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Bauru ganhará segunda escola de ensino integral

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Bauru ganhará, no próximo ano, sua segunda escola de ensino integral mantida pelo governo do Estado. As matrículas já estão abertas, com a proposta anunciada de formar alunos “autônomos, solidários e competentes”. Neste ano, a Escola Estadual Eduardo Velho Filho, que fica na Vila Vergueiro, ao lado do Terminal Rodoviário, foi a primeira a implantar o ensino integral em Bauru, apenas para alunos do Ensino Médio.

A partir de 2014, a Escola Estadual José Aparecido Guedes de Azevedo, no Jardim Bela Vista, também passará a funcionar sob o mesmo sistema, mas também com aulas para estudantes do Ensino Fundamental.

Dirigente regional de ensino, Gina Sanchez conta que se trata de uma tendência já consolidada na rede pública de países desenvolvidos e que deve se expandir ao longo da próxima década na região de Bauru. “A nossa Lei de Diretrizes e Bases já propunha a implantação do Ensino Integral no Brasil desde 1996. Mas, agora, esta ideia vem ganhando força. O objetivo é formar estes jovens para a continuidade da vida acadêmica, mas também para o mercado de trabalho”, resume.

Gina conta que a ampliação do tempo de permanência dentro da escola é apenas a primeira das diferenças entre o ensino tradicional e o integral. Os alunos, que normalmente estudavam de cinco a seis horas por dia, passam a ficar 8,5 horas nas salas de aula, quando estão no Ensino Fundamental, e 9,5 horas quando vão para o Ensino Médio.

Além de permitir o aprofundamento do conhecimento nas disciplinas tradicionais, o longo tempo no ambiente escolar também contribui para estabelecer uma relação de proximidade com professores e fortalecer vínculos com os colegas de sala.

Projeto de vida

Assim como as disciplinas curriculares, as escolas de ensino integral oferecem, semestralmente, outras cinco disciplinas eletivas, que são opcionais e tratam de temas diversos, como empreendedorismo, história em quadrinhos e saúde. “No Eduardo Velho, também temos dois laboratórios para aulas práticas, lousas digitais e 120 netbooks, que contribuem para a interatividade nas aulas. Há materiais que nem mesmo escolas particulares têm”, comenta a diretora da unidade, Giovana Xavier de Almeida.

Ela destaca, ainda, que os alunos são estimulados a desenvolver seu projeto de vida, em que participam de dinâmicas e atividades com foco no autoconhecimento, autoconfiança e também para que possam conhecer um pouco da realidade das profissões que desejam seguir. “Para tanto, os alunos contam com professores tutores, que irão ajudá-los”, frisa.

Ainda para estimular a autonomia, duas vezes por semana, os alunos participam do clube juvenil, quando têm a oportunidade de decidir como querem ocupar seu tempo dentro da escola, desenvolvendo atividades na área de música, ciências, teatro, jornalismo e esportes. “Desta forma, os incentivamos a tomar decisões, a tomar iniciativa e ter capacidade crítica”, acrescenta Giovana.

Para que possam exercer esta função, os professores são contratados em regime de dedicação exclusiva e, assim como os alunos, ficam todo o dia na escola. “Eles, inclusive, almoçam com os estudantes. São profissionais escolhidos de acordo com a disponibilidade e o perfil apropriado”, diz Gina.


Matrículas abertas

As matrículas para o Ensino Integral em Bauru já estão abertas. Na Escola Estadual Eduardo Velho Filho, na Vila Vergueiro, serão disponibilizadas 254 vagas para o Ensino Médio. Na José Aparecido Guedes de Azevedo, que fica no Jardim Bela Vista, serão 280 vagas para o Ensino Fundamental e 240 para o Ensino Médio.

A dirigente regional de Ensino Gina Sanchez explica que não há processo seletivo e que as matrículas ocorrem por ordem de chegada. Alunos já matriculados em outras instituições devem procurar orientações na escola de interesse para efetuar a transferência.

No ato da inscrição, deverão ser apresentadas cópias da certidão de nascimento, do comprovante de endereço, do RG e do CPF (se o aluno já tiver os documentos), do comprovante de conclusão do ensino fundamental (se a matrícula for para o ensino médio) e uma foto 3x4.


‘Ensino integral valoriza alunos’

Para alunos e professores que imergiram na experiência do ensino integral, ao longo deste ano, o sistema estabelece um círculo virtuoso, proporcionado pela convivência intensa e pela consequente cumplicidade que se estabelece entre as duas pontas desta relação. De um lado, até por conta das ferramentas diferenciadas que são oferecidas durante o as aulas, os alunos se sentem cada vez mais interessados em aprender.

De outro, os professores se sentem valorizados e, por isso, cada vez mais estimulados em ensinar. “Estou na rede pública há muito tempo e nunca havia trabalhado com tanta segurança, harmonia e dedicação como agora. Os alunos se mostram bastante comprometidos e as condições de trabalho são totalmente diferenciadas”, conta a professora de química da Escola Estadual Eduardo Velho Filho, Vera Lúcia Leonel Pereira.

Professora de biologia, Suzi Reis Christianini Matuno destaca a estrutura e organização que o ensino integral oferece aos professores para que tenham condições de realizar seu trabalho, ao mesmo tempo em que os estudantes conseguem ter acesso a uma formação mais completa. “O aluno se desenvolve não apenas do ponto de vista da aprendizagem, mas também quanto à capacidade de convivência, organização e de elaborar um projeto concreto de vida”, pondera.

Para os estudantes, a sensação parece ser a mesma. Aluna do primeiro ano do Ensino Médio da Eduardo Velho Filho, Maria Eduarda Bruno Souza, 15 anos, conta que mudou de escola por vontade própria para conhecer o sistema de ensino integral instituído no início deste ano. “E não me arrependi. Vou seguir até o final do Ensino Médio aqui”, garante ela, que pretende ser jornalista.

Também aluno do primeiro ano, Lucas Massarico, 16 anos, concluiu o Ensino Fundamental em uma instituição particular e conta que não sentiu qualquer diferença na qualidade do ensino, quando se transferiu para a nova escola. “Na verdade, no ensino integral é até um pouco mais puxado, porque temos mais matérias. Mas estou gostando bastante”, observa ele, que quer seguir a carreira de biólogo.


“Depósito de estudantes”

A diretora estadual da Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual), Suzi da Silva, defende a implantação do ensino em tempo integral em todas as escolas públicas. Isso porque a maioria dos pais trabalha e fica apreensiva em deixar os filhos vulneráveis aos riscos das ruas. Entretanto, ela acrescenta que esse sistema não funciona de forma efetiva em Bauru. “Defendo uma escola em tempo integral, mas que ela não seja um depósito de alunos, como ocorre atualmente.”

Para a diretora, o ideal seria que as escolas adeptas a esse sistema proporcionassem aos alunos as disciplinas regulares no primeiro período do dia. No restante do tempo, as escolas deveriam disponibilizar atividades que incentivem as potencialidades dos estudantes, como oficinas de informática, de artes, de música, de dança e de teatro. “A escola integral deve garantir que o aluno desenvolva todas as suas potencialidades. Fora disso, seria apenas um depósito de crianças com o nome de escola em tempo integral”, conclui Suzi.





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