ASSINE: (14) 3104-3144  |  ATENDIMENTO JC  |  BUSCA  |  NEWSLETTER  |  EDIÇÃO DIGITAL  |  SEGUNDA-FEIRA
JCNet.com.br
Bauru e grande região -
máx. 29° / min. 17°
Carregando
Política
Economia
Geral
Polícia
Bairros
Esportes
Regional
Cultura
Nacional
Internacional
Carnaval 2014
Classificados
Agendinha
Cinema
Bauru Pocket
Tribuna do Leitor
Entrelinha
Em Confiança
Horóscopo
Falecimentos
JC na escola
Loterias
Atendimento JC
No JC
Geral

Aumentam os crimes na rede social

Mau uso dessas ferramentas e e-mails pode acarretar consequências; especialista prega conscientização para internautas

Compartilhar via Facebook
Compartilhar via Google+
Neide Carlos/Divulgação
O especialista José Antonio Milagre ressalta que no mundo virtual também encontram-se limites na honra, na imagem e na privacidade

Um desabafo no Twitter, uma discussão no Facebook, uma imagem não autorizada no Instagram ou uma ofensa via e-mail podem acarretar mais do que um revide à mesma altura. É aconselhável prestar muita atenção ao que se posta e ter cautela mesmo com brincadeiras que podem dar margem a interpretações desabonadoras para não sofrer consequências, que vão de demissão a processos. Porém, o aumento do número de casos nos tribunais mostra que os internautas ainda sofrem da “falta de educação digital”. (Leia mais na página 13)

A cautela é aconselhada pelo advogado José Antonio Milagre, especialista em direito digital, que aponta mandamentos fundamentais para evitar dissabores e dores de cabeça com o que se fez no mundo virtual. “Pense antes de postar. Nunca poste com raiva, com sono. Tem que pensar, respirar, contar até dez antes de postar”, indica.

Casos recentes de postagens desastrosas que ocasionaram consequências prejudiciais aos responsáveis incluem o episódio do jornalista Flávio Gomes, demitido pelo canal ESPN Brasil após desabafar contra o Grêmio, que havia vencido a Portuguesa com um gol em um pênalti polêmico no Campeonato Brasileiro. Gomes é torcedor célebre da Lusa e atacou o time gaúcho e seus torcedores no Twitter. A emissora, pressionada pelos revoltados gremistas, acabou despedindo o jornalista. E também as fotos que a empresária Kamyla Simioni divulgou no Instagram e Facebook revelando um caso amoroso com o marido da ex-dançarina do grupo “É o Tchan” Scheila Carvalho, Tony Sales. Carvalho participava do reality show “A Fazenda”, da Record, acabou saindo da competição em meio à turbulência e o caso foi à Justiça.

Estes são exemplos com pessoas públicas, mas casos envolvendo a falta de etiqueta ou educação digital, como Milagre define, são comuns e exigem um trabalho de conscientização e formação para preparar os internautas para a sociedade da informação. “É o uso da tecnologia para preparar o indivíduo para a sociedade da informação, que é com que ele está lidando neste momento. Hoje, nós estamos falando de inclusão social de pessoas no mundo digital, mas temos que assegurar sociabilidade, cultura e aprendizagem em relação às características desta sociedade da informação”, comenta.

De acordo com o advogado, a educação digital é fundamental para disciplinar a questão de ética, do uso adequado da internet, da segurança da informação, privacidade, cidadania digital e, principalmente, estabelecer os limites da liberdade de expressão. “Assim como na vida em sociedade no mundo real, no mundo virtual também encontram-se limites na honra, na imagem e na privacidade das pessoas às quais você menciona. É muito importante principalmente para os jovens. Isso pode vir a causar danos para os pais, escola”, analisa.

