Jornal da Cidade de Bauru
Bauru e grande região - Sexta-Feira, 03 de Setembro de 2010  
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29/01/2010
Maioria das casas de idosos tem problemas
A Vigilância Sanitária vistoriou todos os abrigos nos últimos três anos; um foi interditado e outros precisam se adequar
Tisa Moraes
A cada ano, dezenas de idosos são encaminhados por suas famílias para casas de repouso de Bauru. Ao todo, são 350 abrigados em 15 instituições desta natureza. Mas, o que nem todos os contratantes deste tipo de serviço sabem, é que são poucas as entidades em que realmente é possível confiar.

Em um trabalho permanente realizado nos últimos três anos, a Divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde chegou a um diagnóstico alarmante. Das 15 instituições de longa permanência de idosos existentes na cidade, apenas uma, a Vila Vicentina, foi considerada “totalmente adequada” aos critérios estabelecidos pelo órgão.

Uma delas, que não teve o nome divulgado, foi interditada em meados do ano passado e outras três foram consideradas “totalmente inadequadas”. Quatro foram consideradas “parcialmente inadequadas com risco baixo”, por apresentarem irregularidades na documentação e pequenos problemas estruturais, e as seis restantes estavam “parcialmente inadequadas com risco alto”.

“Nesta última classificação, por exemplo, estão casas que abrigavam idosos acamados, mas não tinham médico contratado para cuidar deles periodicamente”, revela Flávio Tadeu Salvador, diretor da Divisão de Vigilância Sanitária.

Embora o estudo se refira às vistorias realizadas pela Vigilância desde 2007, a classificação foi definida pela equipe de fiscais ainda este ano, de acordo com a situação atual das entidades e com as reincidências relativas a irregularidades. Segundo Salvador, os critérios considerados foram estrutura física, equipe técnica, documentação e procedimentos operacionais.

Embora destaque que todas as casas tiveram melhora nas condições gerais de atendimento e acomodação do idoso, ele reconhece que o resultado do estudo é assustador. “É mais complicado ainda se levarmos em consideração que 13 dessas 15 instituições cobram para cuidar desses idosos. Neste caso, estabelece-se uma relação comercial e as famílias não estão atentas às deficiências que existem nesses locais”, frisa.

Na instituição interditada no ano passado, o diretor relata que os 13 abrigados precisavam se desdobrar para conseguir descansar, já que havia apenas 12 camas disponíveis. “Em várias visitas que realizamos, era comum encontrarmos muitos deles em estado precário de higiene, com cheiro forte de urina”, aponta.

Descaso


Ele conta que, primeiramente, o espaço foi interditado parcialmente por 30 dias. Nesse período, a Vigilância entrou em contato com as famílias para relatar as condições degradantes a que o parente idoso estava submetido e também orientar sobre a necessidade de busca por uma nova acomodação.

“O que mais nos surpreendeu foi a reação de alguns familiares. Muitos disseram que devíamos mandar o parente morar na Vigilância, ou deixar na rua. Um descaso total”, lamenta.



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Parceria


O trabalho da Vigilância Sanitária é realizado em parceria com o Ministério Público de Defesa da Pessoa Idosa e com o Conselho Municipal da Pessoa Idosa (Comupi). Para conhecer os requisitos básicos exigidos para o funcionamento de uma instituição de longa permanência, a Secretaria Municipal de Saúde disponibilizou no site da prefeitura uma relação de itens que deverá orientar os interessados em contratar esse tipo de serviço.

O endereço do site é www.bauru.sp.gov.br e, para acessar a lista, basta cliclar no item “Condições de funcionamento das instituições de longa permanência para idosos”. As denúncias referentes a irregularidades em instituições dessa natureza poderão ser feitas através do telefone (14) 3235-1458.



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Outras três podem fechar


Já em relação às casas consideradas totalmente inadequadas, Flávio Tadeu Salvador frisa que todas as negociações foram esgotadas com os proprietários nos últimos três anos. Por esse motivo, a tendência é que essas instituições entrem, a partir de agora, em processo de interdição, caso não se adequem à legislação.

“Encontramos nessas entidades o descumprimento de todos os critérios estabelecidos pela Vigilância. Desde a falta de identificação na área externa do prédio, problemas quanto à alimentação inapropriada e oferecida em horários irregulares, até a má acomodação das camas e deficiências na cozinha”, enumera.

Outras irregularidades recorrentes, afirma Salvador, são funcionários que acumulam múltiplas funções - como cozinheiro, faxineiro e cuidador - e banheiros com ausência de barras de apoio e piso antiderrapante. “Isso não pode acontecer. A gente sabe que esse investimento demanda dinheiro, mas quem quiser atuar no ramo, terá de ser de maneira profissional. Não vamos permitir aventureiros ou amadores nesse ramo”, enfatiza.
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