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21/04/17 07:00 - Opinião

Banalização do sofrimento psicológico

Aline Erba

Há alguns dias tivemos outra tentativa de suicídio na cidade, um jovem. Não o conheço. Acompanhamos recentemente divulgações nas redes sociais e na imprensa sobre a brincadeira da "Baleia Azul" e outras discussões acerca do suicídio, levantadas a partir da série da Netflix "13 Reasons Why" (polêmicas, mas muito válidas).

Fico chocada ao perceber que, na repercussão desses 3 fatos aleatórios, o que emerge em comum nos comentários é a reação das pessoas em julgar a posição do suicida ou aspirante. "Só quer chamar atenção"; "Falta de umas palmadas"; "Quem quer se matar não ameaça", e outros eteceteras inacreditáveis. Pessoas, sabem o maior motivo disso tudo? Justamente esse, a invalidação do sofrimento alheio. As pessoas não se matam pra chamar atenção. Acredite! Não invalide o sofrimento do outro, não menospreze os seus motivos, até porque muito provavelmente você não os conheça. O que se passa na mente de um ser humano pode ser tão misterioso que provavelmente você nada saiba a respeito.

Digo isso não só em casos de ideação suicida, mas para a vida, para o dia a dia. Há pessoas que possuem uma mania feia e egoísta de querer competir com o outro sobre quem tem o direito de estar mais triste. Não seja essa pessoa.

Onde está a classificação internacional de tristeza? Quem criou isso? Quem é esse juiz que decreta se dói o suficiente? A minha dor é diferente da sua e, nem por isso machuca menos. Cada ser humano tem sua singularidade, enxerga e sente as coisas em uma escala extremamente particular.

Por isso, respeite a dor do outro! Se puder, acolha. Mas se não puder, apenas não julgue, não invalide, não rotule, não ridicularize. Isso simplesmente não ajuda. Em nada. Nunca.





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