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25/01/09 02:00 - Geral

Bauru: 1 carro para cada duas pessoas

Dados do Denatran mostram que a cidade ‘ganhou’ mais de 13 mil novos veículos em 2008, o que complica o trânsito

Adilson Camargo
Bauru terminou 2008 com uma frota de 174.728 veículos. Considerando que a cidade tem cerca de 347 mil moradores, isso significa que, proporcionalmente, existe um carro para cada dois habitantes. Não fosse a retração nas vendas nos meses de novembro e dezembro do ano passado, por conta do medo gerado pela propalada crise mundial, as ruas da cidade estariam ainda mais congestionadas.

Em um ano, Bauru “ganhou” 13.453 veículos, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), aumento de 8,34% em comparação a dezembro de 2007. Se por um lado esse crescimento é motivo de comemoração por demonstrar aumento no poder de compra da população, por outro traz uma série de preocupações. Afinal, como acomodar esses milhares de carros e motos a mais em uma malha viária estagnada?

Segundo lembrou o Jornal da Cidade em matérias recentes, as últimas grandes obras no setor viário foram feitas na administração do ex-prefeito Nilson Costa, há mais de seis anos. De lá para cá, o trânsito de Bauru cresceu expressivos 42% e nada foi feito para dar maior fluidez aos veículos. Nenhum novo viaduto foi construído, ao contrário, um dos mais importantes (o Mauá, que liga o Centro à região oeste) está parcialmente interditado há quatro meses. Nenhuma nova rota foi aberta para dar alternativas aos motoristas.

As últimas mudanças foram a duplicação de um trecho da avenida Nuno de Assis, próximo ao trevo de acesso à rodovia Marechal Rondon; o prolongamento da avenida Getúlio Vargas; e a construção do acesso da avenida Moussa Tobias à avenida Nuno de Assis. Para o engenheiro de trânsito Archimedes Raia Júnior, é muito pouco para uma cidade que não pára de crescer, pelo menos no quesito trânsito.

Há duas semanas, a nova direção da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) divulgou as propostas que o órgão tem para minimizar as deficiências do setor. Na verdade, são medidas paliativas que pouco irão ajudar. Entre essas medidas estão o aumento do diâmetro da rotatória da Praça Primaz Chujiro Otake, que liga o viaduto Antônio Eufrásio de Toledo à avenida Castelo Branco; tornar o trecho da avenida Nuno de Assis no trevo André de Blois Montoro, que serve de acesso à região do Mary Dota, uma via de mão única de direção; e impedir estacionamento nas avenidas mais movimentadas.

Conforme o Jornal da Cidade já publicou em matérias anteriores, os problemas no trânsito em Bauru estão muito além disso. Vão desde a falta de viadutos para fazer a ligação com os bairros até a precariedade do asfalto. Existem poucas alternativas para o deslocamento entre os bairros, o que afunila o trânsito em algumas poucas avenidas, provocando congestionamentos em determinados horários.

Além da malha viária da cidade não estar preparada para receber uma quantidade tão grande de veículos, o aumento na frota preocupa também no aspecto ambiental. Segundo lembra a secretária-executiva do Instituto Ambiental Vidágua, Ivy Wiens, durante seu uso, o veículo gera impactos, como a emissão de gases na atmosfera, especialmente gás carbônico. Mesmo a manutenção do veículo traz prejuízos ambientais quando, por exemplo, usa-se produtos químicos nos processos de lavagem e quando o óleo de motor é lançado nas redes de esgoto.

Na região, outras duas cidades têm quase a mesma proporção de veículos/habitantes que Bauru. Tanto em Jaú quanto em Botucatu, o número de veículos é a metade do número de moradores. A diferença é que nessas duas cidades o aumento da frota foi acompanhada por medidas que ajudaram a organizar o trânsito. Tanto que em setembro do ano passado, Jaú recebeu o Prêmio Volvo de Segurança Viária pelos investimentos nas áreas de engenharia, educação e esforço legal, que, entre outros resultados, ajudou a reduzir acidentes. O prêmio, de abrangência nacional, contemplou outras três cidades: São José dos Campos, Cachoeirinha (RS) e Natal (RN).

Para o engenheiro Archimedes Raia Júnior, se a frota cresce e o sistema viário continua o mesmo, é inevitável o surgimento de problemas novos e o agravamento dos já existentes. “Inicialmente, pode dar a impressão falsa de crescimento, mas na verdade estamos perdendo qualidade de vida”, pondera. Segundo ele, se Bauru fez a opção pelo transporte individual, uma vez que não investe na melhoria do transporte coletivo, então é preciso dar condições mínimas de tráfego para os automóveis.




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