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Salto evolutivo

Novo Hyundai HB20 ousa no design e ganha tecnologia

por Eduardo Rocha

22/01/2020 - 03h25

Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z

O desenho do HB20 tem alguns elementos que tiram o modelo do lugar-comum, como a esportividade da grade, a frente baixa e o perfil alongado

A Hyundai foi extremamente ousada ao criar a nova geração do HB20. Mas a boa notícia para a Hyundai é que as vendas estão reagindo, o que pode significar que o design, inicialmente pouco palatável, está sendo melhor absorvido pelo mercado. A estranheza, inclusive, seria o único motivo para que o novo HB20 apresentasse qualquer reação negativa nas vendas, mas isso está, ao que parece, ficando para t. Em todos os demais aspectos, houve uma forte evolução do hatch da marca sul-coreana. E isso fica bem evidenciado na versão de topo Diamont Plus, que traz todos os recursos que a gama oferece.

A versão é animada exclusivamente pelo motor turbo 1.0 de três cilindros TGDI flex, com injeção direta e válvulas com tempo de abertura variável, sempre acoplado a uma transmissão automática de seis marchas. Este propulsor é capaz de gerar 120 cv de potência e 17,5 kgfm de torque. O antigo motor 1.6 aspirado só é oferecido na versão intermediária Vision. Como na primeira geração, o HB20 foi desenhado especificamente para o mercado brasileiro, seguindo os parâmetros internacionais da marca. O modelo produzido em Piracicaba, interior de São Paulo, foi o segundo do mundo a adotar o novo conceito de design da Hyundai, batizado de Sensuous Sportiness, ou esportividade sensual - o primeiro foi o sedã médio-grande Sonata.

Os equipamentos do novo HB20 rivalizam, com pequenas diferenças, com os presentes nos hatches compactos mais modernos do mercado. O que muda é a composição de conteúdo em relação às versões. Na versão Diamont Plus, o modelo da Hyundai traz os itens mais comuns como acabamento em couro, conjunto elétrico para vidros e espelhos, chave presencial para travas e ignição, direção elétrica, controle de cruzeiro, volante multifuncional, sistema multimídia com tela sensível ao toque de 8 polegadas, Os recursos de segurança incluem seis airbags, sistema de manutenção de faixa, monitor da pressão dos pneus, controle de estabilidade e tração e frenagem de emergência automática. O único item que destoa é o ar-condicionado, que até tem mostrador digital, mas não é automático e traz controle analógico. A versão Diamond Plus sai por R$ 77.900, sendo que a pintura metálica acrescenta R$ 950 à conta.

Ponto a ponto

Desempenho - O novo motor 1.0 TGDI, de 120 cv, empurra o novo HB20 com facilidade e deixa o hatch extremamente ágil. A relação peso/potência abaixo de 10 kg/cv se traduz em acelerações e retomadas fortes, enquanto o bom torque, de 17,5 kgfm já a 1.500 giros, deixa o hatch animado desde a arrancada e em toda a faixa útil de giros. O câmbio automático se entende bem o motor e as trocas são bem suaves numa condução normal e rápidas quanto se busca a esportividade do modelo. Nota 9.

Estabilidade - A suspensão do HB20 ganhou um acerto bem refinado, com bom compromisso entre o conforto e o controle da carroceria. Filtra bem as pequenas irregularidades ao mesmo tempo que impede as rolagens nas curvas. A direção repete a eficiência: filtra bem as pequenas irregularidades e nas retas parece estar em trilhos. Em velocidades normais de estrada, sequer exige correções de trajetória. A versão testada, a top Diamont Plus, dispunha de controles de estabilidade e tração, que se mostraram discretos e pouco invasivos. Nota 8.

Interatividade - O sistema multimídia BlueMedia, de série na versão, oferece uma boa conectividade via Bluetooth e dispõe de aplicativos como Android Auto e Apple CarPlay para conexão por cabo. A tela "touch" de 8 polegadas fica em uma posição elevada, no centro do tablier, na altura dos olhos do motorista. A configuração Diamont possui câmera de ré e sensores sonorizados para ajudar nas manobras, faróis de acionamento automático, frenagem automática de emergência, chave presencial e paddle shifts no volante. Entre os modelos compactos, está entre os mais completos. Nota 9.

