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Correios substituem diretor regional, mas estrutura será mantida em Bauru

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Sediada em Bauru e responsável por 583 municípios do Estado, a Diretoria Regional São Paulo Interior dos Correios tem um novo comandante. Na manhã de ontem, o então diretor Luiz Roberto Pagani foi substituído por Joseph de Faro Valença, sindicalista do Partido dos Trabalhadores (PT) e funcionário de carreira da estatal que trabalhava na gerência de atendimento da diretoria em São José do Rio Preto.

A mudança de comando da diretoria regional ocorreu seis meses após o petista Wagner Pinheiro assumir a presidência nacional da empresa e dois meses depois da aprovação de alterações no estatuto da autarquia (leia mais abaixo). A assessoria de imprensa dos Correios limitou-se a informar que a presidência tem a prerrogativa de nomear diretores que sejam de sua confiança, sem explicar os critérios utilizados para a escolha de Valença.

Ainda de acordo com a estatal, a medida faz parte de um plano amplo já em curso para modernizar a empresa postal e não representará modificações na estrutura da regional, que conta com cerca de 4 mil funcionários somente em Bauru - número próximo aos 5.500 servidores da prefeitura municipal. Segundo garante a autarquia, a unidade “continua a operar como antes” sem demissões ou remanejamento de funcionários. “São mudanças corporativas, implantadas na empresa como um todo, e que serão padrão para todas as unidades no que diz respeito às práticas de gestão corporativa”, esclarece nota enviada à reportagem.

Procurado pelo JC, Pagani não quis se manifestar sobre os motivos de sua substituição, mas informou que, por ser concursado, permanecerá atuando na empresa na função que lhe for designada. “Posso apenas dizer que nossa administração foi bastante positiva, porque a nossa regional teve um crescimento grande. Em todo o Brasil, só é menor do que a Diretoria Regional (DR) São Paulo Metropolitana”, destaca.

Embora a DR São Paulo Interior (SPI) seja a segunda maior dos Correios em termos de faturamento, nos últimos dois anos a autarquia como um todo caiu no descrédito popular. Mergulhada na maior crise de sua história, a empresa anteriormente conhecida pelo padrão de qualidade passou a ser alvo constante de reclamações por conta de atrasos na entrega de encomendas e correspondências.





Decadência


Para Luiz Alberto Bataiola, vice-presidente do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Bauru e Região (Sindecteb), o início da decadência ocorreu em julho de 2009, quando os Correios implantaram um Plano de Demissão Voluntária (PDV) que dispensou cerca de oito mil funcionários. “O problema é que o plano foi implantado sem que houvesse projeto para realização de concurso. Quando resolveram fazer, às pressas, o edital não obedecia às regras e teve de ser cancelado”, recorda-se. Em dois anos, a autarquia acumulou um déficit de 20 mil funcionários em todo o País e os que permaneceram no trabalho se viram sobrecarregados, sem dar conta de realizar todo o serviço.

Além dos atrasos, a estatal também se viu envolvida em uma série de escândalos desde que o PMDB e o PTB passaram a deter seu controle, em 2004. As denúncias começaram com o vídeo em que o ex-funcionário Maurício Marinho recebia propinas, seguiram pelo escândalo do mensalão e pela CPI dos Correios, até a queda de Erenice Guerra do comando da Casa Civil.



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Medidas objetivam reerguer a estatal


Na tentativa de reerguer o nome da empresa, a presidência assumida pelo PT tem como foco “adotar práticas de governança corporativa reconhecidas e incorporadas por grandes empresas”. A partir do novo estatuto, a estatal começará, por exemplo, a atuar também no mercado externo - com ênfase no serviço de Sedex, que cresce a cada ano por conta das entregas de compras pela Internet, mas enfrenta grande concorrência de empresas estrangeiras no Brasil.

“O serviço de encomendas já é responsável por 50% do faturamento dos Correios, mas tendência é que seu nível de importância aumente nos próximos anos, enquanto o serviço de entrega de cartas e impressos irá diminuir”, avalia Bataiola.

