A equoterapia é reconhecida como ferramenta terapêutica pelo Conselho Federal de Medicina desde 1997, mas a difusão da técnica só aumentou há alguns anos. “Hoje, temos quase 5 mil praticantes no Estado de São Paulo. Há cinco anos, não passavam de 1.500”, diz a psicopedagoga Liana Santos, da Ande-Brasil (Associação Nacional de Equoterapia).
O número de profissionais que procuram especialização na área (entre fisioterapeutas, psicólogos e instrutores de equitação) também cresceu. Quando começou a dar os cursos de formação da Ande, em 2000, Santos tinha 250 alunos. Nos últimos quatro anos, formou mais de 7 mil especialistas.
O objetivo, agora, é incluir a equoterapia nos cursos regulares de fisioterapia e terapia ocupacional e nos planos de saúde, segundo Santos. “Terapia com bicho está na moda, as pessoas estão procurando mais tratamentos alternativos”, acredita a terapeuta ocupacional Luciane Padovani.
A demanda também aumentou porque a técnica se mostrou eficaz para alguns distúrbios da modernidade. Em especial, o transtorno de deficit de atenção, que tem deixado pais e professores de cabelos em pé e causado polêmica em torno do uso ou não de medicamentos. Uma característica da equoterapia que colabora no tratamento desses casos é o que especialistas chamam de conjunto cavaleiro-cavalo. Quem monta tem que se concentrar, ficar focalizado no cavalo, senão ele empaca. E é mais fácil exercitar a concentração quando a resposta (o que os psicólogos chamam de “feedback”) é imediata.
“Essa resposta concreta faz toda diferença quando queremos atuar nos comportamentos”, diz Santos.
Cães, coelhos e até papagaios viram bichos-terapeutas
Nem só de cavalos é feita a terapia com animais. Outros seres de quatro patas (e até os de duas asas) são usados para ajudar o ser humano a cuidar de sua saúde e a lidar com suas limitações. O denominador comum a todas as terapias com bichos é a facilidade de estabelecer vínculos com os animais e o conforto emocional que eles trazem, segundo o fisioterapeuta Vinícius Ribeiro, diretor da ONG TAC (Terapia Assistida por Cães).
As características de cada espécie são usadas para criar diferentes estratégias de tratamento. Por exemplo, aves, como o papagaio, são boas em terapias com autistas.
“A criança faz um ruído e a ave imita. É um retorno sensorial muito grande”, diz a psicopedagoga Liana Santos.
Tartarugas entram em jogos de tabuleiro para ajudar casos de agitação excessiva e de ansiedade - e haja paciência para esperar o bicho percorrer as casas até chegar ao ponto estabelecido.
Coelhos anões são usados para desenvolver a coordenação motora: segurar aquela bolinha de pelos macia e que não para de se mexer é um ótimo exercício.
As grandes estrelas, no entanto, são os cães. Além da empatia fácil, o hábito cultural de tratar o cachorro “como gente” faz dele um mediador de conflitos.
“O animal é um catalisador de emoções, a pessoa expressa seus sentimentos por meio dele: diz que quem está triste, cansado, chateado é o cachorro”, exemplifica Ribeiro.
Os cães também podem ser adestrados para objetivos terapêuticos específicos - de fazer fisioterapia com o paciente a reconhecer quando a pessoa precisa de afeto.
Em alguns países, há cachorros sendo treinados para serem cuidadores de idosos com Alzheimer. “Eles evitam, por exemplo, que a pessoa saia sozinha e se perca”, conta Ribeiro.
A presença de um cão também provoca a liberação de hormônios ligados a sensações prazerosas.
“Estudos com autistas mostram que o convívio com o cachorro aumenta a liberação de oxitocina, hormônio ligado ao afeto e à interação social”, diz o fisioterapeuta.
Nesse clima, até uma cansativa sessão de fisioterapia parece ser feita sem esforço. “Que criatura. A gente vê nos olhos dela que está gostando”, diz Manoelina de Moraes Santa Lúcia, 81 anos, beijando sua “treinadora”, a pug Filó, 3 anos, depois de passar quase uma hora fazendo exercícios com os cães da TAC.
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