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Marketing com drama

Chevrolet Onix Plus resiste a revés inicial e se torna um sucesso de vendas (com bons motivos)

por Eduardo Rocha

05/02/2020 - 03h37

O Onix Plus é um fenômeno. O sedã compacto da Chevrolet tem pouco tempo de mercado, mas há tem muita história para contar. Começou com o caso de algumas unidades em que os motores pegaram fogo em setembro e outubro. Rapidamente, a General Motors, dona da marca Chevrolet, entrou em ação, promoveu um recall e fez mudanças. A agilidade da empresa impediu que os incêndios queimassem a imagem do modelo. Tanto que a partir daí, a trajetória do Onix Plus foi de uma ascensão notável. No último mês de 2019, já havia chegado ao segundo lugar no ranking geral de vendas, atrás apenas do hatch da mesma gama, o Onix, com quase 10 mil unidades emplacadas.

Há boas justificativas para que o sedã da Chevrolet demonstre tanta resiliência. A relação custo/benefício do modelo é no padrão de carro chinês. E mesmo que o projeto do modelo tenha sido parcialmente desenvolvido na China, trata-se de um modelo produzido em São Caetano do Sul com diversas características próprias para agradar o consumidor brasileiro. Uma delas é o tamanho, de 4,49 metros, que deixa o Onix Plus bem vistoso.

Desde a versão de entrada, Turbo, o sedã vem com seis airbags controle de estabilidade e tração, ar, vidros e travas elétricos por iniciais R$ 60.090. Com R$ 3 mil a mais, a versão LT adicionada a central de multimídia, rodas de liga leve, faróis de nebline, retrovisores com ajuste elétrico e diversos itens de aparência. Por R$ 66.200, a LTZ inclui carregador wireless, sensor de luz, chave presencial, câmera de ré, tela de 3,5 polegadas no painel de instrumentos e volante multifuncional. A versão de topo Premier começa em R$ 75.090 e agrega câmbio automático, faróis tipo projetor, lanternas em led, rodas de liga leve de 16 polegadas.

A versão testada, Premier trazia pintura metálica e o pacote de opcionais de R$ 3 mil, que inclui revestimento em couro sintético nos bancos, sistema de estacionamento semiautomático, sensores de obstáculos laterais, dianteiros e traseiros e sensor de ponto cego. No total, ficou em R$ 79.680. O Onix Plus tem apenas um motor disponível. Trata-se de um 1.0 turbo com três cilindros, capaz de gerar 116 cv de potência e 16,3/16,8 kgfm de torque já a 2 mil giros. O câmbio automático de seis marchas é de série nas versões Premier e Turbo e opcional nas versões LT e LTZ.

Ponto a ponto

Desempenho - O Onix Plus se movimenta com bastante agilidade. O baixo peso da carroceria aliado ao torque de 16,3/16,8 kgfm, pleno já aos 2 mil giros, permite acelerações e retomadas entusiasmadas. O motor 1.0 turbo de três cilindros e o câmbio automático de seis marchas se entrosam bem e não há buracos ou refugos quando se pressiona o pedal do acelerador. A agilidade do câmbio, felizmente, dispensa recorrer ao desajeitado botão de mudanças sequenciais na alavanca de câmbio. O motor de 116 cv é um tanto áspero e vibra bastante na faixa em torno 4 mil giros, mas nada que chegue a comprometer o conforto a bordo. Nota 9.

Estabilidade - A suspensão do Onix Plus tem a configuração clássica (McPherson/eixo de torção) com um acerto que privilegia a neutralidade da carroceria, em detrimento da maciez. Nas curvas, a rolagem lateral é muito controlada e a direção se mostra direta e firme em velocidades mais altas, mas poderia ser mais leve nas manobras. O controle eletrônico de estabilidade e tração é pouco invasivo e só dá sinal de vida bem próximo ao limite de aderência. Nota 8.

