Jornal da Cidade de Bauru
Bauru e grande região - Sexta-Feira, 03 de Setembro de 2010  
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07/03/2010
Entrevista da Semana: José Martins
Desde a infância humilde, passando por tempos difíceis e de aprendizado na Capital, o hoje bem-sucedido empresário receita transpiração como melhor forma de vencer na vida
Luiz Beltramin
‘Venci a custa de muito trabalho’


Apesar de não ser um bauruense “da gema”, o empresário José Martins carrega algo que, desde o primeiro dia de vida, remete à cidade onde constituiu a família e consolidou a vitoriosa trajetória profissional. “Nasci em Olímpia (região de São José do Rio Preto), também no Interior de São Paulo. Mas o curioso é que meu aniversário é justamente no dia 1 de agosto”, revela, ao relacionar o dia de seu nascimento à data em que se comemora o aniversário de Bauru.

Pai de dois filhos e avô, “coruja”, como ele próprio se denomina, de dois netos, uma neta – além de outro menino a caminho -, José Martins, apesar do currículo recheado de vitórias no meio corporativo, gosta mesmo é de falar de sua família e passatempos prediletos, entre eles apreciar um bom vinho. “Faço parte de uma confraria. Na verdade, estou aprendendo a beber vinho”, admite.

Ele está prestes a ingressar em uma nova fase expansionista do grupo Multicobra, do qual é presidente e fundador, com a implantação de uma nova unidade do empreendimento recuperador de crédito na antiga sede do Bauru Tênis Clube (BTC) no Centro da cidade, Martins acena para a abertura de, aproximadamente, dois mil novos postos de trabalho em Bauru.

Além dos empregos para a cidade, o advogado se orgulha da manutenção dos traços arquitetônicos originais do prédio do BTC, que, em sua concepção, é ideal para abrigar as atividades da corporação. O BTC vendeu a sede Centro e a partir de agora, suas atividades esportivas e sociais estão reunidas na sede campestre.

“Em primeiro lugar, a arquitetura é muito bonita. Em segundo, o prédio não é nosso e não há necessidade de grandes mudanças. Hoje se usa muito espaço aberto, não mais aquela coisa antiga de salas separadas. É mais arejado”, conceitua Martins, que, no dia-a-dia, conta com o trabalho e a companhia do filho Gustavo, de 29 anos, também advogado. Nas palavras do pai, Gustavo é seu legítimo sucessor. “Também preciso dar um tempo, uma respirada”, diz.

Os passos do empresário, fundador do grupo Gieoc, que congrega as maiores empresas recuperadoras de crédito do País, e diretor financeiro da Associação Comercial de Bauru, desde os tempos de balconista até a atual fase da Multicobra você confere na entrevista abaixo:


Jornal da Cidade – Sua trajetória no ramo de recuperação de crédito começou quando, exatamente?

Martins
– Nasci em Olímpia e fui para São paulo trabalhar e estudar, numa época em que a migração era contrária à que ocorre hoje. Saíamos do Interior e íamos para a Capital. Atualmente vemos um fluxo inverso. Trabalhei em dois grandes grupos empresariais brasileiros, o grupo Abril e Sílvio Santos, sempre na área de recuperação de crédito, nos anos 70.


JC – Esses foram os primeiros empregos?

Martins
– Antes de chegar nesses grupos trabalhei em Olímpia, numa cooperativa de crédito. Sou de família bastante humilde, cresci a custa do suor. Fui para São Paulo trabalhar e estudar, não tinha condição somente de estudar. Estudei na São Judas (Universidade São Judas Tadeu) mas não terminei o curso de comércio exterior e depois fiz ITE (Instituição Toledo de Ensino), direito, já em Bauru.


JC – A formação em direito veio já com a empresa consolidada...

Martins
– Sim, já com a empresa. Tínhamos um advogado contratado no departamento jurídico. Hoje temos vários. Eu também sou, ele (aponta para o filho Gustavo) também é advogado da empresa e hoje trabalhamos nas duas áreas, amigável e judicial.


JC – Como foi sair de Olímpia e ir para São Paulo?

Martins
- É muito difícil você sair de uma pequena cidade, deixar familiares, amigos, tudo e ir para aquele monstro que era São Paulo, aonde você chora e a mãe não vê. A grande verdade era essa, mas tinha que enfrentar o desafio, tinha que enfrentar para buscar um espaço na vida, crescer, estudar. Eu tinha 23 anos.


JC – Deixou namorada em Olímpia também, onde se casou?

Martins
– Não tinha namorada lá. Me casei em São José do Rio Preto, onde conheci minha esposa. Nesse grande grupo que eu trabalhava, de São Paulo, fiquei uma temporada pequena lá em Rio Preto e conheci minha esposa. Parei o fusquinha na frente, dei uma olhada para ela e aí, hoje, temos os frutos, dois filhos, Gustavo, mais novo, 29 anos e Milena, 30 anos. Tenho dois netos e uma neta, além de um que está a caminho, e é neto.


JC – É um avô coruja?

Martins
– Sou, pelo seguinte: não tive muito como curtir a infância dos meus filhos, estava trabalhando muito. A maioria das pessoas de minha geração é assim: trabalhava com o objetivo de chegar lá. Não curti tanto meus filhos e, se eles deixarem, vou curtir os netos bastante. Embora tenhamos criado bem os filhos, minha esposa (Marly Cleuza Rodrigues Martins) e eu ralávamos muito. Ela trabalhou no Banco do Brasil e hoje trabalha comigo.


