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03/03/02 00:00 - Ser

Sexo: dá para ficar sem?

O Estudo Global sobre Atitudes e Comportamentos Sexuais, promovido pela indústria química e farmacêutica Pfizer, fabricante do Viagra, apresentado em Londres, apontou os brasileiros como um dos povos que mais faz sexo no mundo. A pesquisa, que ouviu 26 mil homens e mulheres de 40 a 80 anos em 28 países, mostra que 75% dos brasileiros entrevistados fazem sexo pelo menos uma vez por semana. Além disso, 89% deles se declara satisfeito com a sua vida sexual e 91% consideram essencial ter uma boa vida sexual para manter o namoro ou o casamento.

Gustavo Cândido
Resumindo, seria possível dizer que os brasileiros (homens e mulheres) não agüentam viver sem sexo (veja o infográfico uma comparação de freqüência sexual por países). Mas, infelizmente, como se pode supor, existem momentos de solidão na vida de todas as pessoas e cada uma lida com essa falta de sexo de uma maneira diferente. A questão é até recheada de mitos. Os principais são o de que a falta de sexo causa problemas sexuais mais tarde e que o homem precisa copular mais vezes e com mais freqüência do que a mulher e por isso sofre mais quando passa por um período de “seca” na cama. Duas afirmações sem sentido resultantes de falta de informação e de uma cultura machista. Segundo o ginecologista Alberto Segalla Jr., não existe nenhuma razão para acreditar que ficar sem manter relações sexuais por um longo período possa trazer algum dano à saúde da mulher. O mesmo acontece com os homens. “A falta de sexo não traz nenhum problema físico”, afirma o urologista Antônio Pádua Leal Galesso.

Biologicamente, ambos os sexos também não diferem em necessidade sexual. Culturalmente, porém, durante muito tempo a nossa sociedade brasileira enfatizou a virilidade sexual masculina, ressalta a psicóloga Luciana Biem. Os garotos aprendiam desde cedo a provar que eram homens correndo atrás de um “ rabo de saia”. Com isso, o sexo se tornou um parâmetro de masculinidade e auto-afirmação, o homem passou a desempenhar um papel social de dar “conta do recado” sempre. Já as mulheres cresceram aprendendo a importância de guardar a sua “preciosidade” para o futuro marido. “À ela não era permitido dar vazão ao desejo sexual, e sim sufocá-lo. Portanto, ficou estabelecido culturalmente que homens possuíam mais necessidade sexual do que as mulheres”, diz a psicóloga.

Atualmente, na prática, homens e mulheres sentem falta de sexo na mesma intensidade e buscam resolver o problema da melhor maneira possível. “Hoje, as coisas são mais liberadas, ninguém passa vontade”, afirma Galesso sobre a igualdade de condição de homens e mulheres. É claro que cada pessoa, independente do seu sexo, possui sua própria necessidade sexual. De acordo com Biem, são inúmeros os fatores que determinam essa diferença, entre eles. Questões religiosas, sociais, culturais, orgânicas e psicológicas, entre outras.

E isso não significa que quantidade não importa. Na realidade, a questão quantidade e qualidade sexual é atribuída aos fatores culturais de um passado remoto, em que experiência sexual significava quantidade de relações, apenas permitidas ao mundo masculino, explica a psicóloga. “Atualmente, sabe-se que não é a quantidade que determina o bom amante, e sim a qualidade da relação sexual”, lembra a psicóloga. E para obter qualidade é necessário que tanto homens quanto mulheres, descubram juntos os prazeres físicos e emocionais do ato sexual. “A sexualidade é uma aprendizagem a ser compartilhada”, completa.

Desejos diferentes

A ausência de uma vida sexual regular, no geral, se resume a um problema simples: um quer mais sexo do que o outro e então não há acordo. Essa diferença de desejo pode causar mais do que solidão sexual e abalar o relacionamento ou até levá-lo ao fim. Segundo a professora de Sexualidade Humana no curso de Psicologia da Unesp - Bauru, Ana Cláudia Bortolozzi Maia, existem casos em que os parceiros brigam por essa diferença. Um acha que o outro não se interessa mais em sexo porque falta amor ou porque há uma terceira pessoa envolvida, enquanto outros acreditam que o par tem algum tipo de problema por querer sexo demais, por exemplo.

Maia explica que, apesar de cada pessoa ter uma idéia do que considera “normal” em termos de quantidade de relações sexuais, é possível ter uma vida sexual perfeita transando duas vezes por semana ou três vezes por dia, desde que os dois estejam de acordo. “Se o parceiro topar e não atrapalhar o dia-a-dia dos dois, não há problema algum em transar quatro vezes por dia. Eles não vão ser considerados tarados ou compulsivos por isso”, afirma a professora. O principal ponto é o ajuste entre o casal.

A compulsão, citada por Maia, se caracteriza pela presença de um desejo exagerado de sexo que faz com que a pessoa deixe de lado outras atividades diárias. “É uma questão patológica quando a pessoa exclui tudo na sua vida para transar, deixa de comer, de trabalhar. A pessoa perde o controle e até se machuca fisicamente”, diz. “A relação sexual saudável física e emocionalmente é aquela em que ambas as partes estão desejando o ato sexual de livre e espontânea vontade”, completa Luciana Biem.

Encontrando a solução

A resposta para a pergunta do título é a mesma para os homens e mulheres entrevistados pela reportagem do JC: “não”. Nem todos, porém, souberam (ou tiveram coragem) de dizer como fazem para evitar a escassez de sexo. “É difícil, porque hoje em dia é muito perigoso sair transando por aí”, diz consciente o comerciante Pedro*, que não gosta de ficar sem sexo. “O jeito é sempre estar namorando ou ter um compromisso sério”, diz. O empresário Luís Carlos * concorda e dá outra opção: “Se não tiver uma namorada não dá, o jeito é se virar sozinho”, explica, se referindo à masturbação.

Entre as mulheres, o assunto é mais delicado ainda por conta dos anos de criação machista. “A gente é ensinada a dizer que não sente falta de sexo, mas é claro que sente”, confessa a professora Clarice*. Na opinião dela não há muito a fazer quando não há a possibilidade de encontrar um parceiro a curto prazo. “A gente acaba tendo que se conformar”. Para a estudante Ana Lúcia*, que já se viu “mordendo as paredes” por falta de sexo, a questão é de ordem vital, e por isso a masturbação não está fora de questão. “Gosto e preciso manter uma vida sexual regular, acho que faz bem para a minha saúde”, explica.

“Atualmente, homens e mulheres se masturbam conscientes dos benefícios de sua prática. Mas encontramos, ainda, muitos tabus sobre o tema, gerador de culpa e angústia, devido a prática masturbatória ter sido considerada algo proibido, sujo, feio, pecaminoso”, afirma Luciana Biem. A diferença com que ambos os sexos tratam o assunto é uma questão cultural. Homens desde cedo são incentivados a tocarem seus órgãos genitais, aprendendo, conseqüentemente, a utilizarem a masturbação como substituição da relação sexual. Com as mulheres, o assunto é mais velado, o que não significa que elas não se masturbem.

Segundo a psicóloga, estudos demonstram que a masturbação é saudável, com a finalidade de autoconhecimento corporal, proporcionando uma descoberta íntima de diversos prazeres. A prática acaba possibilitando uma relação sexual satisfatória, na medida em que cada um conhece suas próprias zonas de prazer.

* Os nomes dos estrevistados foram trocados para preservar suas identidades




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