Jornal da Cidade de Bauru
Bauru e grande região - Sexta-Feira, 03 de Setembro de 2010  
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10/05/1999 -
Venda pela Internet
Venda pela Internet



Loja virtual é mercado em expansão













Loja virtual é mercado em expansão


Texto: Márcia Buzalaf


Apesar do Brasil não ter cultura de vender produtos
pela Internet, o mercado cresce, a cada ano, 12%, sendo que as
vendas no comércio tradicional aumentam apenas 2% anualmente.
Apesar das empresas considerarem um investimento não tão
seguro, as empresas que produzem os sites anunciam: sai na frente
quem começar primeiro. O custo do investimento em uma loja
virtual pode iniciar em R$ 1 mil, e, na manutenção,
o gasto é a partir de R$ 200,00.


Com exceção de um único supermercado em Sorocaba,
a rede Santo Antônio de Bauru é o único estabelecimento
que faz vendas pela Internet. De acordo com a diretora de marketing
do Santo Antônio, Lucinha Svizzero Cabello, 41 anos, o movimento
na Santo Antônio Net Home é crescente, mês
após mês. "Nos primeiros meses deste ano, aumentou
100% em relação ao ano passado", afirma.


Atualmente, o supermercado atende cerca de 450 clientes por mês,
sendo que, no início de suas atividades, em dezembro de
97, atendia um cliente a cada dois dias. O perfil do consumidor/internauta,
de acordo com Cabello, é, predominantemente, de homens
ou empresas. O custo de manutenção da loja virtual,
para Cabello, é pequeno, perto do investimento futuro que
a rede faz. Com a entrega terceirizada, a loja atende apenas consumidores
de Bauru e Piratininga.


O retorno financeiro da loja virtual é pequeno, mas Cabello
diz que a melhora da imagem do supermercado também é
importante.


Para o consultor da Internet, Paulo Eduardo Milreu, 29 anos, alguns
produtos, pela própria particularidade deles, têm
maior dificuldade de serem vendidos pela Internet.


Os produtos ligados à informática detém a
maioria dos produtos comercializados pela rede (40%), de acordo
com recente pesquisa da Ernst & Young, nos Estados
Unidos, seguidos pelos livros, com 20%, e pelas viagens, com 16%.
Lá, até o McDonald's vende pela Internet, entregando
os produtos na casa do consumidor.


De acordo com o diretor de publicidade e comércio eletrônico
do Universo On Line (UOL), Alon Feurwerker, 43 anos, as 50 lojas
virtuais do provedor vendem mais de R$ 2 milhões por mês.
Considerando que a venda média é de R$ 100,00, mais
de 20 mil transações mensais estão sendo
efetuadas neste comércio.


O crescimento da receita "virtual", segundo Feurwerker,
fica entre 5% e 10% ao mês. Por estes motivos, Feurwerker
diz que todos os produtos, são vendáveis pela rede.
"Dá para vender tudo pela rede: carro, sapato, roupa,
comida...", completa. Para ele, os principais produtos comercializados
pela rede no Brasil são do ramo de supermercados, informática,
livros e CD's, além dos bancos que investem na informatização.


Na opinião do gerente comercial da Travelnet, Luiz Eduardo
Bertolacini Lopes, 28 anos, para se saber quais produtos podem
ser vendidos pela rede, tem que se levar em conta o perfil do
internauta. "Geralmente, são pessoas com o poder aquisitivo
um pouco maior", afirma.


No Brasil, os grandes centros estão se especializando cada
vez mais em vendas pela rede, como a comercialização
de CDs e livros pelas grandes lojas culturais, como a Saraiva,
Cultura e BookNet (maior loja virtual de livros, que hoje em dia
tem lojas "reais", parecida para a norte-americana Amazon).


O setor bancário também está investindo nos
sites que, cada vez mais, oferecem serviços diferenciados.
Como exemplo, Milreu cita o Bradesco, que está testando
em algumas cidades o Smart Card, cartão que carrega uma
quantia se inserido em um aparelho acoplado ao computador, diretamente
conectado com a conta corrente do cliente/usuário do sistema.


Para Milreu, a iniciativa de iniciar as vendas pela rede de computadores
é uma das únicas formas de ser pioneiro em negócios
atualmente. "Se quiser montar uma lanchonete rápida,
por exemplo, já tem as redes de fast food, ou seja,
para ser pioneiro hoje em dia, só mesmo usando a Internet",
completa.


Ser pioneiro na Internet, segundo Milreu, significa ser pioneiro
em um caminho que já não tem mais volta. E 99, em
particular, é indicado para este tipo de investimento,
já que o consumo está em queda e o conselho dos
especialistas é de investimentos na estrutura da empresa.


Investimento


O custo para se montar uma loja virtual, segundo Milreu, é
extremamente baixo se comparados com os custos de montar uma empresa
"virtual". O custo mensal de manutenção
gira em torno de R$ 200,00, sendo que o investimento inicial é
de, pelo menos, 1 mil. Segundo Milreu, o custo depende muito do
tipo de loja.


No Santo Antônio, o custo inicial do investimento não
foi tão pequeno, mas, a manutenção da loja
virtual, garante Cabello, é baixo.


De acordo com Feurwerker, do UOL, a loja virtual do Pão
de Açúcar atende 25% do sistema de delivery (entrega)
da rede através da Interet.


Para Lopes, o custo depende de vários fatores, entre eles,
a segurança, a quantidade de produtos, o tipo de entrega
e da home page.


Em alguns casos, o interessado faz uma parceria com a empresa
de informática que pressupõe uma participação
no capital investido e nos lucros. "Tem empresa que tem receio
de investir nisso sozinha", conta Milreu.


Para Lopes, da Travelnet, existem dois tipos de contratos que
se encaixam perfeitamente no tipo de investimento e perfil do
interessado. A participação em shoppings virtuais,
segundo Lopes, é mais barato e padronizado. Neste tipo
de loja, o interessado se associa ao shopping virtual que cobra
uma cota de participação sobre as vendas da loja.


O site de vendas individual da empresa, segundo Lopes, valoriza
a diferenciação dos produtos e dos serviços,
apesar de ter um custo maior.


Bauru tem 10 provedores de Internet, o que é um número
alto para o porte da cidade. Para Milreu, esta forte concorrência
deve trazer maior qualidade dos serviços prestados nas
empresas, para futuro desenvolvimento do setor. Milreu diz que,
em uma recente pesquisa feita na cidade, Bauru registrou cerca
de 10 mil usuários da rede.







Márcia Buzalaf
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