Bauru e grande região

Auto Mercado

Vale quanto pesa

Visual aventureiro e bom custo/benefício são as maiores atrações do Renault Kwid Outsider

por Eduardo Rocha

25/12/2019 - 06h00

Fotos:Divulgação

Ar, travas e espelhos elétricos, quatro airbags, central multimídia, vidros elétricos nas portas dianteiras, rodas de liga leve, câmera de ré, computador de bordo, direção elétrica e limpador do vidro traseiro compõem o Kwid Outsider

Quando chegou ao mercado, o Renault Kwid passou por alguns percalços, com recalls e falta de peças. Isso foi há dois anos. Hoje, o subcompacto é o modelo mais vendido da marca francesa e no acumulado do ano ostenta o 4º lugar no ranking dos mais vendidos, com uma média de quase 7 mil unidades mensais. A versão Outsider é um reflexo direto dessa trajetória, ao mesmo tempo que ajudou a consolidar a performance de mercado do Kwid. A versão é a de topo do carro.

O carrinho tem ar, travas e espelhos elétricos, quatro airbags, central multimídia, vidros elétricos nas portas dianteiras, rodas de liga leve, câmera de ré, computador de bordo, direção elétrica e limpador do vidro traseiro. Este é exatamente o mesmo conteúdo da versão Intense, que era a topo de linha até a chegada da Outsider, em maio. Os diferenciais da versão aventureira se resumem a protetores laterais, interior com detalhes laranja, rodas pintadas de preto, skis sob os para-choques, proteção lateral e barras no teto. Ou seja: apenas itens visuais - que não devem ser desprezados, já que o design é uma das três principais razões para a compra de um carro. O Kwid Outsider sai a R$ 45.390, R$ 2.500 a mais que a versão Intense.

O visual aventureiro não recebe qualquer respaldo em outros itens do modelo. Suspensão, rodas e pneus têm exatamente as mesmas dimensões das demais versões. De qualquer forma, o carrinho, que foi vendido como "o SUV dos compactos" - embora seja um subcompacto - tem uma boa altura livre para o solo, de 18 cm. O carrinho já estava preparado para enfrentar os desmandos viários dos prefeitos no Brasil.

A parte mecânica é a mesma para toda a linha. Sob o capô, o Kwid traz o mesmo motor 1.0 SCe de três cilindros e 12 válvulas, que move o Sandero de entrada. Ele é capaz de gerar 66/70 cv e 9,4/9,8 kgfm de torque com gasolina/etanol. Não é muito, mas o carrinho pesa apenas 806 kg, o que resulta em uma relação peso/potência de 11,5 kg/cv. Bom para um carro eminentemente urbano, que promete ser bastante econômico.

Ponto a ponto

Divulgação

As linhas do Kwid são fluidas e simpáticas; o desenho dá muita personalidade ao subcompacto

Desempenho - O motor 1.0 litro de 12V que move o Kwid, com 66/70 cv com gasolina/etanol, é modesto. Mas o peso de 806 kg da versão Outsider ajuda na hora de mover o subcompacto. Na cidade, dá para promover arrancadas consistentes, ultrapassagens e retomadas. Na estrada, é preciso recorrer às reduções de marchas, mas nada muito diferente dos outros 1.0 aspirados do mercado.

Nota 7.

Estabilidade - Por ser um alto, a carroceria do Kwid tende a rolar um pouco nas curvas, apesar do ajuste mais firme da suspensão. A direção elétrica é leve, mas não a ponto de anestesiar os movimentos da roda. Nota 7.

Interatividade - O banco do motorista não tem ajuste de altura e coluna de direção não tem ajuste nenhum. O comando dos vidros elétricos está mal localizado, no console central. Já a central multimídia é fácil de operar e tem bom nível de conectividade e conta com câmera de ré. Falta, porém, sensores traseiros. Nota 6.

Consumo - O Kwid Outsider participa do Programa de Etiquetagem do InMetro e obteve média de 9,3/10 km/l na cidade e 13,8/14,4 km/l na estrada com etanol/gasolina, com índice A na categoria e B no geral. Nota 9.

Conforto - Mesmo sendo um subcompacto, o Kwid tem uma boa área no habitáculo. Quatro pessoas viajam bem. A altura interna é boa e a suspensão filtra de os desníveis do solo corretamente. O isola-mento acústico, por outro lado, parece inexistente - o Kwid é bastante barulhento. Nota 7.

Tecnologia - A plataforma modular CMFA é nova, mas nem por isso é das mais seguras - no Latin NCap ficou com três estrelas - e deve perder pelo menos uma em uma nova rodada de teste, por conta da ausência de controle de estabilidade. O motor 1.0 de três cilindros é moderno, mas foi "aliviado" de alguns recursos tecnológicos em relação ao que é usado no Sandero, que rende com 82 cv com etanol - no Kwid, são 70 cv. Qualquer versão tem airbags laterais de série, além dos frontais obrigatórios, e a configuração Outsider ainda traz uma lista disponível que inclui até câmera de ré e central multimídia. Nota 7.

Habitabilidade - O subcompacto tem como principal vantagem o porta-malas, que está na média de modelo maiores, como hatches compactos. Faltam porta-copos, mas há um espaço no bolsão das portas capaz de acomodar uma garrafa. Há um grande nicho à frente do câmbio para acomodar objetos que devem ficar à mão do condutor. Nota 7.

Acabamento - A maior parte dos compactos e subcompactos nacionais pecam nesse aspecto e o Kwid não foge muito ao padrão racional da Renault. São plásticos rígidos, com encaixes corretos. O sistema multimídia é envolvido por acabamento em preto brilhante. Na versão Outsider, detalhes laranja no console, nos bancos, nas portas, no câmbio e no volante cria um pequeno charme. Nota 7.

Design - As linhas do Kwid são fluidas e simpáticas. As proporções do modelo, alto e curto, cumprem o objetivo de passar a ideia de robustez. A suspensão elevada, as rodas pretas e as barras no teto completam o conjunto. O desenho é interessante no segmento em que atua e dá muita personalidade ao subcompacto. Nota 9.

Custo/benefício - A versão Outsider sai a R$ 45.390, mas traz o pacote tecnológico com central multimídia e câmara de ré, além de trio elétrico e quatro airbags. Explicita um cuidado maior por conta da assinatura nos bancos e os detalhes em laranja, mas os materiais são nitidamente de baixo custo e o isolamento acústico é quase inexistente. Por outro lado, os rivais diretos, como Fiat Mobi e Volkswagen Up, são mais caros. Nota 8.

Total - O Renault Kwid Outsider levou 74 pontos de 100 possíveis.

Ler matéria completa