ASSINE: (14) 3104-3144  |  ATENDIMENTO JC  |  BUSCA  |  NEWSLETTER  |  EDIÇÃO DIGITAL  |  SEGUNDA-FEIRA
JCNet.com.br
Bauru e grande região -
máx. 27° / min. 20°
Carregando
Política
Economia
Geral
Polícia
Bairros
Esportes
Regional
Cultura
Nacional
Internacional
Eleições 2014
Classificados
Agendinha
Cinema
Bauru Pocket
Tribuna do Leitor
Entrelinhas
Tá Valendo
Em Confiança
Horóscopo
Falecimentos
JC na escola
Loterias
Atendimento JC
No JC
Polícia

Bauru tem 3 assassinatos banais em uma semana

Todos os últimos homicídios registrados em Bauru foram ocasionados por motivos fúteis; crimes são de difícil prevenção, segundo a polícia

Compartilhar via Facebook
Compartilhar via Google+
João Rosan
Delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines: “É praticamente impossível prevenir homicídios assim, são assassinos eventuais”
Qual o limite do ser humano? O que o faz atravessar a linha que separa a racionalidade da selvageria? Os questionamentos ganham contornos cada vez mais dramáticos se forem analisados os três últimos homicídios em Bauru. Uma discussão entre amigos e a simples negativa para participar de um jogo foram alguns dos motivos que resultaram em mais de 20 facadas e tiros.
 
Em menos de uma semana, três pessoas morreram na cidade “por nada”. No caso mais recente (leia mais abaixo), ocorrido anteontem, José Jorge Severo da Silva, de 41 anos, foi baleado na cabeça. Testemunhas afirmam que a vítima teria impedido, horas antes, que o agressor participasse de um jogo de truco, o que teria motivado o 14º homicídio do ano.
 
Além da causa banal, os outros dois homicídios também impressionaram pela semelhança. Em ambos, colegas de trabalho se esfaquearam após uma discussão no alojamento das empresas.
 
No sábado de Carnaval, Martins Rodrigues do Nascimento Neto, 29, foi assassinado com mais de 20 facadas no Jardim Terra Branca. Amigos da vítima contaram que o autor do crime é José Ferreira da Silva, 39. Colegas de serviço, ambos bebiam e faziam planos de festas minutos antes do homicídio. A discussão, porém, transformou os planos em tragédia.
 
Dois dias antes, foi a vez de familiares se despedirem de Edson Afonso Ribeiro, 34. A vítima também foi esfaqueada após brigar com o colega Lindomar Sousa Pereira, 32 anos. 
 
O motivo do desententedimento foi porque Edson teria pedido ao agressor que falasse mais baixo.
 
Sem prevenção
 
A polícia se preocupa bastante com esse tipo de crime justamente pela dificuldade de prevenção. "Difícil? Posso te dizer que é impossível prevenir casos assim. Trata-se de um assassino eventual. Em dois casos, a arma usada nos crimes foram facas. É um instrumento de fácil acesso e que acaba sendo usado como arma", explica Ricardo Martines, delegado seccional de Bauru. 
 
Em relação aos três casos recentes, somente Lindomar Souza Pereira foi preso. Ele foi encontrado logo após o crime e detido em flagrante. De acordo com o delegado seccional, a orientação é de sempre solicitar o mandado de prisão à Justiça aos acusados de homicídios. 
 
Autor do 14º do ano homicídio segue foragido
 
A Polícia Militar divulgou o nome do suspeito de cometer o 14º homicídio do ano em Bauru. Silvio Wagner da Silva, de 32 anos, vulgo Silvinho, teria sido visto no local do crime por um vizinho e pelo irmão da vítima. Até o fechamento desta edição, contudo, ninguém havia sido preso.
 
Na noite do crime, a Polícia Militar localizou, estacionado na quadra 3 da rua Renato Rossi Vieira, no Pousada da Esperança 2, o carro supostamente utilizado pelo autor para a fuga, um Fiorino bege, com placas de Bauru. 
 
O veículo foi apreendido e levado ao Pátio. Em seu interior também foram recolhidos um celular e algumas chaves. O acusado trabalha como pedreiro e já seria conhecido nos meios policiais.
 
Ontem, durante todo o dia, parte do efetivo da Base Leste da PM realizava diligências na tentativa de encontrar o suspeito, mas Silvinho estava foragido até o fechamento desta edição.  
 
O corpo de José Jorge Severo da Silva foi enterrado ontem, às 15h30, no cemitério do Jardim Redentor.
 
Violência se tornou modo de mostrar superioridade
 
A resposta para entender o que leva alguém a esfaquear um colega de trabalho após ele pedir silêncio pode vir de uma soma de fatores sociais. 
 
De acordo com o professor de antropologia da Unesp de Bauru, Cláudio Bertolli, a violência passou a ser enxergada como uma forma de mostrar superioridade. “Existe uma teoria da década de 50 que fala sobre o ‘bem limitado’. E acho que ela explica o que vem ocorrendo. Algumas pessoas, principalmente as de poucas condições financeiras, enxergam o prestígio público e a honra como muito caras”.
 
Assim, de acordo com o professor, quando qualquer fato, mesmo que banal, ameace esta honra, a pessoa toma uma providência. “E, justamente pela sensação de impunidade, tornou-se cada vez mais comum apelar para a violência física na tentativa de retomar essa honra”.
 
Mais um fator é somado a tal cenário preocupante: uma sociedade cada vez mais tensa. “Quando não atinge seus objetivos, o indivíduo começa a se ver como fracassado. Depois, passa a encontrar culpa no outro”.
 
 

 





publicidade


Projeto Cidade Promoções e Eventos
(SF) © Copyright 2014 Jornal da Cidade - Todos os direitos reservados - Atendimento (14) 3104-3104 - Bauru/SP