Em maio de 2011 nós publicamos, aqui no JC, o artigo intitulado “O aeroporto de Bauru decola?” Na ocasião fazíamos uma série de considerações a respeito da sua gestão e importância, em função de uma série de comentários, positivos e negativos, publicados pela mídia, em relação a este terminal aeroviário.
Um ano depois, voltamos a este espaço para uma avaliação do seu desempenho. Vive-se, no país, um momento de grande euforia no setor de transporte aéreo. Segundo dados da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, o transporte aéreo regular cresceu, no país, de 2005 a 2010, a uma taxa média de 15% ao ano. A taxa média de ocupação das aeronaves também aumentou, passando de 58%, em 2002, para 72%, em 2011.
Para os mais céticos, temos a informar que o aeroporto de Bauru vai indo bem. Durante os últimos doze meses, ou seja, de maio de 2011 a abril de 2012, segundo dados do Daesp-Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo, o Aeroporto Moussa Tobias transportou um total de 122,4 mil passageiros. Em maio de 2011 movimentou 9,4 mil passageiros e, em abril de 2012, 17,3 mil, representando um acréscimo de 84%. Estes dados são alvissareiros.
Em relação transporte de cargas, o desempenho do Moussa Tobias foi também significativo. Em maio de 2011, a movimentação foi de124 toneladas; em abril de 2012, esse valor atingiu a cifra de 180,6 toneladas, representando uma elevação de 45%.
Evidentemente que esses dados são animadores. Nem por isso a cidade pode se deitar em berço esplêndido, pois ela ainda tem muito a evoluir neste setor da sua economia. Em abril de 2012, por exemplo, o aeroporto de Presidente Prudente movimentou 24 mil passageiros e 10,6 toneladas de mercadorias. O aeroporto de Rio Preto apresentou os seguintes dados: 65 mil passageiros e 43,4 toneladas de cargas.
Os dados do Censo de 2010 mostravam que a cidade de Presidente Prudente tinha uma população de 208 mil habitantes, Bauru, 344 mil e Rio Preto, 408 mil. Cruzando os dados de população e dos aeroportos, pode-se, de maneira simplificada, concluir que o aeroporto de Bauru tem ainda muito para se desenvolver.
O seu desempenho atual mostra que ele perde em passageiros para o aeroporto de Presidente Prudente e fica muito distante do aeroporto de Rio Preto. Em relação ao transporte de cargas, no entanto, o movimento de Bauru é o maior dos aeroportos administrados pelo DAESP. Ele chega a ter uma movimentação de cargas três vezes maior do que Ribeirão Preto (54 toneladas), mais do que quatro vezes o de Rio Preto e 2,6 vezes o de Marília (70 toneladas), com dados de abril de 2012.
O aeroporto de Bauru cresce e se consolida no cenário aeroviário do estado de São Paulo. Se do ponto de vista da movimentação de passageiros houve um crescimento, embora fique abaixo do seu potencial, na parte de cargas assumiu a posição de liderança entre aqueles administrados pelo Daesp. Evidentemente, os grandes aeroportos paulistas, Viracopos, Congonhas e Cumbica, não estão aqui incluídos, por motivos óbvios. São administrados pela Infraero-Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária.
Enfim, para quem não acreditava que o novo aeroporto decolaria, que a sua distância em relação ao centro seria um impeditivo, eis aqui a resposta. Mesmo com uma análise que não teve a pretensão de ter embasamento científico, os dados mostraram que ele decolou. E o céu será o seu limite!
O autor, Archimedes Azevedo Raia Jr., é engenheiro e doutor em Engenharia de Transportes, coordenador do Núcleo de Estudos em Trânsito, Transportes e Logística, professor da Universidade Federal de São Carlos e Diretor de Engenharia da Assenag-Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru. E-mail: raiajr@ufscar.br
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