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28/12/05 00:00 - Esportes

Le Parkour: Esporte chega desafiando a gravidade

Akira, introdutor do Le Parkour no Brasil, esteve em Bauru ensinando a prática esportiva de saltar obstáculos

Gabriel Pelosi
Nascido na década de 80, com a origem em treinamentos militares e o intuito de transpor obstáculos, o Le Parkour chegou ao Brasil há quatro anos e começa a se tornar febre entre os jovens brasileiros. Le Parkour é uma expressão francesa que significa “O Percurso”. A modalidade nasceu em Lisse, no Interior da França, quando crianças brincando, resolveram levar a sério o que o pai de uma delas praticava em treinamentos do exército francês.

As crianças cresceram, David Belle, filho de um militar francês, mostrou a arte ao amigo Sebastien Foucan, que tornou-se um dos mais conceituados praticantes do Le Parkour no mundo. Hoje, o esporte é praticado no mundo todo e chegou a fazer parte de cenas do último clipe da cantora pop Madonna.

Assim como Charles Miller introduziu o futebol no Brasil, Leonard Akira Hka, é o pai do Le Parkour no País. Nascido em Garça (próximo a Bauru), Akira como é conhecido pelos amigos, tem 21 anos e conheceu a modalidade há quatro anos através de um amigo que foi para a França e lhe contou do surgimento de um novo esporte no velho continente. Akira se interessou, pesquisou pela internet e prontamente começou a praticar o Le Parkour pelas ruas do bairro onde morava.

Hoje, ele viaja pelo Brasil, fazendo a divulgação do esporte e já “pulou” por diversos estados do País. Akira esteve os últimos dias em Bauru na casa de familiares, onde pretende morar nos próximos anos. “A arquitetura de Bauru é perfeita para o Le Parkour. Tem muitos obstáculos, corrimão e mureta, o que é essencial para a prática do esporte”, afirmou.

No Brasil, o Le Parkour passou a ser chamado apenas de Parkour. Os grupos de Traceurs (nome dado aos praticates do Le Parkour) são chamados de Clan. São jovens que se reúnem para treinar e aperfeiçoar a prática do esporte, eles são responsáveis por divulgar e convidar mais pessoas a praticar o esporte. O primeiro Clan bauruense tem o nome de Equilibrium e já possui aproximadamente 15 integrantes e uma comunidade na rede de amigos Orkut, na internet. Em Bauru, eles se reúnem na Praça da Paz e no Parque Vitória Régia.

Os Traceurs reúnem-se em locais com grande número de obstáculos e estudam cada um deles. “O Le Parkur obriga o cérebro a trabalhar no estilo 3D. Onde você tem noção de altura, distância e a força que você vai usar para transpor o obstáculo”, explicou Akira.

Segundo Akira, qualquer pessoa pode praticar o Le Parkour e qualquer obstáculo é válido. “Até mesmo um carro pode ser obstáculo para nós. O que eu tento mostrar para as pessoas é que não podemos danificar nada, mesmo porque precisamos deles. Ele faz parte do nosso dia-dia.” Akira alerta que todos os obstáculos devem ser estudados antes de dar início à brincadeira. Devem evitar a prática do Le Parkour pessoas que tenham problemas de articulação e de coração.

A concentração, a respiração e a agilidade são os principais ingredientes para a prática do Le Parkour, segundo Akira. “O Le Parkour é 80 por cento mente e 20 por cento corpo, pois a agilidade do corpo depende do poder de concentração.”

Nada mais do que um tênis confortável é a recomendação para que quiser praticar o Le Parkour. Calça para evitar ralados e munhequeira para proteger os punhos também são indicados. Porém, o alongamento é peça fundamental para a prática do Le Parkour.

Akira afirma que o Le Parkour não é um esporte perigoso, mas recomenda alguns cuidados antes de iniciar o esporte. “Para quem está iniciando, a recomendação é que comece sempre por obstáculos pequenos, nada além da sua capacidade. É preciso consultar alguém que já conheça o esporte para aprender algumas técnicas essenciais. Não é um esporte perigoso mas é importante tomar alguns cuidados. Há quatro anos praticando, nunca quebrei nenhum osso, mas rompi os ligamentos do pé uma vez.”

Por ser um esporte pouco conhecido, as pessoas se assustam um pouco com as manobras. “Afinal, não é comum ver pessoas saltando carros estacionados pela cidade”, comenta Akira. Sendo um esporte que usa os obstáculos urbanos, os Traceurs no Brasil enfrentam o problema dos seguranças e policiais.

“É difícil um policial que vê uma pessoa pulando muros de dois metros, com um simples toque, passando por cercas, grades, pulando de um telhado para o outro, entender que ele está praticando um esporte, uma disciplina atlética, que estimula a mente, cria resistência física, velocidade, e, o mais importante, seguindo uma filosofia de treinamento com origens militares”, lamenta Akira.

Não existe competição no Le Parkour. É um esporte que busca a liberdade de saltar qualquer obstáculo e seguir um percurso pré definido. A intenção é sempre chegar a algum lugar pré definido, de maneira que não se desvie do sentido a ser seguido. “Não tem critérios de avaliação para se fazer um disputa. E uma competição pode ser ariscada” afirma Akira, que luta pela democratização do Le Parkour no Brasil.


• Serviço

Para saber mais sobre a práticar do Le Parkour, Akira disponibiliza um blog com notícias sobre o esporte: www.leparkourbrasil.blogger.com.br


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Médico alerta para lesões

O médico ortopedista Ricardo José Cabello, alerta o Traceur (praticante do Le Parkour) a tomar alguns cuidados antes de sair pulando obstáculos por aí. “Antes de mais nada, o praticante do Le Parkour deve consultar um médico. Eu aconselharia a pessoa a usar joelheira e cotoveleira, pois o grande risco desse esporte é o trauma, ou seja, a quebra de ossos ou rompimento de ligamentos.”

Cabello ainda recomenda o novato no esporte, a procurar orientação de alguém que já conheça as técnicas para diminuir o impacto ao entrar em contato com o chão, já que no Le Parkour isso é bastante comum. E completa: “Esse esporte deve ser praticado por pessoas que já tenham contato com algum esporte. Caso contrário, o praticante precisa de muito treinamento para adquirir elasticidade na musculatura, o que ajuda a prevenir lesões.”

Segundo Cabello, o alongamento também é fundamental para a prática de qualquer esporte. E avisa: “Quem tem problemas com articulações não pode nem pensar em praticar o Le Parkour.”


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Gírias

• Traceur

Alguém que pratica Le Parkour


• PK, Freerunning ou Freerun

Nomes alternativos ao Le Parkour


• Grunt ou Newbie

Novatos (não como insulto, apenas para identificar)


• Run

Normalmente utilizados para definir conjunto de técnicas, um percurso


• Clan ou Crew

Termo usado para grupo de traceurs que praticam juntos


• Bail ou Slam

Usado para definir uma técnica errada, normalmente acaba em uma queda


• Flow

O cálice sagrado do Le Parkour, algo que o traceur luta para ter. A fluência entre as mano bras. Simplesmente se mover com agilidade, fluência e leveza.




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