Jornal da Cidade de Bauru
Bauru e grande região - Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010  
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24/02/2010
Dr. Automóvel: Mais dúvidas interessantes
Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
Interessante como os artigos que publicamos esclarecem assuntos técnicos de nossos carros e geram outras dúvidas correlatas em nossos leitores. É gratificante receber e-mails de leitores com pedidos de esclarecimento sobre novos pontos ainda não abordados.

Vejamos resumidamente as perguntas de nosso amigo leitor André Schwarz: “-Oi Marcos, sou de Jaú e adoro a coluna que o senhor escreve. Lendo sua coluna do dia 17 de fevereiro de 2010 falando sobre óleo lubrificante me bateu uma dúvida. Tenho um Corsa Classic 2004 1.6 Automático com 62 mil km e já aconteceu umas duas vezes de eu ir trocar o óleo numa loja especializada em Jaú chamada (...) e ao invés do frentista pegar uma embalagem do óleo, eles estão usando aqueles tambores de óleo a granel. Eles me falaram que fica mais barato porque eu não pagaria a embalagem. Eu queria saber se o óleo do tambor tem a mesma eficiência do óleo que vem na embalagem. Ah, o óleo que eu costumo usar é o Valvoline Competição.” Vamos responder essa parte primeiro. Realmente, fica mais barato, pois não tem a embalagem, é claro. Mas o importante é saber a origem deste óleo. Será que o tambor dele é mesmo de Valvoline Competição (o que eu duvido muito...) ou de algum outro óleo sem classificação, de marca barbante? Quem garante a qualidade do óleo? Exija sempre óleo na embalagem original, por garantia. Existe muita recicladora de óleo usado que apenas filtra e o recoloca no mercado em tambores, sem os aditivos que os fabricantes adicionam.

Continua: “-Outra dúvida que tenho é que um mecânico amigo meu me falou que teria que trocar o óleo do câmbio automático, mas tenho outro mecânico que me disse uma vez que só se troca óleo do câmbio automático quando se abre ele ou quando tem algum defeito. Queria saber sua opinião”. Respondo: Entre os dois mecânicos, acredite mais no segundo. Na dúvida, leia o manual do proprietário. Continua ele:

“-Outra coisa que me falaram é que uma vez foram trocar o óleo do câmbio automático de um Passat e colocaram o mesmo óleo que a fábrica recomenda e o carro não andou, daí filtraram o óleo velho e colocaram novamente e o carro andou normalmente. Gostaria que o senhor tirasse as minhas dúvidas”. André, se tivessem usado exatamente o óleo especificado pela fábrica e o carro não andasse, nenhum outro Passat do mundo andaria, certo? Quem garante que usaram o óleo correto? E essa estória de que filtraram o óleo velho e o carro voltou a andar é mesmo da carochinha, fique tranqüilo!

Nosso amigo jornalista Nelson Gonçalves vem com mais duas dúvidas interessantes que quero compartilhar com vocês: - “Se o motor do carro está muito sujo, aparecendo as crostas de barro espalhadas após esta temporada de chuvas e passagens por poças, o motor pode ser lavado? Em que condições? Existem cuidados para os motores modernos? (que são de injeção e não usam mais o carburador, etc)? Os cabos podem receber jato de água normal?” Boa pergunta. Todo motor pode ser lavado e deve ser mantido limpo. O que não deve é ser lavado sempre. Se tiver apenas uma poeira ou sujeira leve sobre ele, não é necessário ser lavado. Mas se for lavar, devem ser tomadas precauções. Primeiro, cubra todas as partes elétricas, eletrônicas, cabos e chicotes com pano ou plástico, para evitar molhar os contatos ou danificar os componentes. Nunca use jato forte de água, o correto é molhar com mangueira sem pressão todo o motor para amolecer a sujeira, depois pulverizar algum desengraxante ou detergente, deixar agir e então remover a sujeira com água, novamente sem pressão. A infinidade de fios, cabos de vela e contatos elétricos, além da fragilidade de certos materiais como a manta de forração acústica do capô, que podem se danificar com um jato mais forte. Outra pergunta:

- “Por qual razão temos, algumas vezes, dificuldade no engate da marcha ré (quando o carro está parado na garagem é muito comum)? A marcha “não entra”, mesmo pisando fundo na embreagem? Tem a ver com a sua situação estática por horas na garagem?” Não tem nada a ver com o fato de ficar muito tempo parado na garagem. O motivo é que na maioria dos carros as engrenagens da marcha à ré não são sincronizadas como as demais à frente, pois não dispõem do anel sincronizador e o engate se dá pelo encaixe direto dos dentes das engrenagens. Se não engatar logo, engate qualquer outra marcha para movimentar o câmbio e tente novamente.


* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.
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