Jornal da Cidade de Bauru
Bauru e grande região - Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010  
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28/01/2010
História de pescador: Mãe e filho
Destaco aqui a estrutura do nosso amigo “gordo” para que o leitor possa entender mais tarde: sua altura era de 1,75 metro, pesava na época 120 quilos e tinha certa dificuldade no andar pelo seu peso.

Fomos pescar no rancho “Palafita”, do Gilmar Rossi, em Porto Murtinho, ao lado da ponte do rio Paraguai. Após um dia de pescaria, estávamos à noite bebendo, batendo uma viola, com a companhia do caseiro. Certo momento lembrei que tinha armado um anzol à beira do rio, ao lado do rancho, com uma piranha viva como isca, quando chegara de barco à tardezinha na esperança de pegar um bitelo.

Estava chovendo, quando desci, eu e o Wagner. Notamos algo estranho, havia dois rolos enormes junto à isca viva. Ficamos assustados e com medo, pois aquilo começou a se mexer. Chamamos os amigos e em alguns segundos eles estavam ali. O caseiro, muito astuto, pediu silêncio e entrou no rio - ficamos apavorados com a coragem dele.

Ressalto aqui que era época do lançamento do filme “Anaconda” e tínhamos perguntado ao caseiro se poderia ser verdade, se uma cobra poderia ou não engolir um homem. Ele nos disse que sim e que tinha acontecido anos atrás um caso com um índio bêbado naquela região. Também contou vários outros casos com a família dele e amigos.

O clima, cenário, ocasião e a cachaça não poderiam ser melhores para acontecer o ocorrido. Nosso amigo caseiro nos alertou que eram duas cobras, “mãe e filho”, ele tentou pegar pelo rabo a maior, ligeira, grossa, pesada e lisa, que deu um bote e fugiu. Logo em seguida agarrou a menor, essa tentou agarrá-lo e ele rápido jogou pelo alto em nossa direção a danada.

Saí correndo em direção à casa. Posso assegurar que não vi nenhum degrau - e tinha, pois a casa é palafita. Quando estava correndo me lembro que o Gilmar gritava por socorro. Ele tinha tropeçado, caído na linhada que eu tinha armado, a grama molhada e de chinelo, ele se viu em desvantagem dos demais e por isso gritava por socorro.

Adquiri força e rapidez, quando eu pensei: “Só tenho que correr mais que o gordo, pois o Gilmar já se foi”. Para o leitor ter uma ideia do tombo do Gilmar, só fomos achar um dos chinelos no outro dia, atrás da casa.

Amigo leitor, não quero aqui justificar nosso ato de covardia para com o Gilmar. Após o ocorrido, pedi minhas desculpas, mas gostaria de saber qual o ser humano naquela circunstância faria diferente?

Após o ocorrido, tiramos fotos com ela, brincamos, etc. Posso assegurar que naquela noite ninguém dormiu e a nossa sorte é que a casa possui dois banheiros. Só nos sentimos seguros e confortáveis quando chegamos em casa, terra firme, pois enquanto estávamos lá foi terrível. Qualquer folha ou pássaro aterrissando era como se “ela” estivesse caindo na minha cabeça aos gritos de socorro do Gilmar.



João Américo é pescador e contador de histórias.
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