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Bauru e grande região - Terça-feira, 24 de maio de 2016
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Insetos ‘fazem a festa’ na primavera e no verão

Altas temperaturas e chuvas favorecem a infestação de pragas urbanas, como baratas e pernilongos

Está aberta a temporada de infestação de insetos. A primavera, que começou em setembro, trouxe árvores floridas e dias mais longos, mas também calor e chuva, permitindo a proliferação das chamadas ‘pragas urbanas’. Insetos como baratas, pernilongos, moscas e os temidos escorpiões encontram nesta época ambiente propício para a reprodução.

O aumento da presença destes animais já é esperada na primavera e no verão, com redução a partir do outono até o inverno, explica o biólogo Roberto Marono, do Departamento de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências da Unesp-Bauru. “Não é possível falar neste momento que exista um desequilíbrio ambiental. É normal nesta época a proliferação destas espécies. E no verão isso aumenta ainda mais, nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro”, informa.

A aceleração do ciclo reprodutivo de alguns insetos ajuda a explicar o aumento considerável, que é notado pela população. “No caso do Aedes aegypti (que transmite a dengue), por exemplo, seu ciclo demora cerca de 12 dias no inverno. No verão, esse tempo cai pela metade. Em seis dias o ovo já é um mosquito adulto e essa proporção acontece com vários outros insetos. Por isso aumenta a população desses animais no calor”, comenta.

Transtorno
Mais do que o incômodo, a presença dos insetos traz risco à saúde da população por conta de inúmeras doenças provocadas pelos animais. Além da dengue e leishmaniose, que já se tornaram um problema de saúde pública em Bauru, com registros de epidemias nos últimos anos (leia mais abaixo), outras moléstias podem ser provocadas por insetos.

Baratas e formigas, por exemplo, podem contaminar alimentos. “Elas podem fazer essa contaminação quando suas patas entram em contato com o alimento”, destaca Marono. Já os escorpiões trazem risco por conta da picada, que pode até levar a morte. Os cupins também trazem transtornos, pelo poder de destruição de móveis inteiros e até de imóveis. “Tem espécies de cupim que só vivem no campo. Mas é normal proliferar na cidade, principalmente na época de umidade do ar mais alta, como agora. É um período de acasalamento e eles usam madeira para fazer o ninho. E para eliminar, só dedetizando”, reitera. Quanto às aranhas, a marrom é apontada como a mais letal, porém sua área de incidência mais comum é o Sul do País. “Na região de Bauru é mais difícil encontrar. Mas tem outros tipos de aranha, como a armadeira, que também é perigosa”, frisa. Em casos de picadas de aranhas e escorpiões, é importante buscar atendimento médico o mais rápido possível.

Vertebrados também estão na lista de pragas urbanas. O mais conhecido é um roedor: o rato, animal que pode transmitir doenças como a leptospirose (quando a urina do rato entra em contato com a água). O biólogo Roberto Marono afirma que a prevenção é a medida mais adequada para conter as pragas urbanas. “Manter a limpeza de terrenos e quintais é importante, e isso deve ser feito ao longo de todo o ano. Se fizer essa manutenção sempre, reduz bastante a incidência desses animais”, aponta. Para um combate mais específico, a dedetização é citada como alternativa. “Nos imóveis, é possível dedetizar para evitar os principais tipos de inseto, é uma possibilidade também. Agora os inseticidas que são encontrados nos supermercados, esses são paliativos”, menciona.


Busca por dedetização cresce no calor

Proprietário de uma empresa especializada em dedetização, o técnico em controle de pragas Mauro César Cruz explica que a procura pelo serviço aumenta nesta época, a poucas semanas do início do verão – a estação começa oficialmente em 21 de dezembro.

