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13/10/17 07:00 - Opinião

Horário de Verão: uns amam, outros odeiam

Braz Melero

"Sapo não salta por boniteza, mas por precisão". Esta frase emblemática de Guimarães Rosa explica a adoção do chamado Horário de Verão - HV. A "precisão" é aproveitar o maior período diário da luz solar (fotoperíodo) para economizar eletricidade. Minha vivência no setor elétrico permite-me constatar o sentimento de grande parte da população afetada, não apenas do Estado de São Paulo e no Brasil. Por isso, ouso dividir o HV em três fases distintas: Resignação no início; Euforia no meio; Repúdio no final.

As claridades diárias que serão mencionadas neste texto foram extraídas do relatório do IPMet - Instituto de Pesquisas Meteorológicas, que encomendei, quando no Gabinete da Prefeitura de Bauru, em 2002, para subsidiar estudos da GEM - Gestão Energética Municipal, recomendado por órgão regulador federal, desde 1996.

1ª fase, de Resignação: a população assume por não ter escolha. Inicia no terceiro domingo de outubro. Este ano no dia 15/10, com 12,5 horas de Luz Natural. Algumas pessoas, em especial as crianças e idosos, podem apresentar cansaço, fadiga e até mesmo exaustão. Segundo o Dr. Gilmar Prado (JC-15/10/16), o desconforto pode durar até duas semanas.

2ª fase, de Euforia: é a mais longa. Prevalece em mais da metade dos 126 dias do HV, de novembro a meados de janeiro. O seu auge é o mês de dezembro, com 13,5 horas de luz natural. Com o dia mais longo, as pessoas de todas as classes sociais podem dedicar-se à família, aos amigos, ao lazer...;

3ª fase, de Repúdio: tem em torno de 1 mês de duração. Embora no dia que se encerra o HV, 3º domingo de fevereiro, ainda tenhamos quase 13h de luz natural, a rejeição fica por conta da posição do sol em relação à Terra. Quem precisa acordar às 6h00, para trabalhar e/ou levar filho à escola, levanta no escuro. Tem a sensação que é de madrugada, causando revolta. Esquece o quanto foi salutar a fase de Euforia.

Retomando a discussão sobre o aspecto conceitual do HV, nos últimos dias ouvimos uma enxurrada de notícias colando em dúvida sua precisão. É certo que os aparelhos de ar condicionados deslocaram o pico de consumo da eletricidade.

Porém, essa é uma informação que, ao invés de abolir o HV, é motivo a mais para sua adoção. Enganam-se aqueles que pensam que só no Brasil há o HV. Ao menos 30 países adotam-no. Os países localizados na faixa equatorial não tem precisão. Lá, não existem estações do ano e o clima é constante.

Oportuno registrar que embora os EUA e Inglaterra tenham identificado a precisão de criar o HV, a primazia coube à Alemanha, em 1916, na primeira guerra mundial. A economia de eletricidade reduziu o consumo da principal fonte energética da época: o carvão. Foi seguida por outros países, inclusive EUA, em 1918.

No Brasil, a precisão de economizar energia fez com que o HV fosse instituído em 1931,por Getúlio Vargas. A edição atual é a 44ª (33ª consecutiva, a partir de 1985). Abrange apenas 10 estados e o Distrito Federal, por 126 dias. Nos EUA e Europa o período supera 200 dias (abril até outubro).

O autor é aposentado da CPFL, foi executivo de Gabinete da Prefeitura de Bauru e da Cohab. Assessor de Civismo e Cidadania da Governadoria do Lions





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