Foram encontradas ontem 11 das 12 armas de fogo roubadas de uma residência no Jardim Petrópolis, na última quinta-feira. A equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Polícia Civil de Bauru encontrou o arsenal junto a grande quantidade de munição e outros objetos em um bueiro da avenida Nações Norte. As armas pertenciam a um colecionador falecido há 13 dias e foram levadas por dois homens que invadiram a residência e fizeram reféns a esposa e a filha do homem.
Conforme o JC divulgou, ainda na noite de quinta-feira um dos suspeitos de cometer o crime, Eduardo da Silva Ramos, 28 anos, foi capturado pela Polícia Militar (PM) no Fortunato Rocha Lima após denúncias anônimas. De acordo com o delegado Cledson Luiz do Nascimento, a DIG já tem pistas para encontrar o segundo envolvido.
No entanto, Cledson observa que são grandes as chances de que o crime tenha sido encomendado para abastecer o armamento do crime organizado (leia mais ao lado). Por isso, a polícia ainda investiga a participação de outras pessoas.
Crime organizado
A gravidade do crime foi o que motivou, aliás, o engajamento da DIG nos trabalhos de busca do armamento durante o final de semana, o que não é rotineiro. “Imaginem o que poderia acontecer se essas armas caíssem nas mãos do crime organizado?”, questionou.
Cledson enfatizou o perigo da posse de armas de fogo em casa, mesmo pertencendo a um colecionador e atirador profissional, com o registro em dia junto à Polícia Federal ou ao Exército.
Entre as armas apreendidas estavam três revólveres, uma pistola e sete espingardas. Os ladrões levaram também 600 munições, mas a Polícia Civil, até a tarde de ontem, não havia contabilizado a quantidade apreendida. Objetos como bolsas, telefones celulares, óculos, lanternas e um uma touca-ninja também estavam no bueiro, no lado da pista que dá sentido ao Centro da avenida. Na última sexta-feira, a DIG já havia encontrado algumas roupas utilizadas pelos bandidos no crime em uma chácara em Arealva.
As armas serão periciadas e ficarão à disposição da Justiça. Há a possibilidade de que voltem para a posse da família do proprietário. A esposa e a filha do colecionador ainda não foram informadas sobre a apreensão do arsenal, pois, em razão do trauma a que foram submetidas, passaram o final de semana fora de Bauru.
Segundo a DIG, antes do assalto a família já providenciava a transferência das armas para o nome da viúva ou, até mesmo, a possibilidade de entregar o material.
Investigação policial aponta para informação privilegiada no roubo
O delegado da DIG Cledson Luiz do Nascimento acredita que os bandidos tiveram acesso a informações privilegiadas para planejar o roubo das armas. O colecionador frequentava um bar no Fortunato Rocha Lima, onde foi detido um dos suspeitos pelo crime.
Além disso, ao invadirem a residência e render a esposa de 31 anos do colecionador de armas e a filha do casal, de 13 anos, avisaram que sabiam sobre a existência das armas. Os pedreiros que trabalhavam no local e um chaveiro chamado para abrir o cofre onde estava o arsenal também foram rendidos.
Os dois homens fugiram com o carro da família, abandonado no Parque Roosevelt, com R$ 3 mil em espécie, além das armas e munições armazenadas em três bolsas.
O suspeito já identificado está preso temporariamente e, embora negue participação no crime, foi reconhecido por vítimas e testemunhas. Um automóvel Fiat Palio com placas de Bauru e um aparelho celular foram apreendidos junto com ele.
