15/06/2003  
Receita dá orientação fiscal à população
Celso Pegoraro dá palestras sobre impostos em igrejas, grupos de terceira idade e associações de moradores
Ensinar a população que é importante pagar impostos e desenvolver nela o sentimento de cidadania é um dos objetivos do delegado da Receita Federal de Bauru, Celso Gomes Pegoraro. Desde o início do ano, ele está realizando palestras em instituições da cidade para divulgar o Plano Nacional de Educação Fiscal.

“A sociedade está muito omissa. É preciso mais participação social no sentido de que o imposto seja encarado como o único recurso para que a sociedade tenha um benefício do governo. Enquanto uma pessoa achar que será melhor pagar menos impostos, pior para a coletividade. Sonegar é crime. Combater a sonegação é um exemplo de cidadania”, defende o delegado.

Ele acredita que esta é a única maneira de garantir melhorias sociais. “A sociedade deveria dar guarida para o Estado evitar com mais eficiência a sonegação, o que criaria mais dinheiro em caixa para atender as demandas que ela tem. Minha intenção é que as pessoas se sensibilizem e mudem a postura”, declara.

Pegoraro já participou de encontros com representantes da igreja, grupos da terceira idade e associações de moradores, entre outros. “O programa é muito amplo, pois abrange todas as regiões da Receita e é para toda a comunidade. Estamos atuando com a sociedade civil, os funcionários públicos e universitários, que são, na teoria, os nossos contribuintes”, revela.

Ele diz que se interessou também em compartilhar as informações com os professores que participam do Projeto JC na Escola, programa educativo do JC que tem como finalidade levar para a sala de aula a informação como subsídio pedagógico. “Entendo que essas noções possam ser distribuídas para eles, que se transformariam em disseminadores das informações”, opina.

Por enquanto, as palestras, que passam orientações gerais sobre os impostos, são ministradas apenas pelo delegado, mas ele está treinando alguns funcionários da Receita para que possam auxiliá-lo no trabalho.

Antecedentes

Esta não é a primeira vez que Pegoraro se engaja em um trabalho de educação fiscal. Em 98, quando assumiu o cargo de delegado, ele criou o Projeto Conscientização, que era feito nas escolas. “Tínhamos que preparar o público do futuro, ou seja, as crianças, para que elas se conscientizem de que o imposto não é uma penalização”, diz.

Os alunos assistiam a uma peça de teatro, que tinha como personagens pessoas honestas e outras que eram sonegadoras. “Depois, eles respondiam a um questionário. O interessante é que quase 90% deles se identificavam com as pessoas de bem, mas achavam que os brasileiros eram os personagens que representavam os maus elementos”, relembra.

A idéia do projeto, que durou quase dois anos, surgiu em função de uma pesquisa. “Eu encomendei um levantamento para a Universidade Estadual Paulista (Unesp) com o objetivo de saber por que as informações da Receita não chegavam ao público. Ficamos bastante surpresos, pois a conclusão foi de que o motivo variava desde a falta de informações até a arrogância dos nossos funcionários”, afirma Pegoraro.
Ronaldo Schiavone
 


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