculiar sabor”, define.
- Serviço
A Casa Ferreira fica na rua Carlos de Campos, 6-40 – Vila Souto. Telefone (14) 3021-9678.