A educação digital também é imprescindível no ambiente corporativo para o uso ético, adequado e com segurança de ativos de informática da empresa pelo funcionário, como e-mail e redes sociais. “O colaborador tem que entender que está usando um insumo da empresa, como um telefone, um carro. Muitas vezes, o mau uso destes ativos faz com que a empresa sofra danos, seja responsabilizada. Logicamente que este colaborador vai ser desligado. Não existe a possibilidade de mantê-lo à medida que ele violou as regras trabalhistas.”

O advogado relata que este tipo de ocorrência é comum. “Cada vez mais verificamos pessoas usando o nome da empresa, a marca da empresa para fazer postagens. Deste modo, estão associando o nome da empresa a este comentário, a esta briga na internet ou a esta mensagem no momento da emoção. Isso sem dúvida gera dano à empresa e a jurisprudência trabalhista já é pacífica no sentido de que, interferindo na boa imagem, na reputação da empresa, é caso de dispensa por justa causa deste colaborador”, destaca.

Milagre aponta ainda que baixar conteúdos ilegais também é resultado da falta de educação digital e pode trazer consequência graves ao empregado.

 

Imagem associada à empresa

O advogado especialista em direito digital José Antonio Milagre entende que os desdobramentos que culminaram com a demissão do jornalista Flávio Gomes pela ESPN Brasil, após comentários negativos sobre o Grêmio e seus torcedores, seriam inevitáveis. Gomes alegou que fez sua postagem de sua casa e no seu Twitter particular, sem vínculo com o canal esportivo. Porém, no entendimento de Milagre, a imagem do jornalista é indissociável a imagem da empresa.

“Por mais que ele fale que postou usando artigo da casa dele, de certo modo ele está em uma condição de notoriedade e publicidade e isso é invariável que se associaria (à empresa). É a mesma coisa do Kléber Machado (narrador da Rede Globo) postar da casa dele a sua preferência ou ofender algum clube e alegar que não tem nada a ver porque estava usando a internet da casa dele”, compara o advogado.

A questão se o post foi feito diretamente da empresa ou da residência não tem relevância em casos assim, segundo Milagre. “A responsabilização não é pelo local onde você está localizado fisicamente, a internet não conhece limites geográficos. Você entrou associado à sua empresa, tem elementos na postagem que lhe identificam e à medida que você de forma inconsequente postou sem pensar e associou-se à empresa. As pessoas começam a comentar esta postura lamentável e a empresa se vê acuada porque precisa dar uma resposta”, analisa.


Educação digital nas escolas

A sociedade da informação é a realidade, mas a maioria das pessoas está despreparada para encará-la. Para preparar uma geração de internautas conscientes e responsáveis, a educação digital já ganha espaço em ambientes acadêmicos, revela o advogado José Antonio Milagre, especialista em direito digital. “Temos colégios que já implantam esta disciplina de forma extracurricular para trabalhar isso nos adolescentes e nos jovens, que não estão preocupados com a superexposição na rede”, comenta.

Milagre lançou um artigo na Wikipédia, enciclopédia digital, que trata do assunto. “Lançamos para que a gente consiga conscientizar pais, educadores e a sociedade como um todo para essa nova necessidade de saber se portar em sociedade digital”, observa. O advogado ressalta que a educação digital não se trata de uma aula de informática. “Até porque informática é cada vez mais uma commodity, algo básico, como saber ler e escrever. É sim a conscientização para o uso ético, legal envolvendo a tecnologia da informação”, aponta.

O objetivo é formar internautas responsáveis. “É uma orientação para uso da internet protegendo seus direitos, fazendo menção à questão da privacidade, aos crimes cibernéticos, à responsabilidade que pode advir de um comentário, de uma briga no Facebook, de uma ofensa de qualquer natureza. São alguns dos temas que fazem parte deste termo educação digital”, conclui.

