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Economia

Número de empresas exportadoras de Bauru aumenta 65% em 10 anos

Dados do Ministério do Desenvolvimento Industrial Brasileiro referem há dez anos

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Arquivo/JC
Tilibra está entre as empresas que mais exportam em Bauru

Seguindo o cenário nacional, a economia de Bauru vivenciou um aumento considerável no número de empresas exportadoras. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento Industrial Brasileiro, em um intervalo de dez anos houve crescimento de 65% na quantidade de indústrias da cidade que remetem seus produtos para outros países.

Segundo as estatísticas, Bauru tinha 34 empresas exportadoras em 2001. Dez anos depois, o município ganhou 22 novas empresas com esse perfil chegando, em 2011, a 56 exportadoras.

E as explicações para esse crescimento estão tanto na política governamental quanto na “desmistificação” da complexidade em exportar.

O economista Reinaldo Cafeo afirma que o governo tem necessidade de montar “poupança externa” e, por isso, passou a incentivar a exportação. “Há leis que desoneram tributos na exportação, por exemplo. O governo precisa de superávit (exportar mais do que importar) e concede esses incentivos. Também houve grande abertura econômica, com vários acordos bilaterais. Isso tudo facilita”.

Em Bauru, o ranking das maiores exportadoras continua sendo liderado por nomes conhecidos, como a ArcellorMital Brasil, Frigorífico Mondelli, Tudor Baterias, Cadbury Alimentos e Tilibra. Porém, a novidade são as pequenas e médias empresas que vêm se aventurando recentemente a mandar seus produtos para o Exterior.

“Essas simplificações do governo vieram em conjunto com uma ‘desmitificação’ grande. Antes, só grandes empresas exportavam. Isso mudou muito. Entre essas novas exportadoras bauruenses, a maioria são empresas médias”, complementa Reinaldo Cafeo.

Esse novo perfil, entretanto, faz com que o valor total das remessas não cresça na mesma proporção da inclusão de novas indústrias com essa característica (leia mais abaixo). O secretário do Desenvolvimento Econômico de Bauru, Paulo Ferrari, acredita que os números atuais são positivos, porém, “estão aquém do potencial da cidade”.

“Setores como bateria, aço, mecânica e plástico já são bem consolidados. Mas, vejo que Bauru tem muito mais potencial. Entre os setores que podiam explorar mais a exportação estão o de alimentação, moveleiro e o de softwares”, destaca Ferrari.

Futuro

Porém, um obstáculo pode atrapalhar o crescimento das exportações visualizado pelo secretário do Desenvolvimento Econômico. Reinaldo Cafeo explica que surgiu um entrave para a comercialização de produtos para o exterior, praticamente “trocando” uma dificuldade por outra.

“Antes, o câmbio atrapalhava muito. Agora, o valor do dólar mudou (vem se mantendo no patamar de R$ 2,00). Seria ótimo para a exportação, porém, veio a crise internacional”, esclarece.

Além das dificuldades financeiras dos países compradores, há ainda a concorrência “desleal” com os produtos da China. “Apesar da crise e dessa concorrência, o valor do dólar deve propiciar um crescimento nas exportações. Mas, será um crescimento inercial. As perspectivas só são melhores quando a crise for sanada. E isso vai levar, pelo menos, três anos”, conclui o economista.

Novo departamento

Atualmente, os principais compradores dos produtos da indústria bauruense são Bolívia, Paraguai, Argentina, Holanda e Argélia. Apesar do crescimento considerável no número de empresas exportadoras na cidade, o próprio município promete se “dedicar” mais a esse modelo de economia.

De acordo com o secretário do Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, deverá ser criado um departamento com essa especificidade dentro da própria pasta. “O prefeito pediu que fizéssemos sugestões de reformulação nas secretarias. Na nossa, sugerimos criar um departamento de Comércio Internacional. Seria exatamente para impulsionar ainda mais o setor”, explica.

Valor das exportações não expande na mesma medida do volume de empresas

Entre as 56 empresas de Bauru que mandam seus produtos para o Exterior, de acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento Industrial Brasileiro, 37 exportam até US$ 1 milhão por ano. Esta é a faixa mais baixa nos valores. Assim, conforme apontam os economistas, o aumento no número de empresas não significa uma evolução proporcional no valor das exportações. 

Essa característica é reflexo exatamente do perfil dessas novas exportadoras: pequenas e médias empresas.  É lógico que mais indústrias exportando em Bauru aumentam o montante de remessas ao redor do mundo. Porém, a realidade atual é de muitas empresas exportando “pouco”.

De acordo com o diretor regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Bauru, Milton Debiase, uma pesquisa no Estado de São Paulo mostrou que 62% das exportadoras são micro e pequenas empresas.

“E essa maioria corresponde a 1,5% das exportações”, aponta Debiase, destacando que essa realidade do Estado também pode ser aplicada a Bauru.

O diretor regional afirma ainda que o Sebrae age diretamente no incentivo à exportação, com uma série de iniciativas para auxiliar o empresário. “Temos um consultor de comércio exterior que tira dúvidas dos empreendedores. Também fazemos diagnósticos de potencial de internacionalização, palestras, consultorias, atendimentos remotos, entre outras ações”.

Quem quiser auxílio sobre comércio internacional (exportação ou mesmo importação) em Bauru e região pode enviar um e-mail para erbauru@sebraesp.com.br .

Empresas diversificam para manter estabilidade

Diante de um cenário econômico internacional desfavorável, empresas exportadoras de Bauru apostam na diversificação de produtos e mercados para manter a estabilidade dos negócios. É o caso da Plasútil, que, segundo o diretor comercial Edson Donizetti Begnami, investiu em estampas para decorar e, assim, diferenciar os itens plásticos que fabrica.

“Nos últimos dez anos, perdemos competitividade por conta do custo Brasil, da desvalorização do dólar frente ao real e da entrada de produtos chineses em todo o mundo. Mas conseguimos manter as exportações por conta deste nosso diferencial”, frisa.

A estratégia de dar nova roupagem aos utensílios, inclusive, expandiu os negócios para novos mercados, como o Japão e países europeus, como a Polônia. Atualmente, a empresa exporta para mais de 30 países, sendo o maior volume destinado à América do Sul. “Conseguimos ampliar o portifólio de produtos exportado, mas perdemos margem de lucro”, comenta Begnami.

Empresário do ramo de semijoias, o economista Wagner Ismanhoto constata que o mercado internacional encolheu e a solução, por contingência, foi encontrar novas formas de explorar o consumo interno. “O mercado brasileiro está bastante ativo, enquanto o mundo, de forma geral, ficou mais pobre. Por este motivo, o percentual da nossa produção enviado ao Exterior acabou sendo reduzido de 30% para 20% nestes dez anos”, ressalta.

Mesmo frente ao recuo econômico vivenciado por vários compradores estrangeiros, o empresário, que mantém transações com mais de 20 países, avalia que a exportação ainda é um bom caminho para diversificar os negócios. “É uma alternativa para quem, como eu, trabalha com produtos sazonais. Quando as vendas diminuem aqui, aumentam em outros mercados”, cita. 





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