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11/06/12 03:00 - Política

Funprev pode perder R$ 18 milhões

Recursos da entidade foram investidos no banco Cruzeiro do Sul, que está sob intervenção do BC por problemas contábeis

Da Redação com Vinícius Lousada
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Fundos de pensão de estatais, Estados e municípios correm o risco de amargar prejuízos após terem investido pouco mais de R$ 1,5 bilhão no banco Cruzeiro do Sul. A instituição financeira está sob intervenção do Banco Central (BC) desde segunda-feira passada, por problemas na contabilidade e no descumprimento de normas do sistema financeiro. O rombo detectado foi de R$ 1,3 bilhão. A Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais Efetivos de Bauru (Funprev), responsável pela previdência dos 6 mil funcionários da Prefeitura de Bauru, tem entre R$ 17 milhões e R$ 18 milhões aplicados no Cruzeiro do Sul.

A informação foi confirmada pelo diretor previdenciário da entidade, Vanderlei Tomiati. Ele afirmou que a Funprev não tem o que fazer até que a intervenção do Banco Central seja concluída. “Não sabemos o quanto ou sequer se vamos ter prejuízos com este fato”, pontuou.

Ele ponderou que, no tipo de investimento que a Funprev tem junto ao Banco do Central, o dinheiro aplicado é utilizado para fazer empréstimos a financiamentos de veículos. “Esses investimentos já podem estar em outros bancos. Portanto, acredito que o nosso risco seja menor”.

Tomiati já foi presidente da entidade, mas pediu exoneração do cargo para disputar a eleição para vereador deste ano. Ele ressaltou que as aplicações no Cruzeiro do Sul já chegaram a R$ 23 milhões e tiveram início em 2009, antes do início de sua gestão. No entanto, há muitos anos, é o mesmo grupo que comanda a entidade e Tomiati faz parte dele, como apontou relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI), da Câmara Municipal, que investigou denúncias contra a fundação no ano passado.

A comissão, porém, não discutiu a milionária carteira de investimentos da Funprev, que ultrapassa R$ 256 milhões aplicados. Uma audiência pública foi marcada para abordar o assunto, mas não cumpriu com o objetivo de explicar as aplicações da entidade, mesmo com explanações da empresa de consultoria contratada pela entidade, a Crédito & Mercado.

Além disso, a fragilidade da carteira de investimentos foi reconhecida pelo próprio Vanderlei Tomiati, então presidente da entidade, durante a CEI. Outro problema é a falta de qualificação dos membros do Conselho Fiscal da fundação.

Ainda durante os trabalhos da comissão, alguns vereadores apontaram um ranking dos 30 fundos de investimentos mais rentáveis e seguros. Alguns que recebem as aplicações da Funprev não constavam na lista, gerando questionamentos sobre os critérios adotados. O banco Cruzeiro do Sul seria um desses casos.
 

Intervenção

Os dirigentes e controladores do banco Cruzeiro do Sul foram afastados pelo Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi nomeado administrador temporário, por 180 dias. Mesmo sob o atual Regime de Administração Especial Temporária (Raet), a instituição financeira segue em funcionamento. O prazo para pagamento de dívidas e as datas de vencimento de compromissos de terceiros com a instituição seguem o cronograma original.

Cálculo do prejuízo

Segundo reportagem do jornal “O Globo”, entidades de previdência dos fundos de estatais aplicaram R$ 1,09 bilhão no banco Cruzeiro do Sul. Instituições de servidores estaduais e municipais, por sua vez, creditaram R$ 426 milhões. Em São Paulo, o futuro do banco pode afetar créditos feitos por fundos de 22 municípios, como São Bernardo do Campo e Catanduva, além de Bauru.

Segundo o secretário de Previdência Social, Leonardo Rolim, apesar da ameaça, dificilmente o prejuízo para esses investidores será equivalente ao montante total aplicado. “Esse R$ 1,5 bilhão não pode ser visto como dinheiro perdido”, diz Rolim. “No caso do Banco Santos, que parecia ser mais sério, não houve prejuízo total (para os fundos de pensão). Mais da metade das aplicações foram recuperadas.”

Segundo o secretário, um estudo mais detalhado sobre quanto cada fundo aplicou deve ser finalizado na terça-feira. “Imagino que a parte perdida será uma parcela pequena. Alguns fundos podem nem ter prejuízo, mas isso ainda precisa ser estudado e não é uma conta simples.” Por enquanto, ainda é preciso esperar que o BC conclua varredura na instituição para verificar se os ativos têm ou não lastro.





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