 

Você é responsável por tudo que posta

Na hora de postar, responsabilidade. É o que prega o ilusionista Átila Quaggio Coneglian, que usa as redes sociais com moderação e cautela para evitar dissabores. Coneglian não subestima o poder das redes, até por isso se “autocensura” antes de postar. “Hoje podemos gritar: ‘mundo eu estou aqui!’ E o mundo responde compartilhando. Isso pode ser um problema ou uma solução. Particularmente, utilizo as redes sociais somente para negócios. E tenho algo dentro de mim que policia minhas postagens, que é a consciência de que tudo que posto provoca reações, positivas e negativas, de ação e de inanição”, declara.

No melhor estilo do escritor Antoine de Saint-Exupéry, com o seu “O Pequeno Princípe” e clássica sentença de que nos tornamos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos, Coneglian se vê absolutamente responsável pelo que posta e pelos desdobramentos destes posts.

“Quando posto algum comentário sério, piada ou algo que vai provocar uma reação, procuro imaginar a reação que isso provocará, se boa ou má, se vai ajudar as pessoas ou simplesmente mantê-las viciadas na rede. Prefiro colocar sempre algo que provoque reflexão positiva, que transforme a pessoa para o bem, que a movimente para o otimismo, para o amor e parceria com o próximo. Assim, fico um pouco mais tranquilo, pois sei que arcarei com as responsabilidades, mesmo que indiretamente, daquilo que provoquei”, relata.

 

Sem argumento, vem o palavrão

O historiador e blogueiro Henrique Perazzi de Aquino constata que a falta de educação digital é norma nas redes sociais. Perazzi ressalta que a regra é todos quererem falar, impor suas opiniões e poucos ouvem ou leem, aprendendo e questionando com argumentos que levam a uma saudável discussão. “A falta de educação digital atual é algo vigente no Facebook, onde se percebe claramente que as pessoas hoje leem menos, ouvem menos e querem falar. Poucos param para ouvir e já lhe tascam um palavrão, mesmo sem lhe conhecer. Quando falta o recurso do debate pela falta de argumentos, pode perceber: daí para o palavrão é um pulo. Discutir com esses é loucura, pois não aceitam nada diferente do que pensam, mesmo que se prove o contrário”, define.

Perazzi detalha como usa a internet como ferramenta diária em seu trabalho. “No Facebook tento manter um perfil diário, o Personagens sem Carimbo - O Lado B de Bauru, hoje com seu 255º personagem. Como o blog existe desde 2007, tenho fotos de gente da cidade toda e vou contando pequenas historietas delas, com mínima consulta, tudo de memória. Busco algo dentro da notícia recente de alguns, outros resgato por osmose”, declara. “Escrevo por compulsão, uma quase necessidade de por para fora algo que não saberia fazer de outra forma. Acredito escrever melhor do que falar, consigo ordenar melhor o que quero expor. Daí o blog e os contínuos textos para tudo quanto é lado. Tento escrever de quase tudo sem ser o dono da verdade, leio muito, pondero pouco e discuto à exaustão”, comenta.

 

Redes menores e mais calorosas

Átila Coneglian entende que as redes sociais hoje são grandes demais e frias demais. “Hoje temos milhares de amigos numa rede fria, sem calor, apenas acompanhamos os números de amigos, de compartilhamento e etc. Pergunto: quantos amigos têm realmente?”, questiona. “Acredito que, em função da falta de ética, de responsabilidade, de mentiras e de cutucões, além das inúmeras invasões de privacidade por amigos virtuais, num curto espaço de tempo as redes sociais se tornarão cada vez mais fechadas e menores, aglutinando pequenos grupos de amigos e parceiros verdadeiros em número muito menor do que temos hoje. Uma rede que terá mais calor. Calor que já perdemos através de nossa própria ação e utilização incorreta da ferramenta”, finaliza.

 

 





publicidade


Projeto Cidade Promoções e Eventos
(SF) © Copyright 2014 Jornal da Cidade - Todos os direitos reservados - Atendimento (14) 3104-3104 - Bauru/SP