JC – Em casa, o que é mais agradável?

Martins
– Prezo estar com a família, a leitura. Jornais, por exemplo, leio a Folha, o Jornal da Cidade, o Estadão e também gosto de revistas de advogado. Gosto também de me reunir com os amigos, tomar um aperitivo, bater papo, de preferência que não seja do mesmo ramo. É bacana uma turma com atividades diferentes. Mas sou bastante caseiro e gosto de curtir a família.


JC – E quanto aos esportes, tem algum preferido?

Martins
– Eu gosto de vôlei, não sou muito ligado a futebol. Gosto também de basquete, mas costumo ver tudo. Não sou muito ligado em futebol. Já fui muito fanático, aí você vai vendo algumas coisas e perde a vontade.


JC – Antes de perder o ânimo com futebol, tinha algum time?

Martins
– Antes eu torcia para o Olímpia Futebol Clube....(risos)


JC – Olímpia, sei...

Martins
– (rindo) (...) se eu falar algum outro, o pessoal vai pegar no meu pé. Também torço para a Seleção Brasileira.


JC – E por que escolheu Bauru?

Martins
- Não tem alguém que goste mais de Bauru do que eu. Araçatuba, onde nasceu a empresa, para nós, estava limitada. Bauru, em 1980, estava na evidência e montamos uma filial, que virou a matriz e hoje temos 14 filiais esparramadas pelo Brasil inteiro.


JC – Como avalia Bauru atualmente?

Martins
– Infelizmente tivemos três ou quatro governos que ninguém merecia. Começo a me preocupar com o governo atual. Você lê que tem R$ 26 milhões parados e a cidade do jeito que está. Mas estou torcendo muito. Bauru perdeu muita coisa, perdeu para outras cidades, exatamente por falta de uma administração mais arrojada, que procurasse mais, fosse atrás.


JC – E como surgiu a Multicobra?

Martins
– Na realidade, ela nasceu em Araçatuba, mas apenas nasceu lá. Surgiu uma oportunidade para Bauru, montamos a sede aqui e hoje a família toda está aqui, com a matriz na cidade. Não nasci em Bauru, mas por uma coincidência faço aniversário no dia 1 de agosto. Era algum sinal. No dia 20 de abril a Multicobra completará 30 anos. Passamos por governos militares, planos econômicos variados, sempre gerando empregos.


JC – São quantos funcionários atualmente?

Martins
- A Multicobra tem hoje 2,3 mil funcionários. A maioria na cobrança e recuperação de crédito. Mas tem a parte administrativa, o jurídico, relações humanos, treinamentos, monitoria, outras áreas. Em um outro prédio na Cussy Júnior, fica o jurídico, e temos 14 filiais de Palmas a Curitiba, Cuiabá, Campo Grande, São Paulo, Bauru, Rio Preto. Do Oiapo que ao Chuí, atendemos ao Brasil inteiro.


JC – Quais são os principais clientes?

Martins
- Na realidade, os seis maiores bancos do País são nossos clientes.


JC – Imaginava chegar tão alto?

Martins
- Não, mas sonhava em crescer, ser alguém e trabalhava sempre para isso. No grupo Silvio Santos eu entrei atendendo no balcão. Comigo é o seguinte: chego às 8h no escritório, sempre trabalhei assim. Vim de família bastante humilde, trabalhava bastante e faço isso até hoje. Não sabia onde chegaria, mas acreditava no meu trabalho, para que alguma coisa boa viesse a acontecer.


JC – O senhor foi funcionário do Silvio Santos, tido como exemplo de chefe. Ele é realmente tudo isso?

Martins
– Eu estive na realidade apenas duas vezes com ele, em reuniões. Não tinha contato direto. Mas ele te uma liderança, sabe cativar. O programa dele está no ar até hoje e não é somente porque é o dono da televisão. Ele olha no cifrão. Quando ver que estiver zero de Ibope, certamente, vai passar para outro. É um líder, um cara que saiu bem lá de baixo, era camelô.


JC – E as novas instalações no prédio do BTC?

Martins
– Lá vamos tentar gerar bastante emprego, sem descaracterizar a arquitetura lá existente, tudo depende de duas construtoras, dois projetos de pessoal especializado e vamos indicar o caminho a seguir. Mas vamos manter esse prédio (da rua 13 de Maio) e o da Cussy Júnior. Tem que ser rápido quando mexe com reforma, tem que ser para o primeiro semestre. Buscamos orçamento, projetos, com empresas de São Paulo. Após a contratação do projeto, a construção será tocada por bauruenses.


JC – E quais os principais atributos que se deve ter para chefiar uma cadeia produtiva com 2,3 mil funcionários?

Martins
– Trabalho, exemplo e honestidade.


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Perfil

Hobbie – Turismo

Idade – 60 anos

Signo – Leão

Música – Brasileira

Filme – Ghost, do Outro lado da Vida

Time – Não sou ligado a futebol

Nota zero – Os Bushs e seus soldados

Nota 10 – Para minha esposa Marly, mãe dos meus filhos

Livro – de direito e de vinhos, atualmente lê “Desmistificando o Vinho”, de Felipe Valdir
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