ASSINE: (14) 3104-3144  |  ATENDIMENTO JC  |  BUSCA  |  NEWSLETTER  |  EDIÇÃO DIGITAL  |  SEGUNDA-FEIRA
JCNet.com.br
Bauru e grande região - Terça-feira, 18 de junho de 2013
máx. 25° / min. 11°
Carregando
Política
Economia
Geral
Polícia
Bairros
Esportes
Regional
Cultura
Nacional
Internacional
Classificados
Agendinha
Cinema
Bauru Pocket
Mídia Center JC
Politicando
Tribuna do Leitor
Entrelinha
Em Confiança
Horóscopo
JC na escola
Loterias
Atendimento JC
No JC
15/06/12 01:35 - Internacional

Argentinos e britânicos voltam a discutir pela posse das Ilhas Malvinas

Monica Yanakiew especial para ABr
Compartilhar via Facebook
Compartilhar via Google+

Os governos argentino e britânico lançaram nova ofensiva para reclamar a posse das Ilhas Malvinas (Falklands) nesta quinta-feira (14) – trigésimo aniversario do fim da guerra entre os dois países pela posse do arquipélago no Atlântico Sul

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, içou a bandeira das ilhas na residência oficial britânica, em Londres, junto com a bandeira do Reino Unido, para reafirmar que o arquipélago continua sendo território ultramarinho do Reino Unido e lembrar os 255 soldados mortos na guerra contra a Argentina em 1982.

A presidenta argentina, Cristina Kirchner, publicou uma carta em alguns dos principais jornais britânicos dizendo que a presença britânica nas Malvinas representa um “caso colonial anacrônico” e pedindo ao governo de Cameron que acate as resoluções das Nações Unidas e aceite negociar com os argentinos uma solução para a disputa das ilhas.

Além da carta, Cristina Kirchner se encontrou nesta quinta-feira (14) com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, para pedir sua intermediação nas negociações. A presidenta fez também um pronunciamento perante o Comitê de Descolonização das Nações Unidas. Foi a primeira vez que um chefe de estado discursa nesse comitê, criado em 1961 para promover a descolonização de territórios ainda sujeitos a acordos assinados durante o período colonial.

“Queremos dialogar. Não pedimos que [os britânicos] nos deem a razão, que nos digam que as Malvinas são argentinas. Só queremos que se sentem numa mesa para dialogar”, disse a presidenta. “Pode alguém, no mundo contemporâneo, se negar a dialogar?”

Os argentinos argumentam que, com a independência, herdaram as Malvinas da Espanha. Governavam as ilhas, que ficam a 150 quilômetros de suas costas, até serem expulsos pelos britânicos em 1833. Diante da falta de progresso nas negociações na ONU e na esperança de conquistar o apoio dos argentinos ao seu regime, o ex-ditador Leopoldo Gaultier tentou retomar o arquipélago à forca em abril de 1982 e saiu derrotado em uma guerra que durou 134 dias.

A ditadura caiu um ano depois, mas todos os governos democráticos argentinos seguintes reivindicaram as Malvinas. Cristina Kirchner lembrou que os próprios argentinos criticaram a ditadura, que resultou no desaparecimento de trinta mil opositores, e também a guerra. Ela criticou a decisão de Cameron de içar a bandeira das Malvinas numa data trágica para ambos os países: centenas morreram dos dois lados e centenas se suicidaram após o fim do conflito.

“O que pensariam os alemães se, no dia 8 de maio [data do fim da 2ª Guerra Mundial, quando o Exército alemão se rendeu], os britânicos içassem a bandeira alemã, para comemorar a derrota da Alemanha na 2ª Guerra Mundial?”, perguntou Cristina Kirchner. “A Guerra das Malvinas, no entanto, não encerrou a disputa”.

Apesar de várias resoluções das Nações Unidas pedirem aos dois países uma solução negociada para a disputa, o Reino Unido tem se recusado a falar do assunto. Segundo os britânicos, o que vale é o principio de autodeterminação dos povos: cabe aos 3 mil moradores das Malvinas decidir seu futuro.

Na quarta-feira passada (13), os moradores das Malvinas anunciaram um plebiscito para o próximo ano para decidir se a população quer manter a situação atual das ilhas. O arquipélago tem um governo independente; fica com os recursos da pesca, do turismo e do petróleo e não gasta com defesa, que é financiada pelo Reino Unido.

“Nos nunca nos sentimos argentinos. Muitos de nós estamos aqui há cinco ou seis gerações. É verdade que até a guerra de 1982 éramos ignorados pelo Reino Unido e a população das ilhas estava diminuindo”, disse em entrevista a Agencia Brasil o empresário Tim Miller. “Mas depois da guerra o Reino Unido investiu em estradas e infraestrutura. Veio o turismo e a pesca. Hoje temos um Produto Interno Bruto per capita alto. Para que mudar?”

A Argentina argumenta que o principio de autodeterminação dos povos só se aplica a povos nativos - como os indianos, que viviam na Índia antes da colonização britânica. No caso das Malvinas nunca houve uma população nativa, apenas colonos, piratas e pescadores de focas. Agora, com a descoberta de petróleo, o arquipélago tem mais uma fonte de riqueza.

Os moradores das Malvinas também enviaram um representante ao Comitê de Descolonizacão da ONU, Roger Edwards, que acusou a Argentina de empreender uma “guerra econômica” contras as ilhas, ao pedir aos seus parceiros do Mercosul que bloqueiem a entrada em seus portos de navios com bandeira das Malvinas.





publicidade


(SF) © Copyright 2012 Jornal da Cidade - Todos os direitos reservados - Atendimento (14) 3104-3104 - Bauru/SP