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23/09/2006 - Geral
Após queda, 70% dos idosos morrem
Distúrbios de equilíbrio estão entre os principais fatores de risco para pessoas cuja faixa etária supera os 75 anos
Depois de levar um tombo, 70% dos idosos com mais de 75 anos morrem. O óbito, no entanto, não é imediato, mas decorrente de complicações do quadro de saúde. Acamados, eles têm mais facilidade de contrair doenças como pneumonia, infecção hospitalar e depressão, por exemplo.

Os números constam em levantamento realizado pela otorrinolaringologista Raquel Mezzalira, da Sociedade Brasileira de Otologia (SBO) e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O percentual, baseado em dados de 1999 a 2005 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fundamenta a Campanha Nacional de Prevenção a Quedas de Idosos, que será lançada na próxima quarta-feira.

“Vamos fazer com que as pessoas identifiquem e eliminem os principais fatores de risco. A queda isolada não representa tanto o problema, mas sim as conseqüências que vêm depois”, comenta. De acordo com ela, as lesões acidentais são a sexta causa de morte entre idosos.

Os perigos domésticos como piso escorregadio, pouca luminosidade e disposição inadequada de móveis correspondem a 25% das quedas. 60% delas ocorrem dentro de casa. “O trajeto quarto-banheiro, principalmente à noite, é considerado o maior risco da moradia. A SBO e a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) pretendem orientar a população para o problema”, reitera Mezzalira.

Desequilíbrio

Segundo a médica, os distúrbios de equilíbrio estão entre os principais fatores de risco que provocam quedas. “Com o envelhecimento, ocorre um desgaste nas estruturas do labirinto, causando tontura, que é uma das situações que mais limita a vida do idoso”, explica a especialista.

A situação tem feito aumentar as quedas com fratura, que podem levar à hospitalização. “Cai, quebra, vai para cirurgia e fica na cama. Aí, em decorrência da cama, vêm as complicações. Fica imobilizado, dá problema circulatório, respiratório, etc. O idoso ficou preso numa cama, é o começo do fim”, afirma o geriatra Álvaro Ernesto Bien.

De acordo com ele, um fator agravante está relacionado à osteoporose. Dados da SBOT indicam que aproximadamente 40% das mulheres com mais de 50 anos sofrerão fratura relacionada à doença, durante sua vida.
Luciana La Fortezza
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