Consumo - Os dados no novo HB20 ainda não figuram nos testes realizados pelo InMetro no programa de etiquetagem de veículos. Os dados fornecidos pelo fabricante indicam que o motor 1.0 Turbo TGDI, sempre acoplado ao câmbio automático de seis marchas, percorre 8,2 km/h na cidade e 10,2 na estrada com etanol e 11,8 km/l e 14,2 km/l, nas mesmas condições, com gasolina. Estes índices renderiam notas B na categoria e B no geral para o HB20. Nota 8.

Conforto - O novo HB20 ficou com o entre-eixo ligeiramente maior, em 3 cm. Este aumento foi revertido em espaço para o banco traseiro, que foi ampliado em 5 cm. De qualquer forma, trata-se de um hatch compacto. Tanto que na frente foi adotada a solução de criar uma pequena depressão no forro do teto para melhorar o espaço para a cabeça. O isolamento acústico é bem superior aos rivais no segmento e a suspensão conjuga bem conforto e estabilidade. Nota 8.

Tecnologia - A Hyundai tem uma boa oferta de tecnologia eletrônica no novo HB20, mas apenas nas versões superiores. Na linha em geral, os motores são bem eficientes, a plataforma ganhou 17% em rigidez e ficou mais leve - em média, 30 kg nas configurações mais equipadas. É um modelo que chegou agora e deve ter de encarar os próximos sete anos no mercado, no entanto a estratégia da marca reservou para as versões de topo alguns itens que hoje já começam a ser comuns em compactos apenas às versões mais caras, como controles dinâmicos, airbags adicionais, etc. E alguns recursos não aparecem nem nestas, como luz de led diurna e sensor de chuva. Os recursos mais importantes que o HB20 oferece, na versão de topo, que é pouco comum na categoria, são o sistema de frenagem de emergência e o monitor de faixa de rolagem. Nota 9.

Habitabilidade - A cabine é amigável e tem porta-objetos e porta-copos no console central, sob o apoio de braço - na versão Diamont - e espaço para garrafas de água nas portas. O porta-malas do HB20 leva 300 litros, bem na média do segmento. Capacidade que sobe para 900 litros com o encosto traseiro rebatido. O espaço longitudinal é bom para a categoria, mas bancos são muito finos. Embora sejam confortáveis, dão uma sustentação menor que a desejável. Os comandos são ergonômicos, mas o botão da trava das portas está no lugar errado, no console, quando deveria estar na própria porta. Nota 7.

Acabamento - O revestimento em couro da versão de topo empresta algum requinte ao HB20 Os demais materiais escolhidos têm bom aspecto e parecem resistentes. O design interno é simples, mas há escolhas ousadas, como o aplique de plástico em azul brilhante no tablier, que não vai agradar a todos. Está dentro da proposta do segmento. Nota 8.

Design - Esse é o ponto que dividiu as opiniões em relação ao HB20. O desenho do HB20 tem alguns elementos que tiram o modelo do lugar-comum, como a esportividade da grade, a frente baixa e o perfil alongado, típico de modelos maiores. O teto "flutuante", que é "desconectado" do restante da carroceria pelo aplique em plástico preto na coluna traseira, é um recurso cada vez mais comum nos modelos mais recentes. O design combina linhas orgânicas e geométricas e é bem marcante. Talvez por isso mesmo, seja de difícil assimilação. É inegável, no entanto, que tem muita personalidade, o que é uma grande vantagem em um segmento de alto volume. Nota 9.

Custo/benefício - O preço do HB20 Diamont Plus, de R$ 78.940 com pintura metálica, regula com o dos rivais no segmento com o mesmo nível de conteúdo. O novo Chevrolet Onix Premier Turbo sai na versão de topo por R$ 76.380, tem a mais roteador, alerta de ponto cego e sistema de estacionamento automático, mas não traz acabamento em couro nem sistema de frenagem automática. O Polo Highline tem o pior custo/benefício. Ele chega, com os opcionais disponíveis, a R$ 86.340, mas não tem sensor de ponto cego, estacionamento automático ou frenagem automática de emergência. Ou seja: o HB20 está bem no miolo da briga. Nota 7.

Total - A linha Hyundai HB20 somou 82 pontos em 100 possíveis.

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