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16/05/12 00:35 - Economia

Exportação cresce 32% no trimestre

Aumento é resultado da retomada da produção após período de incertezas; alta do dólar sugere momento de otimismo

Tisa Moraes
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Se o ano passado foi um momento de apreensão devido ao auge da crise na Zona do Euro, o primeiro trimestre de 2012 não poderia ter sido melhor para a indústria de Bauru. De janeiro a março, o setor exportou 32,5% a mais do que no mesmo período de 2011.

 
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento Industrial brasileiro, as vendas saltaram de US$ 37,7 milhões para US$ 50 milhões. E, para os próximos meses, o cenário é de otimismo caso o dólar se mantiver nos níveis atuais.
 
De acordo com o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, Andrey Valério, a retomada do ritmo de exportações demonstra que a indústria local voltou a produzir, depois de um período de incertezas e retração que levaram ao encalhe de estoques. “Com a recessão, houve diminuição na produção, com algumas demissões, inclusive. Depois, com a retomada das vendas, os estoques foram se acomodando e as fábricas puderam voltar a produzir”, resume.
 
Os principais segmentos que impulsionaram a alta foram o de siderurgia, de baterias e acumuladores elétricos e produtos de carne. A maior parte das mercadorias foi destinada a países da América Latina, tais como Bolívia, Paraguai e Argentina.
 
Valério também destaca que o volume de importações permaneceu em um nível satisfatório. Caiu 12,3% do primeiro trimestre de 2011 para o mesmo período de 2012, mas manteve o superávit da balança comercial.
 
“E são importações, em sua maioria, de insumos e máquinas, o que é um bom sinal. Se a indústria está comprando materiais para fabricar o produto final e investindo em tecnologia, quer dizer que a produção está aquecida”, pondera.
 
É esta a realidade vivida por uma indústria de utilidades domésticas plásticas de Bauru, que ampliou seu leque de produtos neste ano, o que impulsionou os níveis de compras e remessas ao Exterior. “Se o dólar se mantiver em alta, devemos aumentar as exportações e reduzir as importações. É claro que, se algumas matérias-primas importadas ficarem mais caras, o preço do produto final para o mercado interno também será afetado”, revela Éverson Targas, gerente de exportação e importação da empresa, que mantém transações comerciais com mais de 35 países ao redor do mundo.
 
 
 
Competitividade
 
E com o câmbio favorável - a moeda americana chegou à casa dos R$ 2,00 ontem -, a tendência é de otimismo para a indústria. Segundo o economista Reinaldo Cafeo, com o câmbio em elevação, a indústria brasileira se torna mais competitiva em relação aos produtos importados, que ficam mais caros, e consegue negociar melhor seus produtos no Exterior.
 
Com isso, o ambiente se torna propício a novos investimentos e contratações, além da manutenção de empregos de alguns setores que estavam correndo certo risco. “Por outro lado, o consumidor poderá sentir um impacto nos preços e perder a referência de produto barato que vinha do mercado externo”, alerta.
 
Com a valorização do dólar, o encarecimento de produtos da cesta básica, como a farinha de trigo, importada, a inflação volta a ser uma ameaça. “Outra preocupação é o desaquecimento no consumo por parte da China, um grande importador de commodities do Brasil”, completa Valério.
 
Ele, no entanto, acredita que os níveis de importações e exportações devem se manter no segundo semestre de 2012. Já Cafeo, mais cauteloso, analisa que o comportamento da economia dependerá muito de como o governo federal irá administrar as vantagens e desvantagens deste momento de valorização da moeda americana.
 
“O problema é que o dólar se elevou muito, em um período muito curto. Esse movimento pode ser algo pontual, pelo temor do mercado financeiro em relação ao impasse na Grécia. Os resultados no Brasil vão depender muito do tempo em que a cotação perdurar neste patamar”, conclui.
 
 
 
Região
 
A Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, que abrange 17 municípios, ficou com a 20ª posição no ranking sobre a participação de 39 regiões paulistas nas exportações do Estado no primeiro trimestre de 2012. No primeiro trimestre de 2011, a região havia ficado na 24ª colocação.
 
Neste ano, houve expansão de 13,9% nas remessas de produtos ao exterior, com vendas que passaram de US$ 154,5 milhões para US$ 176 milhões. Já as importações tiveram retração de 6,7% - caí­ram de US$ 97,5 milhões, para US$ 90,9 milhões. Com o resultado, o superávit da balança comercial da região saltou de US$ 57,1 milhões para US$ 85,1 milhões, um aumento de 49,1% na comparação entre os períodos.
 
 
 
Nível de emprego
 
O crescimento no volume de exportações foi acompanhado do aumento do nível de emprego industrial na Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru. No mês de abril, a variação ficou em 0,92%, o que significou um acréscimo de aproximadamente 250 postos de trabalho.
 
No ano, o acumulado é de 1,19%, o equivalente a um aumento de quase 300 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, a variação foi de 3,59%, um acréscimo de cerca de 900 postos de trabalho.
 
O índice foi influenciado pelas variações positivas dos setores de autopeças, materiais elétricos, máquinas e equipamentos, confecção de artigos do vestuário e acessórios (0,42%) e produtos alimentícios.
 
 
 
Dólar em alta
 
O dólar chegou à casa dos R$ 2,00, ontem, devido às incertezas em relação ao futuro da economia da Grécia, que atingiram os mercados internacionais. O temor com os resultados de uma nova eleição e de o país deixar a Zona do Euro têm derrubado as Bolsas pelo mundo, valorizando a moeda norte-americana.
 
Segundo o economista Reinaldo Cafeo, a elevação do dólar frente ao Real também foi resultado de um conjunto de esforços por parte do governo federal. “Houve uma combinação de fatores. Além da permanência da crise internacional, a redução na taxa de juros internos também tornou a entrada da moeda americana menos atrativa, o que potencializou esta alta”, observa.
 
 
 
 
 
 
 




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