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Ajuste de contas

Volkswagen melhora relação custo/benefício do T-Cross e melhora nas vendas

por Eduardo Rocha

08/01/2020 - 03h25

Fotos: Divulgação

A Volkswagen mistura plásticos rugosos com outros em preto brilhante, salpicados com frisos e detalhes em cromado e alumínio. Sempre com bom aspecto

 

Nos últimos três meses do ano, o SUV compacto da Volkswagen, o T-Cross, conseguiu uma façanha de saltar as vendas mensais da média de 3 mil para acima de 5 mil unidades. A montadora afirma que um fator foi decisivo para isso: o acerto do mix de produção. Segundo a marca, a previsão de vendas foi errada. A expectativa era que elas se concentrassem nas versões básicas e intermediárias do modelo, TSI e Comfortline, ambas com a motorização 1.0 turbo de três cilindros. Mas só quando o mix foi corrigido e passou a contemplar mais unidades da versão Highline, com motor 1.4 turbo de 150 cv, é que as vendas teriam deslanchado.

Isso explica em parte a situação, afinal a motorização 1.0 se mostrou um tanto insuficiente para animar o modelo, que pesa mais de 1.300 kg. Mas há também outros fatores. Um deles é que a marca também ajustou o preço do modelo, às custas de promoções nas concessionárias. Ou seja: decidiu comprar mercado para seu SUV. Até agora, a estratégia deu certo, embora não seja uma tática sustentável por muito tempo.

De quer forma, o T-Cross Highline 250 TSI tem qualidades que justificam suas vendas. O motor 1.4 turbo de 150 cv é o mesmo que move as variantes de entrada dos médios Jetta e Tiguan. Este conjunto o deixa alinhado, em relação ao desempenho, com modelos turbinados como Honda HR-V Touring, que custa mais, e Chevrolet Tracker, que custa menos, mas está próximo de sair de linha. A boa performance fica clara já no próprio zero a 100 km/h, cumprido em 8,7 segundos, segundo a fábrica. A transmissão é automática, com seis velocidades, e há aletas atrás do volante para trocas manuais.

De série, o T-Cross traz um pacote de segurança bem completo, com seis airbags, assistente de partida em rampa, controle de estabilidade e tração e bloqueio eletrônico do diferencial. Controle de velocidade de cruzeiro, assistente de partida em rampas, sistema start/stop para desligar o motor em paradas rápidas e chave presencial, com partida do motor e acesso ao carro pelo toque das mãos, complementam a lista de tecnologias que chegam de fábrica. Na lista de opcionais, ele traz central multimídia com sistema de navegação próprio, painel digital personalizável, som premium da Beats e teto solar panorâmico. O suficiente para animar as vendas do modelo.

PONTO A PONTO

Desempenho – O motor 1.4 TSI é o mesmo que move as versões de entrada do sedã médio Jetta e do SUV médio Tiguan Allspace. São 150 cv a 4.500 rpm e 25,5 kgfm de torque, disponíveis já em 1.500 giros. O propulsor é mais que suficiente para embalar o crossover compacto com bastante agilidade e é capaz até de entregar um desempenho levemente esportivo. Na Europa, este motor foi trocado por um 1.5 litro, com a mesma potência, por conta de normas de emissões. Nota 9.

 

Estabilidade – O T-Cross divide a plataforma com o Virtus, a MQB A0, e tem o mesmo entre-eixos, mas é 10 cm mais alto. Por outro lado, é 28 cm mais curto, o que deixa um balanço traseiro menor. Nas curvas mais forçadas, o T-Cross rola um pouco, mas o controle da carroceria é bom, apesar do peso acima de 1.335 kg em ordem de marcha. Em retas, em velocidades de estrada, ele se mantém bem estável, sem exigir correções de trajetória. Nota 8.

Interatividade – O interior do T-Cross é comum aos modelos da Volkswagen, o que torna tudo muito familiar. Os comandos estão nos lugares esperados e são bem acessíveis. O sistema multimídia é fácil de interagir e painel o digital configurável, disponível apenas na versão Highline, traz todas as informações pertinentes e é fácil de navegar. Nota 8.

Consumo – Estranhamente, até agora o T-Cross não foi publicada a avaliação de consumo pelo sistema de etiquetagem veicular do InMetro. Segundo a Volkswagen. Segundo a marca, o T-Cross 250 TSI automático, faz a média de 7,4 km/l na cidade e 9 km/l na estrada com etanol e 10,5 e 13 km/l, respectivamente, com gasolina. Nota 7.

Conforto – A suspensão tem a tradicional rigidez que acompanha os veículos da marca e só prejudica o conforto em pisos mais irregulares. Os bancos são confortáveis, seguram bem o corpo, mas em trajetos longos são cansativos. O espaço interno é bem adequado para quatro passageiros – um quinto ocupante só é bem-vindo em trajetos rápidos. O motor quase não é ouvido no interior. Nota 7.

Tecnologia – O T-Cross é construído em torno da plataforma com MQB. Capaz de diversas variações dimensionais, ela hoje está presente em diversos veículos do grupo Volkswagen em função de ser leve, rígida e versátil. O motor 1.4 turbo está defasado em relação aos modelos europeus, mas ainda tem bom rendimento. Nota 8.

Habitabilidade – O T-Cross acomoda bem quatro adultos e uma criança. O espaço é bom para pernas e cabeça, como costuma acontecer com SUVs. Assim como o acesso ao habitáculo, auxiliado pela altura do modelo. Já o porta-malas tem uma capacidade apenas mediana. Em posição normal, pode carregar apenas 372 litros, o que não é muito. Vários porta-objetos espalhados pelo interior ajudam no dia a dia. Nota 8.

Acabamento – A Volkswagen adotou no interior do T-Cross o mesmo conceito de design dos modelos dessa geração, como Polo e Virtus. A decoração inclui apliques em plástico colorido no tablier e no console central – na mesma linha estreada no Up. Já os materiais são os de sempre, com mistura de plásticos rugosos com outros em preto brilhante, salpicados com frisos e detalhes em cromado e alumínio. Sempre com bom aspecto, mas sem requinte ou luxo. Nota 7.

Design – O T-Cross segue as normas da Volkswagen, que não costuma ousar em suas linhas. Nessa atual geração, a ideia é manter muitas linhas retas e nada de linhas orgânicas. Por este “guide line” tão restrito, acabou parecido com qualquer outro modelo da marca. Nesse casso específico, o T-Cross parece um Tiguan mais curto. Apesar de ser de gosto duvidoso, o painel reflexivo em plástico na traseira, que liga uma lanterna à outra, dá alguma personalidade ao carro. Nota 7.

Custo/benefício – O T-Cross atualmente tem dois preços distintos: o que aparece no site, quando se monta o carro, e o da concessionária, que vem oferecendo descontos para conseguir elevar as vendas. O preço oficial não dá qualquer vantagem ao T-Cross em relação aos rivais diretos, como Jeep Renegade ou Ford EcoSport. Somente o Honda HR-V Touring se destacar por ser mais caro. Com poucas variações, os modelos de topo do segmento têm preços que vão de quase R$ 110 mil até os R$ 130 mil com todos os opcionais. Nota 7.

Total – O Volkswagen T-Cross Highline 250 TSI somou 76 pontos de 100 possíveis.

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