Ele detalha que a primavera/verão é o auge de aparecimento das ‘pragas urbanas’, mas que o controle pode ser feito em outras épocas. “Neste período do ano, é quando mais as pessoas procuram as empresas. A periodicidade de duração do controle de infestação varia entre três e quatro meses. A partir do quarto mês o produto já começa a perder força. Isso vale para insetos como aranha, barata, formiga. Já os roedores, é comum surgirem quando há limpeza de terrenos. Eles proliferam rápido no outono e inverno também”, relata Cruz. “Se pegar um inverno chuvoso, aparece bastante rato”, completa.

Contudo, de maneira geral, é a partir de setembro que, em geral, começam a surgir em maior número, por conta do calor e do início do período chuvoso. “Realmente, entre a primavera e o começo do verão, as pessoas procuram dedetização. Mas varia muito conforme o tipo de animal que a pessoa busca eliminar. Em geral, o começo da primavera é um período bom para fazer isso. Só que para cada animal há um tipo de produto diferente, se for eliminar espécies diferentes, precisa fazer combinações de produtos”, lembra.

A quantidade de aplicação do produto também pode variar. Para eliminar carrapatos e pulgas, por exemplo, é necessário duas aplicações, com 10 a 15 dias de diferença entre uma e outra. “Agora os animais mais comuns como aranha, barata, formiga, uma aplicação só é suficiente. Cupim depende do grau da infestação, pode precisar de um tratamento do imóvel todo. Isso também pode ser feito quando o imóvel ainda está em construção, o que acaba sendo até mais eficaz. Mas pode ser feito em imóveis já construídos, sem problema”, aponta.

Preocupação recorrente no calor, os pernilongos exigem uma desinsetização especial, com termonebulização e atomização elétrica. “A termonebulização faz aquela ‘névoa’, que vai eliminar os pernilongos já existentes, e aí entra o atomizador elétrico, que emite uma névoa bem fina nas paredes e no teto, que fixa por meses”, revela.

Cruz explica ainda que atualmente a tecnologia permite dedetizações mais rápidas e sem deixar odor. “Antes eram usados produtos que eram tóxicos e deixavam cheiro por dias. Hoje, a tecnologia permite que duas horas após a aplicação você já possa voltar para dentro do imóvel. Crianças a gente recomenda um tempo um pouco maior, entre 5 e 8 horas. Só animais de estimação como cães e gatos que é mais recomendável esperar um dia, porque eles lambem e podem passar mal”, conclui. Ele cita ainda que os serviços de dedetização são realizados tanto em residências como também em condomínios e estabelecimentos comerciais. Em alguns deles, com periodicidade mensal, principalmente os ligados ao setor alimentício, por questão de higiene.


Dengue e leishmaniose preocupam

Bauru viveu em 2015 a maior epidemia de dengue de sua história. Foram registrados 8.711 casos da doença neste ano, sendo 8.622 autóctones (contraídos na cidade) e 89 importados, com seis mortes. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, desde agosto não há registro de casos na cidade.

Entretanto, o aumento das temperaturas e a quantidade de chuva que tem ocorrido em Bauru mantêm o município atento à possibilidade de uma nova epidemia em 2016. Para evitar novos casos, a Secretaria de Saúde sempre alerta a população a prevenir a proliferação do mosquito Aedes aegypti, eliminando o acúmulo de água – entre as medidas estão manter caixas d’água devidamente fechadas, não deixar garrafas e recipientes que acumulem água expostas à chuva, colocar areia nos pratinhos dos vasos de planta, bem como manter a atenção a qualquer outro tipo de material que possa acumular água.

Já a leishmaniose visceral americana tem sido registrada de maneira constante na cidade desde 2003. Neste ano, são sete casos confirmados de leishmaniose, sem óbitos. O mosquito palha é o transmissor da doença. Ele se desenvolve em material orgânico (restos de alimentos, folhas em decomposição, madeira, entre outros). O cão é hospedeiro. Se um animal doente for picado, a enfermidade pode ser transmitida ao ser humano.

Tanto no combate à dengue como da leishmaniose, a limpeza de quintais e terrenos é necessária. A fiscalização dos terrenos em Bauru é feita pela Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde.

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