Um travesti não identificado oficialmente foi morto na madrugada de ontem, na quadra 3 da rua Luiz Bagnol, Vila Antártica, em Bauru. Ele foi encontrado com dois ferimentos na parte superior do corpo, uma facada no pescoço que atingiu a artéria aorta e outra, mais superficial, no nariz. A vítima não portava documentos. Porém, em um relato informal que consta no boletim de ocorrência registrado no Plantão da Polícia Civil, um soldado da PM disse que, devido a abordagens feitas em outras ocasiões, reconheceu a vítima como sendo Carlúcio de Oliveira, 40 anos, morador de Agudos.
O corpo foi encontrado a aproximadamente 100 metros da avenida Nações Unidas, onde ele trabalharia durante a madrugada. A informação chegou até a polícia de forma anônima, que no local acionou o Samu para um possível socorro, mas segundo o delegado plantonista Rogério Dantas, o médico apenas constatou a morte.
O homicídio, segundo registrado neste ano contra travesti em Bauru - na mesma região da cidade -, aconteceu em frente ao numeral 3-26 da rua Luiz Bagnol, residência que estava vazia no momento do crime. Na rua, nenhum morador quis se manifestar sobre o assunto. Disseram apenas para a polícia que ouviram um único grito durante a madrugada.
O travesti morreu segurando uma nota de dinheiro, o que levou a polícia a suspeitar que houve um desentendimento entre ele e um cliente no final do programa amoroso. “Está praticamente descartada a possibilidade de crime de homofobia. O caso será investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). O delegado Kleber Granja esteve no local do crime e já fez alguns levantamentos”, disse Dantas.
O primeiro passo da investigação será identificar formalmente a vítima. “Trabalhamos com algumas possibilidades, porém, como a vítima não portava documentos, vamos colher as digitais. Se for quem nós estamos pensando, ele é um morador de Agudos.”
Crimes semelhantes
Crime semelhante ocorreu na madrugada do dia 8 de janeiro deste ano. O cabeleireiro Josimar Ferreira Severino, 23 anos, conhecido como Safira, foi executado com cinco tiros no cruzamento das ruas Borba Gato e Benjamin Constant.
Em fevereiro, a travesti Evelyn (Erik Ribeiro), 19 anos, foi espancada e esfaqueada. Como consequência teve um traumatismo craniano, que obrigou sua internação na UTI. Ela foi encontrada 30 horas depois da agressão em um matagal no Parque Viação B. O autor foi preso e responde pelo crime.
ABD divulga nota sobre o crime
No final da tarde de ontem, a Associação Bauru pela Diversidade (ABD) divulgou nota em que lamenta o ocorrido e fala em “homofobia social”.
“(...) No caso dessa madrugada, o delegado praticamente descarta o crime de homofobia, mas acreditamos que foi um crime motivado pela homofobia social (...) Nós acompanharemos as investigações e esperamos um desfecho (...)”, diz a nota.
