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14/01/2010 |
| Peixes dão espetáculo no rio Piracicaba |
| Com as chuvas, cheia favorece a piracema e faz das águas palco para ‘voos’ de cardumes de piavas e dourados
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| Daniela Bochembuzo |
Dourados de até 50 centímetros vencendo as corredeiras. A cena, que poderia integrar um ‘causo’ de pescador, tem sido assistida com certa regularidade nas últimas semanas no rio Piracicaba. O manancial, mote de bela canção “Rio de Lágrimas”, de autoria de Tião Carreiro, Piraci e Lourival Santos, vive dias de cheia por causa das chuvas de verão.
Por conta disso, desde as últimas semanas de dezembro, o rio Piracicaba reforçou sua vocação turística, atraindo visitantes de várias partes do Estado e até mesmo de outras partes do Brasil. Também, pudera!, não é sempre que se avista o ‘rei do rio’ dando seus saltos com tanta constância para cumprir sua missão de desovar mais acima, realizando o ciclo da piracema.
Junto ao dourado, piaus e piaparas também são avistados em cardumes. Além dos turistas, quem faz a festa são as aves e elas estão presentes em muitas dezenas ao longo do rio, inclusive em seu trecho urbano, o mais visitado pelas pessoas.
Garças-cinzas, garças-brancas, mergulhões e socós ficam sobre as pedras da corredeira do rio, esperando uma ‘bobeira’ dos peixes para abocanhá-los. Mas há também outros ‘oportunistas’ sobre as pedras e na beira do rio: os cágados e as cobras.
No dia 1 de janeiro, uma cobra sucuri de aproximadamente cinco metros de comprimento foi encontrada enrolada nos galhos de uma árvore no Engenho Central, conjunto arquitetônico tombado como patrimônio estadual e que se localiza ao lado do rio.
A gigante virou atração turística e logo o local onde estava teve de ser interditado por guardas municipais e policiais militares, para assegurar a integridade do animal e dos visitantes. Em seguida, o Corpo de Bombeiros foi chamado para retirar a cobra; mas, ao ser puxada por um dos bombeiros, ela se desenrolou do galho, caindo no rio.
Rara beleza
Por conta de ‘causos’ como da sucuri, fotografada por jornais locais e celulares alheios, e do grande espetáculo dos peixes, a beira do rio virou passeio obrigatório por quem passa nessas épocas do ano por Piracicaba.
A bela cidade, distante cerca de 190 quilômetros de Bauru, conta com vários pontos de avistamento do rio e de sua fauna e flora, permitindo, assim, visões privilegiadas do Piracicaba. Um deles é o Parque do Mirante, administrado pelo governo municipal.
O Mirante, como é chamado pelos moradores, conta com parque e alamedas, por onde é possível caminhar e avistar diferentes pontos do Piracicaba, como o salto artificial “Véu da Noiva”. Descendo as escadarias, chega-se bem perto do rio e sente-se até mesmo a ‘névoa’ produzida pelas águas batendo nas pedras. Uma delícia.
Do Mirante, também pode-se ver a avenida Beira Rio, a Rua do Porto e a ponte pênsil, outros pontos turísticos da cidade. Se preferir, basta ao turista atravessar a ponte Irmãos Rebouças e chegar até esses locais, onde é possível apreciar a gastronomia local (baseada nos peixes, claro) servida em vários restaurantes, bares e botecos e molhar os pés no rio.
Da ponte pênsil, o turista tem a visão rio abaixo, mais calma, e rio acima, mais turbulenta, por conta das várias corredeiras. São elas que favorecem o espetáculo dos peixes e das aves e propicia o som das águas batendo nas pedras. Por isso, bastam alguns minutos para se deixar levar pela rara beleza do Piracicaba, cujo ‘Véu da Noiva’ está repleto de ‘camadas’ formadas pela grande vazão do rio.
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Vazão
A grande quantidade de chuvas recebida pelo rio Piracicaba em sua cabeceira e ao longo do seu curso provocou enchente em vários pontos da cidade que beiram o manancial, como a turística Rua do Porto e a avenida Jaime Pereira, antigamente chamada de Estrada do Bongue.
As enchentes foram registradas nos últimos dias de dezembro e também no sábado passado, dia 9 de janeiro. Por conta disso, algumas famílias tiveram de ser retiradas do local pela Defesa Civil, que permanece em alerta.
No final de dezembro, as chuvas foram tantas que a vazão do rio, que nesta época normalmente se mantém em 510 metros cúbicos por segundo, chegou a 595 metros cúbicos por segundo no dia 31 de dezembro. O reflexo: em dez horas, o Piracicaba subiu 1 metro, de acordo com informações apuradas pelo Jornal de Piracicaba.
A perspectiva de mais chuvas pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (CPTEC/Inpe) até o final de janeiro indica que o rio Piracicaba continuará a exibir o espetáculo dos peixes pelo menos durantes as próximas semanas. |
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