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Clarear dentes faz bem ou mal?

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O clareamento popularizou-se quando a mídia difundiu que dentes brancos, beleza, saúde e fama andavam juntos. A substância química que clareia os dentes é água oxigenada, mas quimicamente chama-se peróxido de hidrogênio que tem nomes especiais como peróxido de carbamida e peróxido de ureia. O forte apelo comercial dos dentes brancos levou os clareadores para os dentifrícios e anti-sépticos, pois também têm ação bactericida. Quando produtos são indicados por profissionais da saúde aumenta-se muito a responsabilidade.

Os cosméticos não são tratamentos e nem podem alterar a fisiologia corporal. Nos EUA deixou-se de considerar os clareadores como cosméticos, reclassificando-os como medicamentos. Os clareadores são ácidos e aumentam a porosidade do esmalte, infiltração de restaurações e sensibilidade nos dentes. Na mucosa bucal os clareadores “queimam” como cáustico e participam da carcinogênese potencializando as causas iniciadoras do câncer bucal como produtos do tabaco, bebidas alcoólicas, raios solares, numerosos poluentes, herbicidas e pesticidas. As causas do câncer têm efeito somatório ao longo da vida e geralmente aparece após a quarta década de vida.

O efeito carcinogênico dos clareadores em hamsters é comparado com o do DMBA, uma droga fabricada apenas para experimentos. Na mucosa durante 22 semanas verificamos que os clareadores sozinhos não foram capazes de iniciar um câncer bucal. Mas quando aplicados em dias alternados com o DMBA aumentava o número de animais com câncer e o tamanho das lesões, indicando que o peróxido de hidrogênio não inicia, mas estimula a proliferação da célula modificada por outro agente carcinógeno. Quanto um químico tem esta propriedade é chamado de promotor e na boca tem grande chance de atuar pois tem muitos iniciadores passando por ela.

Em outra pesquisa participamos testando-se o efeito de dentifrício com peróxido de hidrogênio. De 30 marcas, em 29 dentifrícios foi detectada sua presença, inclusive nas marcas infantis, mas na maioria não constava nas embalagens. Nos hamsters, o peróxido no dentifrício mostrou-se igual ao clareador isoladamente aplicado: é promotor da carcinogênese. Os clareadores dentários fazem parte da cultura moderna e devemos evoluir tecnologicamente para reduzir os efeitos indesejáveis. A clareação dentária deve ser segura e respeitar a opção consciente dos que não querem realizá-la informando nas embalagens. O consumidor deve ter a opção de escolher produto com ou sem peróxido.

Os efeitos carcinogênicos do peróxido de hidrogênio se estendem para a orofaringe, esôfago, estômago e intestino quando ingeridos. O efeito promotor carcinogênico do clareador é muito pequeno, mas sua importância está na frequência em que o peróxido de hidrogênio entra em contato com a mucosa bucal: várias vezes e todos os dias.

No consultório a clareação dentária tem o mesmo efeito carcinogênico? Não. O profissional treinado isola os dentes com uma barreira resinosa cervical e dificulta o contato direto da clareador com a mucosa. Antes de tirar o clareador com água e remover a barreira resinosa há uma sucção máxima do clareador. Apenas quando eliminou-se todo clareador, remove-se a barreira resinosa. No consultório, a quantidade de clareador em contato com a mucosa é muito pequena e eventual, na escovação é diária.

Na clareação dentária caseira os riscos são maiores? Sim, pois o paciente mesmo “orientado” pelo profissional e, por mais adaptada que seja a moldeira de aplicação deixa o clareador se distribuir pela boca com a saliva. O contato demorado com a mucosa bucal será inevitável e a ingestão parcial contatará outras mucosas gastrintestinais.

A automedicação é muito frequente e se adquire o produto sem qualquer consulta profissional para usar em casa de forma irregular, sem cuidado. A falta de controle sobre tempo e frequência com que se realiza o procedimento caseiro, até aumenta o clareamento, mas às custas de efeitos biológicos sobre a mucosa e dentes que não compensam o risco, aliás não mensurável no futuro. Os clareadores devem ser considerados medicamentos e o uso restrito a profissionais da odontologia devidamente treinados nas requintadas manobras do procedimento. Infelizmente são vendidos livremente e a população não está consciente dos riscos.

A resposta final é: clarear os dentes faz bem, mas quando realizado por profissionais treinados; a forma caseira, infelizmente, faz mal!



Alberto Consolaro – Professor Titular da USP e Colunista do Caderno Ciências do JC




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