Bauru e grande região - Terça-feira, 12 de dezembro de 2017
máx. 34° / min. 22°
22/08/12 03:00 - Auto Mercado

Dr. Automóvel: O preço dos carros nacionais

Consultor: Marcos Serra Negra Camerini
Na semana passada, uma reportagem feita pela revista Forbes (especializada em economia internacional e que publica uma lista das maiores fortunas do planeta) por um jornalista sediado no Brasil, causou uma grande repercussão em todo o mundo. Ele fundamentou sua reportagem criticando o alto preço dos carros no Brasil, que são usados aqui como símbolos de status enquanto que lá fora os mesmos modelos são quase que de entrada.

Lembro que já falei sobre isso anteriormente e quase que da mesma forma, ressaltando a tendência brazuca para a ostentação e necessidade de mostrar sinais de riqueza e “poder $$” aos outros como uma necessidade quase patológica de alguns seres mal esclarecidos.

Nossos carros são simples, se comparados com seus equivalentes no mundo. Mesmo assim, seus preços são altos devido à estúpida carga tributária que incide sobre toda a cadeia produtiva da indústria automobilística, aí incluídos as montadoras e seus fornecedores diretos e indiretos. Os impostos brasileiros chegam a mais de 46% do valor final de cada veículo, em média, enquanto que nos Estados Unidos beiram os 6%. Isto só já gera uma grande diferença no preço final do veículo, agravada pela diferença de poder aquisitivo entre o trabalhador brasileiro e o americano. Lá, o juro básico é muito próximo de zero, enquanto que aqui...

Meu amigo pessoal Dr. Marcelo Creppe, ótimo oftalmologista, brindou-me na semana passada com uns dados da revista Quatro Rodas que comprovam o que digo.

Comparando carros similares, vemos que um Honda Civic pé de boi no Brasil começa custando R$ 62.990,00, enquanto que o mesmo modelo de entrada nos EUA custa US$ 15.995,00 (cerca de R$ 32.300,00), ou seja, quase a metade. O mesmo acontece com o Toyota Corolla, que aqui não sai por menos de R$ 62.800,00 e lá começa em US$ 16.130,00 ou R$ 32.600,00. Só que com um agravante: a versão americana vem de fábrica com motor 1.8, 6 airbags e equipamento de som com Bluetooth de série!

Comparativamente, os modelos de carros menores têm uma proporção menor de defasagem de preços, como vemos no caso do Nissan Versa com idêntica configuração de acabamento tanto aqui quanto lá, mas aqui é vendido por R$ 33.490,00 enquanto que lá sai por US$ 10.990,00 ou R$ 22.200,00 (66%), o preço de um Uno Mille tupiniquim.

A coisa realmente pega quando entram as leis do mercado com os carros grandes ou os pseudo luxuosos (pelo menos para o nosso padrão de exigência), em que os preços praticamente triplicam. O jornalista da Forbes tem toda razão em se indignar com isso, quando afirma que um Jeep Cherokee nos EUA é vendido a US$ 29.195,00 (ou R$ 58.975,00), enquanto que aqui o mesmo veículo chega a absurdos R$ 174.900,00, ou 3 vezes o preço original. Lá, a Cherokee é um jipão familiar com tração nas 4 rodas, necessária para trafegar na neve (lá não tem rua de terra, não!). Aqui, o mesmo veículo vem com fama de “carro importado de luxo”, sua tração fantástica nunca será usada (afinal, quem colocará um patrimônio deste valor no barro?) e seu dono (ou dona) irá com ele ao shopping ou levar os filhos à escola para mostrar aos outros que “está podendo” e não se importa em pagar uma fortuna por um carro inútil.

Com essa mentalidade, nunca mudaremos nada para melhor neste País. A massa acha tudo bonito, não reclama de nada e continua votando em tranqueiras em troca de promessas vazias e cerveja gelada. A elite acha tudo normal, faz questão de manter seus privilégios e copia tudo, independentemente de fazer sentido ou não. Um ou outro um pouco mais crítico mete a boca no status quo, mas sua voz se perde na multidão. Os impostos continuarão a comer grande parte de nossos salários, forçando-nos a trabalhar mais para conquistar menos. Como ninguém reclama, (digo reclamar no sentido de não comprar, boicotar um fabricante ou adiar uma compra até o preço baixar), as montadoras continuam a cobrar o que querem e ter lucros excessivos, tanto é que suas matrizes no exterior estão deficitárias e as filiais locais mandam recursos como “remessa de lucros” continuamente. Se o brasileiro pensar mais e adiar a troca de seu veículo por um mais novo até que o preço do carro novo caia e o custo do financiamento baixe de forma significativa, os bancos e as montadoras terão que se adequar ou o estoque ficará no pátio. Pena que o brasileiro só é patriota em copa do mundo, e isso se a seleção ganhar, né?




publicidade
Projeto Cidade Promoções e Eventos
(SF) © Copyright 2017 Jornal da Cidade - Todos os direitos reservados - Atendimento (14) 3104-3104 - Bauru/SP