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12/04/2009 - Geral |
| Ano ainda pode ter 58 dias de descanso |
| Se somadas as famosas ‘pontes’ nos feriados prolongados, trabalhadores da cidade terão quase dois meses para folgar
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Proletários de toda Bauru, uni-vos - e soltai uma sonora gargalhada. Este ano, um espectro vem rondando os locais de trabalho nos quatro cantos da “Cidade Sem Limites”: o espectro dos feriados prolongados. Eles já haviam causado um impacto considerável na última semana de fevereiro, por ocasião do Carnaval. Agora, na Semana Santa, eles voltam a atormentar os responsáveis pelo gerenciamento das empresas.
Dos 263 dias que ainda restam em 2009, dez serão feriados oficiais - isso sem contar os pontos facultativos. Pode até parecer uma quantidade inexpressiva, mas se analisarmos o problema a fundo, chegaremos a uma única conclusão: este será o ano das folgas.
Além dos dez feriados oficiais (oito de âmbito nacional, um estadual e outro municipal), os trabalhadores de Bauru contarão com mais 33 domingos para descansar. Só aí, já teriam acumulado 43 dias de folga, além das férias.
Ocorre que os brasileiros têm o costume de oficializar as chamadas pontes (ou seja, transformar em folga um dia que deveria ser de trabalho), sempre que um feriado cai próximo aos finais de semana.
Isso ficará bastante evidente no começo da semana que vem. Como o feriado de Tiradentes cairá numa terça-feira, é de se esperar que boa parte das pessoas comece a deixar os postos de trabalho assim que a sirene de final de expediente soar na sexta-feira.
Estradas ficarão atopetadas de carros; praias, campings e pousadas ficarão lotadas de famílias em busca de alegria e descontração; todo mundo estará preocupado em festejar, curtir a vida e ser feliz.
Se essas pontes extra-oficiais fossem acrescentadas à nossa soma inicial, seria possível dizer que, este ano, teremos ainda 58 dias para descansar, o que equivale a quase dois meses sem fazer nada. Os números podem variar, de acordo com a categoria.
Servidores públicos municipais, por exemplo, terão a chance de fazer a ponte apenas mais uma vez este ano, no dia 12 de julho, dia seguinte ao feriado de Corpus Christi, que tradicionalmente é celebrado na quinta-feira. A outra ponte ocorreu no dia 23 de fevereiro, uma segunda-feira de Carnaval. Em ambos os casos, o prefeito Rodrigo Agostinho decretou ponto facultativo.
Serão também considerados pontos facultativos em Bauru: 28 de outubro, Dia do Funcionário Público; 24 de dezembro (só a partir do meio-dia), véspera de Natal; e 31 de dezembro, véspera de Ano Novo.
“A tônica deste governo será não ‘emendar’ pois, do contrário, o cidadão acabaria tendo prejudicado seu acesso aos serviços da prefeitura”, salienta o secretário municipal da administração, Renato Gragnani.
Supondo-se que os bauruenses pudessem gozar dos 58 dias de descanso citados e somando-se a essa quantidade os 30 dias de férias remuneradas garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), seria possível dizer que um trabalhador tem condições de passar mais de três meses por ano descansado (teríamos de incluir na conta o Carnaval e a Páscoa, que já passaram, bem como os domingos que ficaram para trás).
Situação parecida com a nossa dificilmente será encontrada em algum país capitalista moderno. Nos Estados Unidos, por exemplo, os trabalhadores têm poucas opções para folgar ao longo do ano além dos domingos.
E não que lá faltem feriados (entre eles, denominados “holidays”): anualmente, existem pelo menos 12 importantes datas comemorativas de caráter nacional, das quais apenas quatro acabam se convertendo de fato em dia de descanso para o trabalhador: o Dia de Ação de Graças, na quarta quinta-feira de novembro; o Dia do Trabalho, lá comemorado na primeira segunda-feira de setembro; o Natal e o Ano Novo.
Para se ter uma idéia de como o caso brasileiro soa estranho no mundo atual, é possível recorrer a um exemplo citado pelo francês Paul Lafergue em seu clássico “O Direito à Preguiça”. A obra afirma que, na época feudal, a Igreja Católica garantia 90 dias de descanso ao trabalhador europeu (52 domingos mais 38 feriados).
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Religião
No Brasil, a existência de um grande número de feriados está associada à tradição religiosa de nosso povo. Nos tempos em que a população estava concentrada (ou espalhada, melhor dizendo) na zona rural e o País tinha uma economia basicamente agrária, era comum as famílias reservarem para descanso certas datas religiosas, principalmente as que coincidiam com os períodos de plantio ou colheita (ou mesmo as que marcavam mudanças de estação).
“Quando eu morava no Nordeste, quase sempre a gente celebrava algum feriado”, recorda-se o vendedor de pipocas José Oliveira, 90 anos, mais conhecido como “seo” Zuza. Natural de Águas Belas, Pernambuco, ele trabalha há cerca de 20 anos na praça Rui Barbosa e costuma ir ao local todos os dias, inclusive nos domingos e feriados.
“Nosso País ainda tem feriado demais. A economia deixa de produzir e as pessoas acabam perdendo o ritmo, devido a esse excesso de pausas”, alfineta o aposentado Pedro Ferreira Braga, 67 anos, freqüentador assíduo do carrinho de pipocas de “seo” Zuza. |
Rodrigo Ferrari |
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