ASSINE: (14) 3104-3144  |  ATENDIMENTO JC  |  BUSCA  |  EDIÇÃO DIGITAL  |  SEGUNDA-FEIRA
JCNET.com.br
Bauru e grande região - Domingo, 23 de julho de 2017
máx. 29° / min. 13°
25/03/13 00:00 - Opinião

“Desconselho” de medicina

Gilson Souto Maior Junior
Nessa semana, o Conselho Federal de Medicina disse que iria propor aos senadores que aprovassem o aborto até a 12ª semana sob o argumento de que cerca de 200 mil mulheres morrem por ano por abortos mal feitos. Parece algo alarmante se não fosse um detalhe: os números não revelam a verdade e revelam uma visão medíocre e sem fundamento. Vamos aos questionamentos. Milhares de mulheres morrem - e isso é fato - mas elas não sabem se prevenir? (Estou pensando como alguém sem nenhuma visão religiosa ou espiritual). Na hora da festa ninguém pensa nisso, mas quando engravida a corda tem que arrebentar do lado mais fraco? Essa sugestão vai beneficiar pessoas que só querem a farra e não desejam assumir suas responsabilidades. Não tenho dúvida que a grande maioria dessas mulheres que morrem estão sofrendo porque tomaram atitudes erradas. A morte é o resultado, não o problema.

Por que estamos refletindo sobre isso? Porque é preocupante quando começamos a justificar certas atitudes avaliando apenas vontades humanas e uma “ciência” baseada apenas numa “biologização” do ser humano. Nosso tempo é muito complexo, pois hoje lidamos com muitas questões éticas e morais. No entanto, não faltam defensores de ideias absurdas e que desejam tirar essa questão da moral e da ética e transpô-la à biologia pura e simples. Esse humanismo - e não humanização - no passado gerou situações terríveis e questionáveis. A defesa do aborto é uma forma de eugenia. No século XIX Francis Galton (1822-1911) criou o termo eugenia, ou seja, “bem nascido”. Ele definiu a eugenia como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. Basta dizer que Hitler e a liderança nazista na Alemanha usaram essas ideias como uma ideologia para criar a raça ariana e culminou no Holocausto.

Hoje, estamos no meio de um intenso debate sobre a questão do aborto. Não faltam iniciativas em promover a regularização desse tipo de procedimento. Para justificar essa atitude muitos falam dos direitos das mulheres, pois como o corpo é delas, então seria direito delas dizer se querem ou não prosseguir com a gravidez. Outros tentam afastar o assunto das questões filosóficas e morais e lançam no terreno vago da saúde pública. Segundo o Ministério da Saúde, em 2010 ocorreram no Brasil entre 1.990 a 3.440 abortos por dia. Em 2010 aconteceram cerca de três mil abortos por dia nos EUA e cerca de 130 mil por dia no mundo. O terremoto do Haiti em 2010 matou entre 100 a 200 mil pessoas em 12 de janeiro de 2010. Se isso ocorre todos os dias em clínicas de aborto no mundo e o derramamento de sangue e o desamparo de 130 mil bebês mortos recebessem a cobertura dos meios de comunicação, como aconteceu com as vítimas do terremoto - e foi necessário conhecer o que aconteceu ali - então haveria o mesmo clamor e esforços para por fim ao massacre diário. A eugenia mediante o aborto é uma abominação para Deus. Não aceitamos essa visão de uma instituição que representa profissionais que tem como função defender e salvar vidas. Se hoje se preocupam com a morte de 200 mil mulheres por ano, o que eles deveriam fazer com os mais de mil de bebês que morrem? Esses “fetos” não tinham direito de viver? A falta de responsabilidade de mulheres e homens que incentivam essa prática vai ser encorajada com essa atitude. Defendemos a vida e não a irresponsabilidade e imoralidade. A vida é um dom de Deus: “O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-poderoso me dá vida” (Jó 33:4). Não aceitamos os argumentos fracos e sem sentido do Conselho Federal de Medicina e devemos forçar os senadores a não aceitarem isso. Se as mulheres não querem os filhos, doe-os a quem deseja. Aborto é crime odioso e inaceitável. Defender o aborto é legitimar a morte de inocentes e valorizar os que não assumem responsabilidades diante da vida.

O autor, Gilson Souto Maior Junior, é pastor da Igreja Batista do Estoril, teólogo e escritor




publicidade


Projeto Cidade Promoções e Eventos
(SF) © Copyright 2017 Jornal da Cidade - Todos os direitos reservados - Atendimento (14) 3104-3104 - Bauru/SP