Jornal da Cidade de Bauru
Bauru e grande região - Terça-Feira, 07 de Setembro de 2010  
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  29/07/2010 - Política
Skaf diz que Bauru pode ser regional do governo do Estado 
Em Bauru, candidato a governador pelo PSB também evitou falar em privatizar presídio, mas quer compensação para cidades


O empresário Paulo Skaf, candidato ao governo paulista pelo PSB, defendeu ontem, em campanha em Bauru, a criação de subgovernadorias como mote para a descentralização de gestão estadual pelo Interior. Ao discutir a proposta de destinar parte da receita do Estado com o IPVA para reduzir o custo pago pelos usuários com pedágios, ele reconheceu que a medida depende de reengenharia financeira, pontuando que a “subvenção” vai ficar limitada a 10% da parte da receita com o imposto sobre automóveis que fica com o governo.

Em campanha pelo Calçadão, o staff da campanha do empresário confirmou a estratégia de, nesta fase, ampliar a aproximação do candidato junto ao grande público, sobretudo nas faixas mais populares, onde ele é pouco conhecido. Empresário do setor têxtil, Skaf está afastado da presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para participar da eleição. Leia a seguir, os principais pontos da entrevista concedida ao JC:



Jornal da Cidade - O senhor defende ensino integral nas escolas em quais níveis?

Paulo Skaf -
Seria para o ensino fundamental. Nas creches, vamos fazer repasses aos municípios que não possuem recursos, para que possam implementar as vagas. Elas serão municipais, mas receberão recursos estaduais para que todas tenham as vagas. A pré-escola também precisa de mais matrículas. No ensino fundamental não falta matrículas, falta qualidade. Vamos elevar qualidade, buscar excelência, ao implantar o ensino integral. No ensino médio falta qualidade e matrículas. Então, vamos ampliar as vagas e buscar qualidade, articulando com ensino técnico.


JC - Como financiar?

Skaf -
A implantação seria ano a ano ao longo de nove anos. Já analisei o orçamento do Estado e não há nenhum problema para que se faça essa adequação. Este é o tempo em que é possível para não ter dificuldades em relação a revitalização das escolas, construção de unidades. O investimento seria de R$ 5 bilhões ao longo de seis a sete anos em infraestrutura, além do custeio. São 2,6 milhões de alunos e para o custeio seriam mais ou menos R$ 2 bilhões. Em nove anos se absorve sem nenhuma dificuldade. Hoje, já se investe R$ 1 bilhão ao ano em educação e o objetivo é redirecionar esse montante para isso.



JC - O Estado investe R$ 1 bi por ano e não consegue atender a demanda?

Skaf -
Há um problema gravíssimo de gestão no Estado. Não se consegue atender a demanda e dentro das escolas as crianças não aprendem. A qualidade é péssima, os professores não são estimulados e assim vai. Consegui implementar isso no Serviço Social da Indústria (Sesi). Se numa entidade comporta e é feito de forma responsável, imagina no Estado de São Paulo, que tem um orçamento maior que o da Argentina. Hoje o Estado investe R$ 1 bilhão, que é pouco. No Sesi e Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) este ano, será investido R$ 900 milhões em educação.



JC - O que muda se privatizar presídios?

Skaf -
Antes de presídios, temos de falar de polícia primeiro. Na segurança pública, a primeira questão que temos que falar é informação, a inteligência. Por que que a Polícia Federal, com mil homens em São Paulo tem ações cirúrgicas? Isso é devido à informação e inteligência. Vamos investir em tecnologia, informação correta. Tem o policial que como ganha pouco, busca bicos para sobreviver. Então, temos que pagar melhor.



JC - E os presídios?

Skaf -
Eu não tenho falado da privatização de presídios. Mas se você me perguntar, eu não sou contra. Pode ser estudada. Na questão de presídios, foi feita a política de relocalizar as unidades para fora da região metropolitana de São Paulo e isso acabou levando a criminalidade para outras cidades. E os presos normalmente praticam crimes nessa região metropolitana. Então, é um tal de levar preso, trazer preso, escolta daqui, escolta de lá e temos que resolver esse problema também. Nenhuma cidade gosta de receber presídio. Mas onde tem, precisa ter uma compensação. E se você precisar de mais presídios, o Estado ou a iniciativa privada faz? Você pode ter as duas alternativas.



JC - Como repactuar contrato de concessão de 20, 30 anos, como nos pedágios?

Skaf -
Eu não proponho quebrar. Proponho uma compensação para os usuários no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). O Estado fez a besteira e não pensou no usuário, então que corrija a besteira. Como 50% do IPVA é do Estado e 50% é do município, vou abrir mão de 10% do bolo do Estado, que é R$ 5 bilhões, e resolver esse problema. De maneira que de 0h às 7h se possa compensar 100% e das 7h às 24h, 50%. Estimula a viagem de madrugada, reduz os poluentes. Até o limite de 50% do IPVA que o cidadão paga. Se ele tem um IPVA de R$ 1 mil, até R$ 500,00 ele pode compensar. Pode atenuar o problema e é justo.



JC - Para o usuário é bom, mas e para a Fazenda?

Skaf -
Quem vai comandar o Estado é o governador Skaf e não seus secretários. Esse é meu estilo. E vocês estão influenciados pelos secretários da Fazenda, que dizem que não tem recurso. Um Estado com R$ 170 bilhões de orçamento e que é o principal do País, não pode falar que falta recurso para saúde, educação e segurança.



JC - Como serão as subgovernadorias?

Skaf -
A proposta é criar um conselho de prefeitos e presidentes de Câmaras das 39 cidades que fazem parte da região administrativa e ele dará as prioridades para as cidades. Essas necessidades serão repassadas para cada subgovernador que eu vou nomear. As secretarias de Estado já estão descentralizadas, a proposta é pegar essas pontas soltas, fazer um laço sob a coordenação dos subgovernadores e dentro da sua autonomia, eles já decidem o que pode executar. Fora da sua autonomia, ele arredonda a bola e encaminha ao governador. E Bauru vai ser a sede de uma subgovernadoria.



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Vice do empresário, Marianne Pinotti mira a campanha em gestão da Saúde


Candidada a vice-governadora na chapa de Skaf, a médica Marianne Pinotti é filha do deputado federal José Aristodemo Pinotti, que morreu em julho de 2009. Em campanha junto com o cabeça de chapa, ela confirmou seu foco na saúde e se posicionou contra a gestão hospitalar por meio de Organizações Sociais de Saúde (OSS) em alguns casos. “Estou entrando nessa luta com Skaf com a bagagem de mulher, médica. Tenho experiência de gestão em saúde e acompanhei toda a história do meu pai na saúde pública e é uma paixão minha transformar a saúde desse Estado”, pontua.

Para ela, o sistema de OSS não trouxe soluções concretas para os problemas do setor. “Nós defendemos mais a gestão geral da saúde, o fortalecimento da atenção primária, do Programa de Saúde da Família vinculado com as Unidades Básicas de Saúde”, afirma.

Para a médica, o sistema de OSS dificulta o controle social. “Na hora que você pactua que um hospital público passa a ser controlado pelo sistema privado, você pactua números. Ele não vai absorver mais do que o que foi acordado com o Estado. Isso precisa ser bem acertado para que a população não sofra as consequências de um mau contrato”, critica.
 
Lígia Ligabue 
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