Maio de 65. Fugidos do golpe de 64 na Bahia, eu e um grupo de políticos, jornalistas e líderes sindicais nos abrigamos no apartamento do jornalista Adilson Augusto, na rua Major Sertório. Uma noite fomos comemorar o aniversário do deputado Mário Lima, no saudoso botequim Pilão. Nossas penas somadas passavam de 100 anos. Ao violão, em vez da crooner de sempre, a loura e meiga Marilu, um senhor de terno e gravata, voz poderosa. Aplaudimos. Veio para nossa mesa, pediu um litro de uísque, tira-gostos, tocou e cantou tangos e boleros a noite inteira. Pagou toda conta. No dia seguinte, na primeira página do jornal, lá estava nosso bondoso anfitrião. Era o delegado geral do DOPS. Se soubesse quem éramos, podia ter feito a feira conosco...
Sebastião Nery - do livro Folclore Político. Enviado por Lúcio Jacomini
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