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21/11/09 03:00 - Geral

Colecionador fabrica réplicas de Romiseta

Idéia de reproduzir o carro surgiu após compra do exemplar ganho por Pelé pela conquista da Copa do Mundo de 1958

Tisa Moraes
Ela é tão pequena e graciosa que mais parece de brinquedo. Mas é um carro que, pelos percalços surgidos ao longo do caminho, só foi fabricado no País pelo curto período de quatro anos. Peça rara nas mãos de aficcionados, a Romiseta encontrou no oftalmologista e colecionador de carros antigos José Carlos Tosi uma oportunidade para se eternizar.

O veículo, que ganhou a simpatia de milhares de brasileiros na década de 1950, voltou a ser produzido, embora em réplicas, na oficina que o médico construiu nos fundos de casa, em Piratininga, em uma bela região onde também funciona o spa de sua esposa.

Os exemplares, manufaturados, são elaborados sob encomenda e podem custar o mesmo preço de dois carros populares zero quilômetro completos, conforme revela Tosi, que prefere não citar valores. “Não são Romisetas recuperadas, mas inteiramente produzidas na oficina. Cada uma delas demora dois meses para ficar pronta”, justifica.

Primeiro veículo fabricado em série no Brasil, a Romiseta permanece até hoje como um dos carros mais simpáticos que já desfilaram pelas ruas do País. Até hoje, por onde quer que passa, o veículo chama a atenção pelo porte diminuto e por suas peculiaridades, como a porta única frontal e banco que comporta apenas duas pessoas.

“Nos desfiles ou encontros de colecionadores, o público sempre fica curioso. Já aconteceu, inclusive, de um colecionador ficar chateado porque a minha Romiseta estava sendo mais assediada que o Cadillac dele”, afirma.

Na oficina, os exemplares fabricados por Tosi com a ajuda do funileiro “artista” João Suji foram batizados de Tozzeta, por se tratarem de modelos adaptados. “Como não há autorização da fábrica nem da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), esses carros não podem circular nas ruas. Mas, mesmo assim, a procura tem sido grande, porque eles ainda são o sonho de qualquer colecionador”, comemora o médico.

Ao todo, na oficina, além da Romiseta do próprio colecionador, já foram fabricados e vendidos mais três carros e outros três estão em processo avançado de produção. Os principais consumidores deste produto exclusivo, segundo Tosi, são empresários, executivos e profissionais liberais com carreira e condição financeira estabelecida que buscam nos carros antigos, mais do que um objeto de ostentação, uma forma de diversão.

Pela ausência de peças originais disponíveis para compra, ele conta que o processo de criação para chegar ao modelo adaptado durou cerca de três anos. E todos os detalhes do carro possuem sua história. “A maçaneta da porta, por exemplo, foi feita a partir de um cabo de alicate. E ficou igualzinha. Mas até descobrir que o cabo de alicate daria certo...”, diverte-se o colecionador.

No entanto, parte das peças são manufaturadas através de serviços terceirizados, como a caixa de câmbio e o pára-brisas de plástico moldados sob encomenda como os originais da Romiseta. “Mas a lataria, pára-choques, chassi, tudo é feito na oficina. E a pintura - que pode ser branca e vermelha, branca e amarela ou branca e azul, de acordo com o modelo original - também”, frisa.

O motor, abastecido com gasolina, é o mesmo utilizado em motocicletas Twister 250 cilindradas, por serem mais leves que os motores automotivos e possuírem seis marchas. E, exatamente por ter motor de moto, a Tozzeta se torna bastante econômica: percorre 20 quilômetros com apenas um litro de combustível.

A marcha a ré é acionada eletricamente e os pneus, aro 10, são importados diretamente dos Estados Unidos. A velocidade máxima não ultrapassa os 80 quilômetros por hora porque, afinal, conforme ensina Tosi, “carro antigo não corre, desfila”.


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História


Conforme explica Tosi, a idéia de começar a manufaturar a Romiseta surgiu há 10 anos, quando ele adquiriu, “teoricamente”, o exemplar que o jogador Pelé ganhou do então prefeito de Bauru em 1958, pela conquista da primeira Copa do Mundo, na Suécia. “Ele não gostou do carro e acabou deixando com parentes em Bauru. Depois, ele foi vendido para uma pessoa, que acabou por vender o carro para mim. Como não tenho o documento, não posso provar que era mesmo do Pelé. Mas eu comprei acreditando que sim”, explica.

O veículo, já desgastado pela ação do tempo, ficou parado por algum tempo, quando o colecionador decidiu se arriscar a elaborar uma réplica. Segundo o colecionador, a Romiseta é querida no País desde 1956, quando se tornou o primeiro veículo fabricado em solo brasileiro. O nome é uma fusão do primeiro modelo fabricado pela empresa ISO Autoveicoli-Spa na Itália, denominado Isetta, e a empresa Romi, que a produziu no Brasil.

Mas, mesmo tendo a simpatia e o apoio do então presidente Juscelino Kubitschek, sua produção foi interrompida em 1960 porque o modelo não obedecia ao padrão estabelecido pelas multinacionais, com o mínimo de dois bancos e duas portas. Não sendo considerado um veículo dentro das regras estabelecidas, o fabricante brasileiro, instalado em Santa Bárbara d’Oeste (SP), não recebia incentivos do governo e, com os seus custos elevados de produção, acabou por abandonar a fabricação da Romiseta.




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