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06/07/17 07:00 - Tribuna do Leitor

Canella, o engenheiro que não virou suco

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuado

Ver o engenheiro e empresário José Hermínio Canella na Entrevista da Semana do JC do último domingo foi um luxo só. Não existe algo mais triste do que observar a quantidade de empresários apoiando as iniciativas do (des)Governo golpista de Michel Temer e em curso no atual Congresso Nacional, tais como a reforma da Previdência Privada e a da legislação trabalhista, como sendo algo dentro da necessária modernidade, quando em tramite uma volta à mais total escravidão no setor. Se perguntarem para ele se é a favor das reformas, evidente que vai responder positivamente, mas irão perceber que não o é para como ela está ocorrendo. Reformas sim, subjugação do trabalhador não.

Canella representa o verdadeiro empresário moderno, um que se posiciona ao lado do seu empregado e não o encurrala para o precipício. Admirável ver alguém na sua condição, fazendo de tudo para melhorar a vida dos que trabalham ao seu lado. Seu pensamento é louvável, pois não tem problema nenhum em ver o trabalhador viajando no mesmo avião que ele e até frequentando a mesma universidade que seu filho. Se existe algum tipo de humanismo no capitalismo, ele é aquele onde existe uma justa divisão e paga pela "mais valia". Ver o trabalhador exercer sua função feliz e levar uma vida idem é não só entender sua situação, como remunerá-lo a contento e estar ciente da existência de toda uma legislação que deve ser respeitada e continuar existindo na sua defesa, como também poder ter o direito de se aposentar dignamente e ainda poder desfrutar disso com muitos anos de vida pela frente.

Quando um empresário apoia desbragadamente uma reforma como a sendo quase aprovada hoje, ele não está sendo justo com quem tanto lhe ajuda a ser o que é, o trabalhador. Quando um empresário apoia cegamente que a Previdência sofra uma profunda alteração, beneficiando-lhe acima do permitido, tudo para sua ampliação de lucros e do outro lado, alguém seja massacrado, ele não pode ser considerado um ser sadio. E nem ser uma pessoa feliz.

Ser moderno é bem outra coisa. Reformar não é oprimir a maioria em beneficio de uma minoria. Por que tudo não ser feito num amplo entendimento entre as partes? O empresário brasileiro erra (e feio) quando se mantém calado diante de tudo o que está ocorrendo. Suas entidades de classe se mostram a favor de um retrocesso do próprio país e não estão alinhadas com nenhuma modernidade e sim, com grilhões e pelourinhos. Ser moderno é promover um capitalismo de conciliação, um onde patrão e empregado dialoguem e busquem um denominador comum no pleno entendimento entre as partes. Isso está deixando de ocorrer no cenário nacional e quando um desses se alevanta, numa cara demonstração, não de rebeldia e loucura, mas de sensatez e firmeza, uma luz no final do túnel.

O que hoje é promovido por entidades como Fiesp não é para ser seguido por todos os empresários brasileiros como única saída e solução. Que vozes como a de Canella consigam propor algo mais palatável e menos traumatizante para a classe trabalhadora. Esse algo novo pode e deve partir de gente com mentalidade empresarial ousada, demonstrando estar antenado com os problemas do ser humano num todo e não somente na solução dos seus próprios. Foi mais que salutar ver Canella em destaque. Seria mais salutar ainda observar ideias e ações como as dele sendo mais ouvidas, entendidas e colocadas em prática. Tudo isso para o bem do futuro da humanidade. Que outros Canellas mostrem sua cara, apareçam e demonstrem existir hoje outro lado dentro do meio empresarial brasileiro. O momento vivido pelo país está muito necessitado de gente como ele e eu o uso como raro exemplo a ser seguido, incentivado e multiplicado.





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