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Alerta: uso sem controle de remédios pode matar

Medicamento acessível pode causar sonolência, perda de reflexo, desmaio e mal súbito, facilitando acidentes

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Reprodução
Automedicação é um problema que o governo brasileiro tenta coibir

Quem já não experimentou um remédio usado pelo vizinho por ter ouvido que é bom? O brasileiro é dado à automedicação e ao uso indiscriminado de remédios que não estão enquadrados na norma da prescrição médica.

Uma inofensiva dipirona ou analgésicos, à base de codeína, pode causar sonolência, alerta o médico Luiz Antônio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE), da Secretaria Municipal de Saúde. Além de sono, os efeitos podem ser a perda de reflexo, pressão baixa (hipotensão) e possibilidade de mal súbito ou propriamente o desmaio. Sabbag lembra que determinados medicamentos associados ao álcool podem potencializar o efeito, promovendo grande mal estar. Alguém ao volante com reflexo tardio ou dormindo pode causar um acidente de proporções trágicas.

A automedicação, como uso de antigripais sugeridos, é um problema que o governo brasileiro tenta coibir. Sabbag entende que é grande o risco a que estão expostas as pessoas ao consumirem de maneira equivocada remédios de acesso sem controle, como analgésicos e antigripais.

No mínimo, o uso indiscriminado de medicamentos pode causar diarreia. Não há estatística específica de casos atendidos nas unidades de saúde do município. Sabbag comenta que ocorrem casos de intoxicação medicamentosa, causando sonolência, desmaios e até acidentes.

Ainda que cada organismo responda de maneira particular ao consumo de remédios, o médico entende que os riscos sempre são demasiados.

“Farmácia não poderia vender nenhum remédio sem prescrição médica. Falaram dos antibióticos como o grande problema, mas não são apenas os antibióticos”, avalia. Sabbag lembra que, atualmente, se controla a venda somente com prescrição médica de antibióticos, antidepressivos, antidistônicos e calmantes. Contudo, há uma variedade que não sofre restrição, como antigripais e analgésicos.

 

Superbactérias lá e cá

Portugal restringe a prescrição de antibióticos devido ao surgimento de superbactérias resistentes aos medicamentos. A norma prevê que médicos consultem profissionais nas unidades de saúde incumbidos de fiscalizar a prescrição de remédios para combater infecções ou gripes.

Um relatório nos Estados Unidos mostra que, anualmente, 2 milhões de norte-americanos são vítimas de infecções resistentes a antibióticos e 23 mil morrem.

No Brasil, o médico Luiz Antônio Sabbag esclarece que a restrição brasileira, com venda somente com receita médica, visa não causar resistência. Ele cita que no Brasil já há resistência de muitas bactérias no ambiente hospitalar, situação que gerou a venda controlada.

 

Lei Seca

A situação vivenciada pela publicitária não é tão rara. De acordo com o médico Dirceu Rodrigues Alves Junior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), o número excessivo de pacientes atendidos pelos médicos diariamente e o tempo reduzido das consultas restringem a quantidade de informações que são repassadas em uma primeira prescrição.

“O médico acaba orientando o paciente somente quanto à posologia do medicamento, como ele deve ser usado e por quanto tempo. Informações como reações adversas ou esperadas e possíveis restrições passam sem ser pontuadas, restando ao paciente buscar a informação na bula mesmo”, lamenta.

Ainda que as bulas apresentem todas as informações, Alves Junior alerta para os remédios que não restringem especificamente a direção de veículos ou o uso de outros equipamentos, mas que, mesmo assim, podem alterar a rapidez do raciocínio em tempo de resposta, visão, audição e outros sentidos necessários para condução de um automóvel.

“Muitas vezes uma simples dipirona em um organismo sensível a este componente pode causar problemas de concentração e moleza no corpo. É preciso que seja feito um acompanhamento muito próximo do médico e que o próprio paciente analise sua situação antes de pegar um carro e dirigir”, complementa.

Há cinco anos, a Abramet desenvolveu uma proposta de projeto de lei que obrigaria as indústrias farmacêuticas a inserir na caixa do medicamento o símbolo de proibido dirigir.

Segundo Alves Júnior, mesmo depois de aprovado, o projeto nunca saiu do papel. Além da sinalização nos remédios, a Abramet defende um banco de dados nacional com informações atualizadas sobre as causas dos acidentes de trânsito que acontecem no Brasil.

“Somente com dados consistentes é que poderemos desenvolver projetos mais focados na prevenção de acidentes de trânsito resultantes do uso de medicamentos”, diz.

 

Aperfeiçoar

O atual Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não dispõe especificamente sobre a utilização de medicamentos relacionados à direção de veículos. Eles são enquadrados como substâncias psicoativas que causam dependência e, desta forma, proibidos assim como o álcool, o que dificulta a fiscalização.

“O conceito que o CTB traz é absolutamente amplo e é necessário estabelecer quais são efetivamente as substâncias proibidas e qual a forma adequada de sua constatação quando houver uma abordagem policial dos condutores sob suspeita. Este aspecto precisa melhorar”, ressalta Julyver Modesto, comentarista sobre direito de trânsito no site CTB Digital.

O artigo 165 do CTB, alterado em 2008, diz ser infração de trânsito a direção sob efeito das substâncias psicoativas. “Mas ainda é preciso que se estabeleça a forma de fiscalização e especialmente a constatação na abordagem policial”, diz Modesto.


Falta de estatística é entrave

O consumo indiscriminado de remédios pode ser prejudicial ao simples ato de dirigir um carro. Ainda não há no Brasil, portanto, estatísticas que demonstrem a quantidade de acidentes de trânsito relacionados ao uso de medicamentos pelos motoristas.

Segundo pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, o Brasil está entre maiores consumidores de remédios do mundo. Porém, além dos malefícios que o uso indiscriminado de medicamentos traz para a saúde, outro aspecto deve ser levado em consideração: um simples analgésico ou um antigripal pode prejudicar o desempenho do motorista na direção segura.

Para a publicitária Ana Maria Silva (nome fictício), a falta de aviso do médico foi quase fatal. “Uso há muitos anos remédios antidepressivos, mas mudei de medicamento recentemente e não sabia que isso alteraria minha coordenação. Um dia estava dirigindo, me senti fraca, tonta e não me lembro de mais nada. Meu carro deu perda total! Hoje, só circulo de ônibus ou de táxis para me deslocar”, conta.

O médico do Instituto de Psiquiatria da USP David Barros avisa que qualquer medicamento altera algo no organismo e os médicos devem alertar seus pacientes. A medida é sugerida inclusive nos casos de remédios mais comuns, como analgésicos, antialérgicos e antigripais.

“Se houver possibilidade de sonolência, isso deve ser avisado. A partir daí, o paciente deve ficar atento a como seu organismo irá reagir, pois nem sempre será proibido dirigir”, explica Barros.

O médico não ignora a responsabilidade do paciente por seu tratamento, mas isso não exclui o papel do médico nas orientações.





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