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Bauru tem fila de espera de 30 indústrias

Doze empresas no Distrito Industrial 2 não puderam construir pela preservação do cerrado; infraestrutura no Distrito 3 preocupa

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O desenvolvimento econômico e industrial em Bauru enfrenta um entrave, em parte por um dos maiores orgulhos ambientais do município -sua mata de cerrado. Por conta das áreas de preservação, no Distrito Industrial 2, segundo o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), há 12 grandes lotes que não podem ser “tocados” devido à presença do cerrado. Além disso, a precária infraestrutura dos distritos também preocupa.

Em todo o Estado de São Paulo, menos de 1% do que existia de cerrado ainda está preservado. Entre 644 municípios, Bauru é o que tem a maior parte do cerrado em área urbana, o que, segundo o diretor do Ciesp de Bauru, Domingos Malandrino, representa uma preocupação para o crescimento de alguns pontos da cidade, como é o caso dos distritos industriais.

“Em nenhum momento queremos questionar a Lei do Cerrado, que protege todas as áreas da vegetação de qualquer desmatamento. O que ocorre é que Bauru está sem espaço justamente pela grande quantidade existente de cerrado. Existem 30 indústrias que querem se instalar por aqui ou expandir e que não conseguem área para isso”, explica.

Malandrino explica que essas indústrias são de pequeno porte, porém, representariam grande ganho no desenvolvimento econômico da cidade. De acordo com ele, “várias indústrias deixam de vir a Bauru por não encontrar áreas suficientes. Outras até encontram a área, entretanto, como são escassas, elas são muito caras. Por isso, acabam indo para cidades vizinhas”.

Ele aponta que, como a cidade tem essa grande quantidade de cerrado, “o certo seria analisar a lei que protege a vegetação, porém, no contexto do município. Bauru é uma região atípica em relação a outros locais. Por isso, a lei tinha que entender isso”.

Questionado sobre a possibilidade de construir em outras áreas, o diretor do Ciesp Bauru explica que há dificuldades como a falta de grandes espaços na área urbana e, na zona rural, o encarecimento para levar a infraestrutura até lá.

O entrave motivou uma reunião no começo desta semana entre o Ciesp e técnicos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) para discutir a questão específica do Distrito 2. “O que ocorre é que algumas daquelas áreas já foram desmatadas antes da Lei do Cerrado passar a valer, em junho de 2009. São áreas de preservação que conflitam com alguns interesses privados”, explica o gerente da Cetesb em Bauru, Alcides Tadeu Braga.





Os 12 “sem-terra”


A reunião debateu a situação de 12 empresas que receberam áreas da prefeitura para se instalarem no Distrito Industrial 2 antes da Lei do Cerrado, porém, após a promulgação da legislação, não puderam usufruir dessa área.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Bauru, Paulo Ferrari, que também participou da reunião, a Cetesb negou o liberação da área para essas empresas e, agora, terão que ser encontrados novos locais para as respectivas instalações.

De acordo com o secretário, mais de 200 mil metros quadrados do Distrito 2 não podem ser “tocados” por conta da existência de cerrado, algo que realmente causa um “atraso” econômico para a cidade. “Recebemos um valor de ICM (o ICMS Ecológico é um incentivo para a preservação de áreas ambientais), que não é muito. Se compararmos o que a cidade recebe pela área preservada, isso não é suficiente para suprir o que perdemos por não poder utilizar essas áreas”.

Apesar de escancarar o entrave, a resposta não foi encontrada na reunião. “Iremos organizar um evento com mais técnicos da Cetesb, entidades ambientais e empresários para discutir melhor a questão. Precisamos pensar como iremos aliar o desenvolvimento sustentável com o econômico”, explica o coordenador da Comissão de Meio Ambiente do Ciesp de Bauru, Kláudio Cóffani.



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Crescimento também esbarra na infraestrutura dos distritos


Segundo o diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, Domingos Malandrino, não é só a presença do cerrado que prejudica a expansão dos distritos industriais. “Há muitos problemas de infraestrutura. No Distrito 2, o que preocupa é a falta de galerias pluviais, o que gera inundações pelo relevo no local. Já no Distrito 3, a situação é mais preocupante”.

Para discutir a questão do local, também foi organizada uma reunião no começo desta semana entre a Ciesp, Departamento de Água e Esgoto (DAE), Polícia Militar (PM), Secretaria do Desenvolvimento Econômico e os empresários do Distrito 3.

“No local, 70% está sem asfalto, guias e galerias pluviais; 30% está sem rede de esgoto e praticamente 100% dos industriais ainda possuem problemas com o fornecimento de água. Isso sem contar a falta de comunicação”, reclama Malandrino.

Por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, a Secretaria Municipal de Obras informou que “recebeu da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico o levantamento das melhorias necessárias na infraestrutura dos Distritos Industriais 2 e 3 e que serão colocadas no planejamento da pasta”.

Já técnicos do DAE informaram que, no Distrito 3, o fornecimento da água não acompanhou o crescimento da área. Segundo eles, a distribuição é feita por meio uma “sangria” da adutora que alimenta bairros como Jaraguá, Fortunato Rocha Lima e Roosevelt. Desse modo, em alguns locais do Distrito, a água não chega com a pressão necessária. A autarquia aguarda um pedido do Ciesp para colocar a construção de um reservatório de água para a área no orçamento do ano que vem.

Em relação aos problemas de esgoto, o DAE informou que muitos não solicitam a extensão da rede e que alguns casos já estão em processo.



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Construção barrada


O empresário José Mário Monteiro Benjamin é sócio-proprietário de uma indústria de expositores planejados para supermercados. Há 14 anos em Bauru, a sede da empresa seria construída no Distrito Industrial 2, porém, está entre as que tiveram a área liberada para a construção e, logo depois, “freada” pela Lei do Cerrado.

“Eu solicitei a área para a prefeitura em 2005. Em 2008, fui beneficiado com o terreno de 15 mil metros quadrados no Distrito 2 e depois houve o impedimento. Hoje, tenho 120 funcionários. Se conseguisse construir a sede, ao longo de um ano dobraria o número de empregados”, prevê o empresário, que atualmente dividiu a empresa em três unidades pela falta de espaço.

Para tentar viabilizar a área, ele encomendou um estudo apontando que 60% da área onde seria a construção da empresa não era de cerrado, entretanto, não conseguiu a liberação pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).



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Para a ONG SOS Cerrado, saída
pode estar nas áreas alternativas



Segundo o presidente da Organização Não-Governamental (ONG) SOS Cerrado, Amilton Marques Sobreira, existem outras áreas para a instalação de indústrias em Bauru. “Há outros locais para isso. Sabemos que a cidade precisa de mais empregos e mais desenvolvimento, mas há espaços alternativos para isso seja feito”.

De acordo com o presidente, o cerrado deve permanecer “intocável” e preservado, sendo utilizado somente para pesquisas. Segundo estudos, caso o ritmo de desmatamento continue, é provável que o cerrado desapareça do território paulista até 2030.

O Ciesp argumenta que os espaços alternativos em Bauru são pequenos ou longínquos, o que encareceria levar a infraestrutura até lá.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Bauru, Paulo Ferrari, concorda que será preciso arrumar novas áreas e até vislumbra a instalação de um futuro Distrito Industrial 4. “Estamos estudando novas áreas de indústria na Bauru-Iacanga (rodovia Cézario José de Castilho, SP-321). Pensamos até na instalação de um futuro Distrito 4 na área inversa aos chamados Distritos Industriais. A lei está aí e não podemos desrespeitar. Teremos que achar soluções”, finaliza.




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