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29/07/07 00:00 - Geral

Método permite conservar arroz e feijão por dez anos

Rodrigo Ferrari
Imagine comer um espaguete à bolonhesa feito com um macarrão fabricado há mais de cinco anos; ou então uma canja preparada com grãos de arroz que se encontram armazenados há aproximadamente um década. Para a maioria dos brasileiros, situações como as descritas anteriormente são, no mínimo, impensáveis. Hoje as facilidades para se comprar alimentos são tantas que ninguém mais se preocupa em manter grandes estoques de comida em casa - a não ser que a pessoa faça isso economizar dinheiro ou por mero capricho.

Embora o armazenamento de grandes reservas de comida seja uma coisa meio fora de moda, um grupo, por assim dizer, “seleto” de pessoas ainda persiste em manter tais estoques em casa. Sempre que vão ao supermercado, religiosamente, fazem questão de comprar um pacote de feijão que seja a mais, e o mantêm guardado para que possa ser consumido em épocas futuras.

Essas pessoas são os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos do Últimos Dias (SUD), mais conhecidos como mórmons, e elas não agem assim por acaso: para essa gente, ter um grande estoque de comida em casa é a garantia de que a família não ficará sujeita a privações nos dias de “Grande Calamidade”.

De acordo com as profecias transmitidas pelo anjo Moroni a Adam Smith, ainda no século 19, os dias que precederiam a volta do Salvador (Jesus Cristo) seriam marcados por grandes dificuldades, em especial a escassez de alimentos. Para evitar que os “justos” viessem a sucumbir perante tamanhas privações, as lideranças da SUD passaram a recomendar que os fiéis mantivessem grandes estoques de comida não perecível (cereais, grãos, farinhas) em casa.

“Na verdade, esse é um mandamento que consta nas Sagradas Escrituras”, explica o empresário bauruense João Xavier, membro do sumo-conselho da estaca (órgão máximo da SUD na cidade) para assuntos públicos. “Na Bíblia, o senhor Jesus nos diz expressamente: ‘Orai e vigiai.’ Precisamos ficar atentos, pois ninguém sabe quando esse dia chegará”, reforça.

Em geral, os mórmons costumam manter reservas de alimentos suficiente para um ano. Mas segundo o bispo Aparecido José Sotero, responsável pela ala Jardim Santana da SUD, hoje são poucas as famílias que possuem estoques tão grandes em casa. “O importante não é possuir uma quantidade imensa de comida guardada, mas sim seguir o mandamento do profeta. Quando o Salvador voltar e perceber que estamos sendo obedientes aos seus ensinamentos, ele certamente virá em nosso socorro”, explica.

De que vale R$ 1 milhão?

De fato, a persistência dos mórmons em armazenar comida para longos períodos de tempo tem lá sua lógica. “Quando os dias de ‘Grande Calamidade’ chegarem, o dinheiro não terá valor algum. Mesmo que você tenha R$ 1 milhão em mãos não conseguirá comprar nem um pacote de feijões”, argumenta João Xavier.

Periodicamente, as mulheres da SUD costumam participar de cursos para aprender a estocar os alimentos de maneira adequada. As palestras ocorrem nas próprias capelas e contam, muitas vezes, com a presença de especialistas em nutrição e saúde.

Os métodos de armazenamento são bastante simples e podem ser colocados em prática por qualquer pessoa. Em alguns casos, é possível conservar arroz “in natura” por até uma década usando uma lata de metal e um punhado de gelo seco. Membros da Igreja garantem que, apesar de “velhos”, os cereais mantidos nessas condições possuem as mesmas qualidades nutricionais dos alimentos frescos.

“Além disso, são mais gostosos. Parece que o tempo ajuda tornar o sabor deles mais apurado”, afirma a dona de casa Cleide Pereira Gonçalves, 64 anos. Ela freqüenta a SUD há mais de cinco décadas e, atualmente, é presidente da Sociedade Socorro da Estaca em Bauru. Os interessados em saber mais sobre os métodos de armazenamento de comida utilizados pelos mórmons podem obter mais informações na capela do Jardim Santana, situada na rua Aparecida, 8-35.


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Pequenas calamidades

Além de servir de socorro para os dias de “Grande Calamidade”, os estoques de alimentos que os mórmons mantêm em suas residências também podem se converter numa ajuda providencial para os momentos de “pequenas tribulações”.

Há cerca de 20 anos, por exemplo, a família da dona de casa Cleide Pereira Gonçalves, 64 anos, passou por sérias dificuldades financeiras. “Meu marido ficou sem trabalho durante seis meses”, recorda ela que, atualmente, é presidente da Sociedade Socorro da Estaca da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (SUD) em Bauru.

Graças à reserva de mantimentos, a família pode enfrentar com serenidade o período de desemprego. “Sabíamos que não iria faltar comida em nossa mesa”, afirma Cleide, que chegou a preparar arroz que se encontrava armazenado há pelo menos sete anos.

Nas épocas de inflação galopante (como ocorreu nos anos 80 e em parte da década de 90), os estoques de alimentos também garantiram uma relativa tranqüilidade aos fiéis da SUD. “Como tínhamos muita comida guardada em casa, estávamos menos sujeitos aos reajustes de preço”, relembra.


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Segredo é retirar o ar dos vasilhames

Basicamente, os métodos de armazenamento utilizados pelos mórmons consistem em retirar o ar do vasilhame onde os alimentos permanecerão guardados. Entre os sistemas de estocagem mais comuns estão:


Gelo seco

• Forre o fundo de uma lata de metal com uma camada de gelo seco de aproximadamente 2 centímetros de espessura.

• Depois, encha a vasilha com grãos até a boca e cubra-a com a tampa, tomando o cuidado de deixar um pequena fresta para que a fumaça (o gás carbônico) possa escapar.

• Quando a fumaça parar de sair, a lata deve ser lacrada imediatamente com fita adesiva ou parafina.

Quando usar : Para grandes quantidades de alimentos.

Quanto tempo dura: Cereais (arroz, por exemplo) e grãos (feijão, lentinha) mantidos nessas condições duram cinco anos, no mínimo.

Cuidado: Gelo seco pode provocar queimaduras na pele. Para manuseá-lo é preciso antes se proteger com luvas


Algodão

• Encha uma vasilha de metal com cereais até a boca.

• Utilizando papel alumínio, faça uma forma de aproximadamente 6 centímetros de diâmetro. A fôrma deve ser côncava.

• Coloque um pequeno chumaço de algodão embebido em álcool na fôrma e coloque fogo.

• Introduza a fôrma na lata, tomando o cuidado de o algodão não entre em contato com os alimentos.

• Tape a lata imediatamente e vede-a usando fita adesiva ou parafina.

Quando usar: Para grandes quantidades de alimento.

Quanto tempo dura: Farinha de trigo, leite em pó, cereais e grãos costumam durar, no, mínimo, 5 anos.

Cuidado: Utilize a menor quantidade possível de álcool para molhar o algodão, evitando assim riscos de acidentes.




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