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Bauru e grande região - Sexta-Feira, 03 de Setembro de 2010  
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07/01/2001 -
Internet ainda atrai empresas da região
Internet ainda atrai empresas da região
Após um período de lucros exorbitantes e valorização exagerada das empresas, o mercado de tecnologia, conhecido como pontocom, passa por uma adequação. A fonte inesgotável de dinheiro secou. Os investidores estão mais criteriosos. As empresas virtuais estão mais próximas do mundo real. Até os mais pessimistas sabem que esse não é o fim da economia virtual, porém, a palavra de ordem agora é cautela.


Após as perdas da Nasdaq (bolsa de empresas de alta tecnologia, nos Estados Unidos), no dia 14 de abril- quando o valor acumulado ao longo de um ano foi perdido em um único dia- a filosofia na Internet mudou. Muitas empresas já sucumbiram a esse ajuste do mercado virtual. As que pretendem sobreviver precisam se adaptar às novas regras rapidamente. Apesar de todos os solavancos, os empresários bauruenses desse setor estão otimistas.

O sócio da Microzapp.com, Paulo Eduardo Milreu é lacônico quanto ao momento atual da Web. “Estamos vivendo uma fase na qual é preciso ter paciência e persistência”, disse. Ele acredita que, partindo desses dois princípios, é possível ter sucesso. Milreu não está pessimista em relação ao futuro e afirma que índices apontam para o crescimento contínuo do número de usuários da rede. Esse fato deve gerar mais lucros. “Começamos a trabalhar em outubro de 1998. Eu e meu sócio - Reinaldo César Cafeo. No fim de 1999, estávamos com dois funcionários. Estamos terminando o ano de 2000 com 22 funcionários e nossa expectativa é de criar, pelo menos, mais oito vagas em 2001”, afirmou Milreu.

Ele explica que as empresas de Internet estão divididas em dois blocos: as puramente virtuais e as que são uma extensão das empresas reais. “A verdade é que essas crises não nos afetaram, pois focamos nossos serviços nesse segundo bloco. As empresas do mundo real não oscilam com a nova economia. A Internet é só uma ramificação da sua área de atuação”, comentou.

O proprietário da Pontocompontobr, Rubens Ribeiro de Barros Filho, o Rubito, acredita que a Internet começa a viver um segundo momento, que deverá ter seu ápice a partir de 2003. Na opinião dele, esse momento é de profissionalização e melhor aproveitamento dos serviços. Ele explica que, logo após o surgimento da Internet, as empresas que tinham dinheiro para investir não tinham as idéias que davam certo na rede. “Essas idéias estavam com a geração digital. Jovens que dominavam plenamente a tecnologia e sua linguagem. A solução para as grandes empresas era comprar essas idéias. Esse foi um dos fatores que contribuiu para a super valorização das empresas virtuais”, explicou Rubito.

Nesse segundo momento, ele acredita que deva ocorrer um processo de intensificação do uso dos sistemas de informação. As grandes corporações não poderão sobreviver sem a Internet. “Com a globalização, as grandes empresas produzem componentes de um produto em países diferentes. Integrar essa produção, com baixo custo, é vital para essas empresas”, afirmou. Rubito adverte que é preciso lembrar de um detalhe. “A Nasdaq é composta por 13 índices. As empresas de tecnologia não são as únicas a influir nas cotações. Essas quedas afetam apenas parte do mercado, não significam o fim da Internet”, salientou.

O otimismo dos empresários de Bauru é justificável com números. O mercado de Internet na América Latina ainda não foi totalmente explorado. Segundo o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, até o fim de 2002, haverá 36 milhões de pessoas conectadas à rede. Essas pessoas deverão ser responsáveis pela movimentação de US$ 8 bilhões por ano. O International Data Corp (IDC) espera que o mercado de serviços em tecnologia da informação na América Latina praticamente dobre seu volume de negócios, em cinco anos. A previsão é que o mercado passe de US$ 8,8 bilhões, em 1999, para aproximadamente US$ 16,7 bilhões, em 2004.

De acordo com o economista Carlos Roberto Sette, as previsões para 2001 no mercado virtual são boas. Apesar disso, ele afirma que as empresas precisam assimilar as mudanças. “As empresas que não quebrarem seus paradigmas e se adaptarem aos novos métodos de gerenciamento não conseguirão sobreviver”, explicou.

Para ele, a Internet é um caminho sem volta. Com a globalização dos mercados, a informação passou a ser o produto mais importante. “As empresas ditas da velha economia necessariamente precisam estar na Internet também”. Sette prevê que o mercado passará por um processo de seleção mais acentuado em 2001. “Acontecerá uma boa peneirada nas empresas pontocom. Só as que estiverem bem estruturadas devem continuar”, afirmou.

Mesmo com todos os sustos de 2000, a nova economia deve retomar seu crescimento em 2001. Todos já perceberam que não existe milagre para criar fortunas da noite para o dia. A super valorização das empresas não deve acontecer novamente. Casos como o da Yahoo!, que teve suas ações negociadas a valores mil vezes maiores que seu faturamento são coisas do passado.

A única perspectiva para quem quiser conseguir sucesso nesse setor é trabalho árduo. Acompanhar as variações do mercado, a dinâmica da rede e aperfeiçoar o atendimento são apenas alguns pré-requisitos para essa nova fase da Internet. Segundo Milreu, descanso para quem trabalha na Internet, só o de tela.

Sites passam por profissionalização

No início da Internet era muito comum a figura do “sobrinho do amigo”. Alguém que sabia construir páginas e era visto com a solução para as empresas entrarem na Internet. Com a retração do mercado, as empresas perceberam que ingressar na Internet era muito mais do que ter um site. O mercado, hoje em dia, exige profissionais que estejam comprometidos com todos os detalhes dos projetos.

Para quem pretende sobreviver em épocas de recessão, a atenção com planejamento de ações, estratégia de marketing, conteúdo e atendimento aos clientes se tornou fundamental. Não basta criar um site, é preciso gerenciá-lo. Para Rubens Ribeiro Barros Filho, da Pontocompontobr, essa será a diferença entre as empresas que ficarão na Web e as que vão desaparecer. “A Internet é dinâmica é preciso acompanhar as mudanças, o tempo todo. A cada momento, o internauta está esperando algo diferente e o mercado está mudando. Quem não acompanhar o ritmo dessas mudanças vai acabar sobrando”, comentou.

O preparo de mão de obra, para atender às empresas que estão entrando na Internet, também tem se revelado um bom mercado. Em 2001 a Microzapp.com estará abrindo turmas para cursos de gestão de sites.
Fernando Penna
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