Jornal da Cidade de Bauru
Bauru e grande região - Sexta-Feira, 03 de Setembro de 2010  
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10/02/2010
Países estudam mais sanções contra o Irã
Segundo o presidente Barack Obama, punições estão a caminho, após apoio russo; a China vem mantendo apoio a Teerã
Folhapress
Washington - A perspectiva de novas sanções contra o Irã, que ontem começou a enriquecer urânio no nível máximo tolerado pela ONU, ganhou força após a Rússia ter usado o tom mais duro até agora para condenar o aliado persa. Segundo o presidente dos EUA, Barack Obama, punições significativas “estão a caminho rapidamente’’.

Entre os membros permanentes no Conselho de Segurança da ONU, só a China vem mantendo apoio ao Irã, deixando no ar a ideia de que usará seu poder de veto para rejeitar a resolução que está sendo costurada por EUA e França.

Ontem, Pequim pediu “mais conversas’’ com Teerã. Em caso de veto da China, restaria às potências aplicar sanções unilaterais, a exemplo das punições impostas pelos EUA ao Irã.

O recuo de Moscou no apoio ao Irã, de quem é o maior fornecedor de armas, foi externado por Nikolai Patrushev, czar dos assuntos de segurança no governo russo. “O Irã alega que não está tentando adquirir armas nucleares. Mas ações como começar a enriquecer urânio a 20%, geram dúvidas em outros países, e essas dúvidas são válidas”, disse Patrushev. “A paciência tem limites’’, afirmou.

Obama elogiou a Rússia e afirmou que serão concluídas nas próximas semanas conversas sobre “sanções significativas” ao Irã, que já enfrentou três levas de punições da ONU.

Entre as novas medidas cogitadas, estão uma maior restrição a operações financeiras e viagens internacionais dos quadros do regime e barreiras à importação de combustível -embora seja o quarto maior produtor mundial de petróleo, o país importa gasolina, devido à falta de infraestrutura para o refino.

Em mais um sinal de isolamento do Irã, a Itália, hoje o maior parceiro comercial dos iranianos na Europa, acusou o governo iraniano de orquestrar protestos ocorridos ontem contra a Embaixada italiana em Teerã. Manifestantes pró-regime lançaram pedras e ovos contra o prédio em represália ao premiê Silvio Berlusconi, que prometeu, em viagem a Israel, restringir investimentos italianos no Irã.

O governo iraniano disse ontem que novas sanções não terão nenhum efeito sobre seu programa nuclear mas reiterou que só enriquece urânio para fins civis, não para ter a bomba.

Teerã divulgou ontem imagens da central de Natanz, onde o enriquecimento de urânio começou a subir dos atuais 3,5% para 20% com o objetivo declarado de usar o material para abastecer um reator usado para fins médicos - a bomba requer 90%. A agência nuclear da ONU confirmou ter inspetores no local acompanhando o processo.

Segundo Teerã, a decisão de enriquecer urânio por conta própria foi tomada depois que o Ocidente menosprezou a disposição do Irã em aceitar um plano da agência nuclear da ONU para que os estoques iranianos fossem tratados em outro país e devolvidos sob forma de material enriquecido o suficiente para usos medicinais.


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Chanceler brasileiro critica pressão


Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu ontem uma saída negociada para o impasse envolvendo o programa nuclear iraniano e criticou a pressão de potências mundiais por novas sanções contra Teerã.

“Ainda há possibilidade de diálogo”, disse o ministro a jornalistas em Brasília, acrescentando que, até a manhã de ontem não tinha informações de que novas sanções estivessem sendo discutidas no Conselho de Segurança da ONU.

“Não queremos que o Irã tenha armas nucleares, não tenha dúvida disso. Eles têm o direito de um programa pacífico como os outros países”, defendeu.

“O que queremos é que cheguemos a essa certeza (de que o Irã não terá armas nucleares) por meios pacíficos e de diálogo”, acrescentou.

“Acho que o diretor (da AIEA, Yukio Amano) deveria ir (ao Irã) e analisar como se pode fazer, descobrir onde estão as dificuldades”, disse ele. “De nada serve fazer uma proposta e ficar parado esperando a outra parte fazer exatamente o que você sugeriu. Temos de ir mais longe e analisar a situação.”
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