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18/03/2010 |
| Passeios resgatam as tradições dos imigrantes |
| Tour com gastronomia, artesanato e música remetem turistas aos hábitos italianos, alemães e portugueses
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| Eliane Barbosa |
Passada a Páscoa, será a hora da Serra Gaúcha resgatar o hábito de seus imigrantes alemães, italianos e portugueses e mostrar, durante a Festa da Colônia, suas características marcantes em gastronomia, hábitos e cultura.
Aos visitantes, Gramado e Canela ainda propõem, durante a Festa da Colônia (realizada este ano entre 8 de abril e 2 de maio) e a Páscoa, decorações urbanas especiais, que podem ser vistas nas avenidas principais e apreciadas nas vitrines do comércio regional.
Agora, imagine-se tomando um copo de vinho na adega do próprio produtor com vista para o parreiral. Para complementar a degustação, queijos e embutidos feitos ali mesmo. Você ouve o mugido da vaca responsável pela matéria-prima do queijo e o ronc-ronc do porquinho que um dia vai virar salame igual a que está sendo servido. Isto é possível por meio de roteiros do turismo rural.
A opção de passeios pelos vales entre montanhas vai se firmando pela sua organização e o mergulho que possibilita ao passado, já que muitas pessoas têm ligações com a terra. Mesmo os que nunca viveram na roça sonham em comprar uma chacrinha para descansar nos fins de semana.
O Tour Quatrilho, por exemplo, a bordo do “Princesinha”, um ônibus antigo de chassis “Chevrolet Apache” 1958, leva os turistas à localidade onde viveram os protagonistas da história que originou o filme “O Quatrilho”.
Parado em um imenso parreiral de kiwis e uvas com degustação de vinhos produzidos em barris com mais de 100 anos, o turista pode visitar e fotografar o moinho colonial da família Grins, na propriedade onde viveram e foram enterrados Nicodemo e Maria, protagonistas do romance. Para encerrar, parada para um farto e saboroso café alemão, com o tradicional Typischer Kafee.
No Centro de Gramado, ao lado da rodoviária de onde saem os ônibus do Turismo Rural, existe a Casa do Colono. No salão são vendidos produtos típicos, como compota de frutas, geleias, queijos e embutidos.
Nos fundos da Casa do Colono foram construídos uma série de fornos de barro para produção de pão e cuca, o pão-doce alemão. Não há quem resista levar o produto quentinho e cheiroso, nem que seja para comer no quarto do hotel.
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Minimundo, um reino em miniatura
Era uma vez um pai e um avô que resolveram presentear suas duas crianças com um pequeno mundo de fantasia. Atendendo aos apelos de Adriana e Guilherme, construíram uma casinha de bonecas e um pequeno conjunto de castelos, com trenzinhos em miniatura, no jardim do hotel da família.
Pensando em dividi-lo com os hóspedes quando as crianças crescessem, Heino, o pai, e Otto, o avô, seguiram a construção do pequeno parque, que passou a ser conhecido e considerado uma visita obrigatória de quem vai a Gramado. Em 1983, o Minimundo foi aberto ao público, já bastante ampliado e seguindo os moldes de outros parques europeus.
As crianças cresceram e passaram a ajudar na construção e na manutenção daquele sonho que foi se tornando cada vez mais real. Hoje, o Opa (Otto), já falecido, ficaria feliz em ver a continuação da obra que iniciou. Depois de 26 anos da abertura, já na terceira geração, o Minimundo segue encantando a todos.
O complexo de miniaturas mostra edifícios típicos da Alemanha, castelos medievais da Europa, igrejas do barroco mineiro, pontes, ferrovias, replicas do metrô de Hamburgo e edifícios públicos conhecidos de Porto Alegre e Blumenau.
No Minimundo tudo acontece num cenário 24 vezes menor que o real, sem perder nenhum detalhe: as calçadas, as árvores, a cena do casamento, os operários trabalhando, a vaquinha no pasto, os passageiros à espera do trem.
Para alcançar essa riqueza de detalhes, o núcleo de engenharia do Minimundo realiza pesquisas de testes de materiais periodicamente. Cada uma das réplicas é construída a partir de plantas originais cedidas para o parque, que são seguidas rigorosamente. Características como cores, textura, encaixes, telhas e detalhes construtivos, como aberturas, são reproduzidas com o máximo de fidelidade ao original.
É impressionante a fidelidade da réplica do Castelo de Neuschwanstein, erguido pelo rei da Baviera Ludwig II e projetado em conjunto com o compositor Wagner. O castelo foi erguido nos Alpes, na fronteira entre a Alemanha e a Áustria de 1869 na 1886. Foi aquele que inspirou Walt Disney a construir o Castelo da Branca de Neve, presente em todos os parques da Disneylândia.
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Vale do Quilombo
O profundo Vale do Quilombo, que se avista desde o portal de entrada de Gramado, é riquíssimo em propriedades agrícolas abertas desde o início do século passado por descendentes de alemães e italianos. E são os velhos ônibus, muito bem conservados, que levam o turista a conhecer a vida rural.
O lavrador e a esposa recebem os visitantes para uma degustação de geleias e sucos orgânicos. As crianças dão milho na mão para os carneirinhos, conhecem a tulha, onde estão, como num museu, todas as tralhas, arreios e carroças usadas pelos ancestrais dos agricultores há pelo menos um século. Depois a caravana segue para o alambique do vizinho, onde se conhece a produção da cachaça pura e artesanal. É bom não abusar na degustação.
Também tem aquele vinho da casa guardado na adega em barricas de carvalho. O vinhateiro oferece aos visitantes uma mistura geladinha de vinho com pinga que dá uma moleza nas pernas, mas é gostosa.
A próxima parada é no Ecoparque Sperry. Há uma trilha na mata nativa preservada que passa por cachoeiras, cânions e riachos. A sinalização segura e a presença de guias que dão aulas de botânica pelo caminho fazem o passeio mais encantador. A infraestrutura é muito boa, inclusive com um bom restaurante no meio da mata. A trilha não exige muito esforço físico e pode ser praticada por crianças, adultos e idosos.
Depois de passar pelo sítio do ex-goleiro Taffarel, da seleção tri- campeã, é hora de conhecer o salão de Kerb (baile alemão). Lá é degustado o café da tarde acompanhado por bolos e doces coloniais, e música ao vivo.
Outro tipo de passeio é pelas localidades onde se originou a cidade de Gramado. Visita ao moinho Cavichion (moagem de farinha de milho), a uma ervateira (produção de erva-mate usada no chimarrão), parada em um museu rural, em uma farmácia natural e a propriedade de lavradores italianos onde se degusta grapa (aguardente feita de bagaço de uva), licores, produtos coloniais e pão quente, retirado na hora do forno de barro.
O Ruraltour tem a duração de três a quatro horas. A dica é usar calçado confortável. |
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