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27/03/13 02:30 - Opinião

A democracia em risco

Edson Valentim de Freitas Filho
Num Estado democrático, todos sabemos, é livre a manifestação de pensamento e o exercício pleno da fé. No Brasil, infelizmente, temos que incluir a palavra “ainda” ou “por enquanto”. Isso porque estamos prestes a viver como um Estado antidemocrático, onde só é permitido o que uma “minoria” pensa e quer.

Não sou simpatizante de muitas das ideias do deputado Marcos Feliciano. Creio, inclusive, que em algumas ocasiões contribuiria mais se ficasse quieto. No entanto, estamos (ainda) num Estado Democrático e a livre expressão de pensamento e fé valem “ainda”. Por esse ângulo, têm legitimidade aqueles que, discordando de seus pontos de vista, não o desejam na Comissão de Direitos Humanos e Minorias. No entanto, tem ficado cada vez mais claro que o posicionamento geral desses opositores tem sido fruto de preconceito (o mesmo preconceito que dizem combater). Senão, vejamos:

1. Não só tais manifestantes mas, estranhamente, a própria imprensa faz questão de identifica-lo como pastor. Sim, ele o é – mas não vejo as mesmas pessoas e profissionais da imprensa identificando Pedro Tobias como o dr. Pedro Tobias ou o médico Geraldo Alckmin – mas pelo cargo político que ocupam.

2. Feliciano não cometeu nenhuma ilegalidade para chegar onde chegou, tendo sido eleito para o cargo que ocupa da Comissão através de processo totalmente democrático, sendo ele mesmo detentor de mandato eletivo apoiado por mais de 200 mil votos. No entanto, querem tirá-lo por meios não-democráticos. Pressão é uma coisa, discordar é legítimo, subverter a ordem é outra bem diferente. A baderna feita nas reuniões da citada Comissão demonstram esse raciocínio. Ora, o regime democrático está aí, em vigor (ainda) e o voto é sua maior arma. Não gostam de Feliciano? As eleições estão se aproximando outra vez – usem-na para tirá-lo de lá.

3. Renan assumiu a Presidência do Senado envolto a mais uma enxurrada de denúncias; Henrique Eduardo Alves assumiu a Presidência da Câmara da mesma forma; João Paulo Cunha, mensaleiro condenado pelo STF, compõe a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Câmara Federal; Fernando Color, presidente cassado por corrupção é presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado; José Genoino, outro mensaleiro condenado, continua lá depois de maracutaia política que lhe abriu espaço para assumir; Paulo Maluf, igualmente compõe a importantíssima CCJ, mesmo sendo caçado pela Interpol e não podendo por o pé fora do Brasil sem ser preso. Onde estão esses mesmos defensores do bem, que lutam por defender direitos? Por que se calaram em relação a esses e outros tantos que enxovalham a democracia e diminuem o valor do Parlamento? Será que não há aqui medidas diferentes de avaliação por parte dos que agora gritam “Fora Feliciano”?

4. Feliciano ainda não teve sequer uma oportunidade de conduzir reunião da Comissão que preside, pois um grupo de baderneiros o impediu. Esse mesmo grupo e a imprensa que ora os apoia com espaço de divulgação e cinco minutos de fama, não fez esse estardalhaço quando Lula, que sempre quis e ainda quer cubanizar o Brasil, assumiu com seus 40 mensaleiros. E mesmo tendo intenção de agir segundo suas crenças ideológicas, teve que respeitar as leis de mercado e lançou uma “Carta Aberta” antes de eleição se comprometendo a respeitar a democracia. Igualmente não se manifestaram os baderneiros quando Dilma, a ex-guerrilheira, assumiu. Onde estavam esses? Onde estão? Lula se debate com mais uma série de acusações – onde estão os denunciadores e mobilizares do “Fora...”. Para a eleição se usou uma cantilena de apoio a Lula para seu segundo mandato (mesmo depois do escândalo do mensalão, agora comprovado e julgado). Então, por favor opositores de Feliciano, mesmo que, como eu, você não concorde com algumas posições dele, fiscalize-o, cobre, pressione, mas primeiro “deixa o homem trabalhar” e mostrar a que veio.

Democracia é, entre outras coisas, saber respeitar os que pensam diferente. E se os ativistas combatem a forma como Feliciano se expressa, precisam também rever como eles mesmos se comportam, não diante de Feliciano, mas diante da Democracia brasileira. Não sei se Feliciano permanecerá no cargo debaixo dessa pressão toda, mas sei que diante das manifestações “pastorfóbicas” o que de fato está em risco é a Democracia.

O autor, Edson Valentim de Freitas Filho, é pastor da Igreja Batista Bereana, em Bauru




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