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Bauru e grande região - Sexta-feira, 27 de maio de 2016
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Política

Destinação de chorume encarece 44%

Após queda em julho, preço por metro cúbico passa de R$ 148,00 para R$ 214,00; antes da pressão por redução, custo à Emdurb era de R$ 199,08


E o chorume produzido pelo aterro sanitário de Bauru volta à cena. Depois de reduzir o preço pago pela retirada e destinação do material resultante da decomposição do lixo orgânico em julho deste ano, a Emdurb, por meio de seu presidente, Nico Mondelli, homologou licitação que aumenta em 44% o custo do serviço, que passou de R$ 148,00 para R$ 214,00 por cada metro cúbico (1.000 litros).

Éder Azevedo/Arquivo JC
A cada dia, cerca de 20 a 30 mil litros de chorume são retirados da lagoa do aterro sanitário

A empresa vencedora da concorrência é, novamente, a Monte Azul, de Araçatuba (SP), contratada do órgão municipal para esvaziar a lagoa de chorume desde 2012. Ela foi, aliás, a única a ter participado da disputa.

O novo valor entra em vigência já nesta segunda-feira. O contrato tem validade de 12 meses ou até que se esgotem os 15 milhões de litros previstos na ata de registro de preço, que dá ao poder público a prerrogativa de contratar ou não a totalidade dos serviços. 

Se todo o volume for necessário, em um ano a Emdurb gastará R$ 3.210.000,00 com o chorume. O montante é superior aos orçamentos das secretarias de Administrações Regionais (Sear) e Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Bauru em 2015. Caso o valor da ata anterior fosse praticado, esse valor cairia para R$ 2.220.000,00

ACIMA
 

De 2012 a junho deste ano, o órgão municipal pagava R$ 199,08 por metro cúbico de chorume retirada e destinado a tratamento. Indícios de que o preço estava acima do que a média praticada no mercado regional foram levantados pelo vereador Lima Júnior (PSDB), líder da oposição ao governo Rodrigo Agostinho (PMDB), no mês de julho.

À época, o tucano afirmou que a Estre, responsável pelo aterro privado localizado em Piratininga, cobrava R$ 88,50 pelo mesmo serviço. O parlamentar pontuou ainda que o custo que essas empresas têm para destinar adequadamente o material orgânico girava em torno de R$ 25,00 e R$ 30,00. “O resto são as despesas com deslocamento e o lucro”, disse à época, já que a Monte Azul destina o chorume que retira do aterro de Bauru a uma estação de tratamento em Botucatu (SP).

PRESSÃO
 

Toda a discussão em torno do chorume veio à tona em meados deste ano, porque a lagoa do aterro corria o risco de transbordar, já que o volume de serviço previsto havia sido integralmente contratado.

O pior só não ocorreu graças ao aluguel de tanques particulares que armazenaram o material provisoriamente. A contratação se deu de forma direta e foi, na ocasião, duramente questionada pela Câmara Municipal. Em julho, a Emdurb concluiu novo processo de licitação para a destinação do chorume. Após intensa pressão da opinião pública, a mesma Monte Azul ofereceu prestar o serviço pelo valor de R$ 148,00 por metro cúbico; preço 25% menor do que vinha sendo praticado ao longo dos três últimos anos.

Essa ata tinha a validade de seis meses, mas todo o volume terminou de ser utilizado na última segunda-feira.
 

'Está tudo certo'

A homologação da nova ata de registro de preço com o valor de R$ 214,00 por metro cúbico de chorume retirado da lagoa do aterro foi publicado na edição de ontem do Diário Oficial de Bauru. Presidente da Emdurb, Nico Mondelli admite que cogitou não validar o processo licitatório em função do preço, mas diz que não há nada mais a ser feito porque tudo transcorreu dentro da legalidade.

“A Monte Azul reclamou muito do valor anterior [R$ 148,00], dizendo que ele não cobria o custo, mas não autorizamos qualquer tipo de reequilíbrio”, completa. Fatores como o aumento do custo do combustível justificariam a situação.

Ele conta ainda que outras cinco empresas demonstraram interesse em disputar o contrato, chegando a realizar a visita técnica ao aterro sanitário, mas não participaram efetivamente da disputa.

PREÇO MÉDIO
 

Nico reitera que o preço final da licitação ficou dentro da média apurada [R$ 214,83] na cotação que antecedeu a abertura do edital. Seis empresas contribuíram com a pesquisa, apresentando valores que variaram entre R$ 186,00 e R$ 583,50 por metro cúbico. 

Os dois maiores preços [R$ 300,00 e R$ 583,50] foram excluídos da conta. Caso contrário, a média subiria para R$ 290,47. O JC teve acesso à documentação da sessão de licitação. Inicialmente, a Monte Azul oferecera o preço de R$ 260,00, mas, em negociação com a pregoeira, aceitou reduzir o valor.
 

Alternativa

Nico Mondelli, espera, em breve, reduzir em até 3,5 vezes o valor pago para a destinação de chorume. Segundo ele, a tecnologia desenvolvida por um professor da USP que permitiria o tratamento do líquido in loco está em última instância de análise pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.

Com esse método, o custo por metro cúbico seria de R$ 60,00 a R$ 80,00, segundo o presidente da Emdurb. “A diferença é muito grande”, reconhece.

Vale lembrar que, recentemente, foi construída a terceira lagoa de chorume do aterro sanitário de Bauru, com o intuito de suportar a demanda de chorume coletado, como consequência aos investimentos em tubulação de drenagem do local.


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