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Assédio psicológico adoece vítimas

Intimidações constantes, seja no ambiente escolar, profissional ou até mesmo no lazer, resultarem em sequelas emocionais

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Em verdadeiro efeito bola de neve, o que então nasce como uma simples brincadeira pode causar estragos semelhantes ao de uma avalanche na vida de uma pessoa. O bullying, denominação dada à intimidação física ou psicológica constante de uma pessoa fragilizada por um ou mais agressores, também traz doenças que extrapolam o campo emocional.

Seja no surgimento de maníacos no futuro – obviamente, atestam especialistas, levando-se em conta a tendência da pessoa em desenvolver distúrbios mentais -, como o atirador que protagonizou o massacre na escola do bairro carioca de Realengo, semana retrasada, com a morte de onze crianças, baleadas por um ex-aluno que se dizia vítima de assédio psicológico no mesmo estabelecimento de ensino – ou em sequelas menos graves, como um trauma em passar em frente a determinado lugar, o fato é que a perseguição moral causa estragos, conforme denúncias e laudos.

“O assédio gera doenças”, atesta o procurador do Ministério Público do Trabalho para a região de Bauru, Luís Henrique Rafael. “Não apenas no lado psicológico, mas além, com o surgimento tanto de problemas como as Lesões por Esforços Repetitivos (LER). Isso porque, acuado, com medo de perder o emprego, o trabalhador começa a se esforçar além dos limites”, atribui.

O bullying, com esse termo especificamente, explica a pedagoga e Mestre em Educação, Francisca Romana Giacometti Paris, refere-se ao assédio entre adolescentes. No entanto, terminologias a parte, ela concorda que o ato de denegrir deliberadamente entre adultos também provoca dor semelhante e profunda nas vítimas. “É uma dor insuportável para a pessoa que é colocada na condição de bode espiatório”, comenta.

Ambiente profissional

No ambiente profissional, principalmente, elege a estudiosa, as intimidações resultam em sequelas agudas. “Quando há uma relação assimétrica de poder a agressão vinda de cima é profundamente dolorida. A humilhação, ligada ao medo do desemprego, destroça a autoestima”, observa Francisca, detalhando ainda que casos de bullying, independentemente ao cenário, não podem ser confundidos com brincadeiras (infelizes ou não) esporádicas. “Tem muito a ver com a intenção, profundidade e duração”, classifica a pedagoga, autora de artigos sobre a prática. Segundo ela, o fato de utilizar apelidos comuns e, principalmente, aceitos, entre as duas partes, não pode ser confundido com o problema. “Não é bullying”, diferencia. “Isso acontece quando a vítima é constantemente agredida por um valentão, um líder, com o claro objetivo de diminuir alguém. Os mais tímidos geralmente são os escolhidos, pela dificuldade que têm em se defender”, exemplifica.

A prática não encontra barreiras nem mesmo para entrar na casa das vítimas, acrescenta ela, seja na forma presencial ou em agressões virtuais. “A violência psicológica também acontece entre as famílias. Há muitos casos em que esposas são desqualificadas pelo próprio marido perante um determinado grupo de pessoas. “Há ainda o cyberbullying, o pior de todos”, considera, sobre imagens denegridas por meio da Internet, principalmente mediante publicação de fotografias ou vídeos constrangedores.


Superação e sequelas

A pedagoga cita casos de adultos de hoje intimidados ontem que, mesmo após anos, mantém ressentimento: “conheço um rapaz que era excluído socialmente na escola aos 15 anos. Todos eram convidados para determinadas festas, menos ele, que também ficava alheios a muitas conversas compartilhadas com toda a turma. Até hoje ele não gosta nem de passar em frente aonde estudou”, ilustra.

Mas também há quem esteja numa boa e até consiga rir do passado sofrido. “É um termo chamado resiliência (capacidade de suportar pressão). São ex-vítimas que não se destruíram, encontraram apoio quando viviam as mesmas situações”, conceitua. “Outros levam para sempre, seja cortando volta de lugares, se ruborizam ao falar ou encontram dificuldades em lidar com o sexo oposto”, elenca.

Outro exemplo citado pela pedagoga é o de uma mulher que, aos 50 anos, ostenta um cabelo muito longo, semelhante ao de adolescentes ou adultas bem mais novas. “Ela diz que não corta o cabelo para esconder o nariz que é muito grande, segundo diz. Afirma ter sofrido muita gozação pelo nariz grande”, ilustra.


Ultrajante

Dentro de algumas empresas, a humilhação chega ser escancarada e até mesmo instituída, lembra o procurador do MPT. “Vendedores que não cumpriam metas em determinada loja foram obrigados a vestir roupas de mulher”, cita Luís Henrique Rafael. Em outro caso, lembra ele, um funcionário público concursado, de cidade próxima a Bauru, sofreu constrangimento em forma de revanchismo político.

Após o candidato da situação perder as eleições, lembra o procurador, o funcionário, que, apesar de ser auxiliar para serviços gerais concursado exercia cargo de confiança dentro do gabinete, acabou devolvido à função anterior pelo oposicionista vencedor do pleito. “O problema não foi ele ter sido destituído do cargo de confiança e sim o fato de ter sido colocado numa escrivaninha sem sala sequer, debaixo de uma árvore”, detalha o procurador. Tanto a empresa quanto a prefeitura, esclarece, firmaram termos em que se comprometem a não incorrer novamente nestas situações.


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Mesmo sem tipificação específica, humilhar é crime

Como o termo é estrangeiro e é difundido no Brasil apenas nos últimos anos, ainda não há uma tipificação criminal específica para a ridicularização física e psicológica praticado constantemente seja entre adolescentes ou no meio adulto.

Entretanto, assegura o delegado seccional de Bauru, Benedito Antônio Valencise, os casos têm de ser denunciados, com as circunstâncias investigadas. “Quase que a totalidade dos casos de bullying recebem o registro nas ocorrências como injúria, difamação, agressão ou constrangimento”, especifica o chefe da Polícia Civil na região.

Casos de implicação intensa dentro das salas de aula também ganham registros policiais, seja por meio de boletins de ocorrência com natureza de ato infracional (delitos cometidos por menores de idade) ou Termos Circunstanciados (registros para infrações consideradas de natureza leve).

Contudo, atesta o delegado, a maioria é encarada como crime. “Os casos podem e devem ser denunciados. A Polícia Civil deve ser procurada, seja no Plantão ou nas próprias delegacias da Infância e Juventude (Diju) ou da Mulher (DDM), para onde os casos são encaminhados”, completa o policial estimando que, somente nos quatro primeiros meses do ano, as delegacias compreendidas pela Seccional de Bauru registraram uma média de 40 ocorrências relacionadas a constrangimento.




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