Os Correios poderão, ainda, participar como sócia minoritária de outras empresas, criar subsidiárias, além de celebrar parcerias comerciais que agreguem valor a sua rede e sua marca. Entretanto, na avaliação de Osmar Brito, membro do Comitê de Luta Contra a Privatização dos Correios de Bauru, a atuação com foco na lucratividade é apenas mais uma das medidas com o objetivo final de privatizar a empresa.

“Está claro que o objetivo é trazer a empresa para uma lógica privada. E, dentro desta lógica, o primeiro passo é o enxugamento do quadro de funcionários”, argumenta. Segundo ele, embora a empresa tenha realizado concurso recentemente para contratar mais 9 mil funcionários, precisaria de um total de mais 30 mil para retomar o antigo padrão de atendimento.



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Contratações


Recentemente, os Correios realizaram concurso público para contratação de mais de 9 mil funcionários em todo o País. Na base sindical de Bauru, que abrange 200 municípios, devem ser chamados entre 600 e 800 servidores.

Mas, em razão das mudanças que estão sendo implementadas pelo novo presidente da empresa em Brasília, Wagner Pinheiro, o receio sobre a redução da estrutura da Diretoria Regional São Paulo Interior, sediada em Bauru, ainda permanece entre funcionários. A assessoria de imprensa dos Correios, entretanto, é categórica ao afirmar que as medidas de modernização não vão gerar demissões nem remanejamento de servidores.

Em nota enviada ao JC, a autarquia frisa que “a perspectiva de ampliação dos serviços resultarão na valorização do seu corpo funcional” e que “a tendência é a geração de mais e melhores empregos”.



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Estatuto prevê ocupação de cargos por funcionários de outros órgãos


Após sete anos de liderança do PMDB e PTB, os Correios voltaram à liderança do PT. Logo que o sindicalista Wagner Pinheiro assumiu a presidência nacional, o partido providenciou alterações importantes no estatuto da autarquia. Assinado em maio deste ano, um decreto da presidente Dilma Rousseff - que não precisou passar por aprovação no Congresso Nacional - criou os artigos 43 e 44.

Eles permitem aos Correios nomear servidores de outros órgãos públicos para desempenhar funções gerenciais e técnicas dentro da estatal.

Até o governo passado, as 27 diretorias regionais dos Correios só podiam ser ocupadas por funcionários de carreira, sendo de livre nomeação apenas o presidente e os vice-presidentes. Para o membro do Comitê de Luta Contra a Privatização dos Correios de Bauru, Osmar Brito, a estratégia irá estrangular o Plano de Cargos, Carreiras e Salários da empresa.

“Os cargos de comissão poderão ser ocupados por qualquer outro funcionário público, não necessariamente vinculado aos Correios. Aquele trabalhador que se dedica, investe na sua qualificação profissional, não terá mais a mesma perspectiva de crescimento dentro da empresa”, reclama.

Na avaliação de Luiz Alberto Bataiola, vice-presidente do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Bauru e Região (Sindecteb), os servidores da estatal desempenham atividades bastante específicas e, diante da crise enfrentada atualmente, nomear funcionários de outros órgãos pode representar um risco para a empresa.

“Os cargos técnicos e gerenciais precisam ser ocupados por quem possa entrar e já começar a resolver os problemas. Se as contratações forem obedecer a critérios políticos e não de competência, o futuro da empresa é preocupante”, analisa.



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Novo diretor


O novo comandante da Diretoria Regional dos Correios São Paulo Interior, Joseph de Faro Valença, nasceu em Aracaju (SE), tem 58 anos e é bacharel em ciências jurídicas e sociais. Funcionário de carreira dos Correios, ele atua na empresa há 39 anos e estava exercendo suas atividades na gerência de atendimento da diretoria em São José do Rio Preto.

Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), Valença também foi presidente e diretor de Administração e Finanças do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Rio Preto e região. Ele substitui o bauruense Luiz Roberto Pagani, que permaneceu à frente da diretoria regional durante os últimos quatro anos.

Pagani trabalhava como subgerente de engenharia da unidade de Bauru quando assumiu a função em outubro de 2007 no lugar de Vitor Joppert, que foi exonerado sob acusação de desvio de verbas. Concursado há 38 anos, o ex-diretor também é funcionário de carreira e continuará trabalhando na estatal, em função ainda não definida.




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