Jornal da Cidade de Bauru
Bauru e grande região - Sexta-Feira, 03 de Setembro de 2010  
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06/04/2006 - Cartas
Aos jornalistas de Bauru
Este é um desabafo de um cidadão que também tem seus direitos, principalmente o de ir e vir. Qual é meu espanto ao ser barrado hoje, às 15h30, quando prosseguia na rua Rio Branco e ia virar à direita na Praça das Cerejeiras, dirigindo meu carro. Não pude passar, pois dois manifestantes, gritando sem parar, diziam que eu deveria continuar na Rio Branco e não poderia virar. Ao perceber que um carro se aproximou (no caso o meu), os demais manifestantes imediatamente vão se aproximando, já prontos para entrar na discussão.

Sim, eu discuti. Claro, no bom sentido. Eu argumentei que também era um trabalhador e meu trabalho era justamente no meio do quarteirão e eu tinha uma vaga ali me esperando, e não via motivos para eles me impedirem de passar. Para quê? Minhas palavras não surtiram qualquer efeito, pois o “direito” deles era maior que o meu direito.

E os ânimos se exaltaram. Eu, com a pressa comum do meu dia-a-dia, e eles vendo naquele embate o objetivo de toda a manifestação. Eu não passar com meu carro naquela rua seria a vitória para seu manifesto.

Mas eis que surge minha salvação! Um policial, fardado, que veio defender a liberdade, a verdade e a justiça. Pensei na hora: Estou salvo! É óbvio que tenho o direito de ir e vir, e lugar de transeunte é na calçada e de carro é na rua. Pronto! Embate encerrado! Que nada! Qual não foi a minha surpresa quando o policial me disse que eu deveria realmente seguir em frente, e não poderia me dirigir até meu local de trabalho. Quase não acreditei!

“Mas, seu policial!...” blá... blá... blá..., e minhas nobres argumentações não serviram para nada. Percebi que tanto para os manifestantes como para o policial meus argumentos nem ecoaram. Estavam cegos e surdos (com certeza surdos, pois eu também estou meio surdo de tanto ouvir o carro de som desde às 8h!).

Indignado. Revoltado. Triste. Foi assim que me senti. Meu ímpeto foi estacionar já bem longe do escritório, pegar o celular e ligar para 190.

“Alô? Boa tarde, estou no meio da greve dos servidores municipais tentando passar com meu carro pela rua, pois meu escritório é no meio do quarteirão, e fui barrado. Como vocês podem me ajudar? Como a polícia pode fazer valer o meu direito?” Resolveu? Nada! O primeiro atendente ainda chegou à conclusão que eu estava certo e o policial que me barrou errado. Mas não sabia como me ajudar. Me passou para o supervisor. Não era supervisor, era supervisora. Já essa me fez acreditar que eu estava errado e o policial me barrou para me proteger, pois os grevistas poderiam me apedrejar! Pode?!? Estamos em tempos de apedrejamento!? Apenas um único policial protegeria todos os carros estacionados e as casas ao redor?

Final da conversa com a polícia: a tal supervisora disse que se eu quisesse deveria me dirigir a uma delegacia e fazer um boletim de ocorrência e nada mais poderia ser feito. E ainda falou que iria desligar o telefone, pois eu estava ocupando a linha e precisaria atender outras emergências! Mas como?!??! Ela nem atendeu a minha!

Ok, ok.... Sem dúvida tem emergências maiores que a minha. “Tudo bem, onde ligo para pedir socorro?” Não existe onde eu possa ligar! Ou ela não quis dizer!

Bom, recorro então aos veículos de comunicação da cidade, que podem ver os bastidores de um cidadão comum frente às manifestações e atitudes dessa greve de servidores municipais. Creio que as reivindicações podem ser justas e merecidas, mas as atitudes desse grupo mostram o individualismo e egoísmo prevalecendo. Muito obrigado.


Paulo Milreu - empresário e trabalhador
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