Interatividade - A linha Onix sempre se caracterizou pela interface eficiente entre carro e ocupantes e nesta nova geração a Chevrolet conseguiu evoluir um pouco mais. Além do serviço OnStar, o sedã traz um roteador wi-fi de alta velocidade, capaz de conectar até sete dispositivos. O sistema Multimídia MyLink, com tela sensível ao toque com 7 polegadas, manteve a ótima conectividade com smartphones (é capaz de conectar dois celulares via Bluetooth ao mesmo tempo) e o uso simples e direto. Entre os instrumentos, no painel, uma tela de 3,5 polegadas exibe dados do computador de bordo, do som ou de telefonia. A chave presencial para travas e ignição é muito prática. Nota 9.

Consumo - Os dados do Programa de Etiquetagem Veicular relativos ao Onix Plus aferidos pelo InMetro ainda não foram publicados. Eles apontam para um consumo em estrada de 10,9 e 15,7 km/l e na cidade de 8,6 e 12,0 km/l, com etanol e gasolina. Estes valores renderiam ao sedã compacto da Chevrolet classificação B tanto na categoria quanto no geral. Na prática, durante o teste, o Onix Plus mostrou ser capaz de chegar aos valores apontados sem maiores esforços. Nota 8.

Conforto - A suspensão do Onix Plus é bem firme, mas os pneus com boa altura lateral, com 10,7 cm de perfil, conseguem amortecer uma boa parte das irregularidades das pavimentações. Bancos têm boa ergonomia e acomodam bem os ocupantes da frente, mas como são finos demais, não dão a sustentação ideal ao corpo em trajetos demorados. O isolamento acústico é apenas razoável. Os ruídos de rodagem, do motor e aerodinâmicos se tornam companheiros de viagem. Nota 6.

Tecnologia - Os parâmetros do Onix Plus são modernos: usa uma estrutura global nova, de baixo peso, e um motor turbo pequeno e possante. A arquitetura eletrônica também está atualizada em relação a recursos mais comuns, como controle de estabilidade e tração. Traz também direção elétrica e sensores que permitem até o uso de um sistema de estacionamento semiautomático. O sistema multimídia, com a função de roteador, é também adequada para o segmento. Em relação à segurança, o modelo traz sensor de ponto cego opcional e seis airbags de série, o que garantiu 5 estrelas no LatinNCap, mas faltam recursos que vêm se disseminando nos mercados centrais e até em rivais no mercado brasileiro, como frenagem automática de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, manutenção de faixa de rolagem etc. Nota 8.

Habitabilidade - O Onix Plus converte com competência o generoso entre-eixos de 2,60 metros em conforto para os ocupantes. Há espaço para pernas e cabeça de quatro adultos. No habitáculo há diversos nichos e porta-trecos nas portas, sob o poio de braços e no console central, que permitem organizar bem os objetos de uso diário. O porta-malas com capacidade de 469 litros é bem suficiente para o uso familiar. Nota 8.

Acabamento - Nesse ponto, o Onix Plus está bem de acordo com o segmento que atua. Os materiais de contato direto são aparentemente resistentes, mas sem luxo. Mesmo com o revestimento "premium" dos bancos, em couro sintético. A versão testada trazia uma composição de plásticos pretos e na cor caramelo que não conseguem passar a ideia que requinte. Nota 7.

Design - A Chevrolet foi bastante pragmática ao projetar o Onix Plus. Não há qualquer ousadia no desenho do modelo nem traços de personalidade mais marcantes. Na verdade, é um carro pensado para ser vendido em grandes volumes - o que está acontecendo de fato. Para isso, é melhor evitar a rejeição do que provocar a atração. Embora o design seja previsível, com mistura de traços orgânicos e geométricos, os volumes são equilibrados. Nota 7.

Custo/benefício - O Chevrolet Onix Plus Premier tem poucos opcionais, é bem recheado e traz um preço bem agressivo. Começa em R$ 75.090 e completo chega em R$ 79.680, com recursos superiores aos de rivais que custam mais. O HB20S Diamont Plus fica em R$ 82 mil, Fiat Cronos Precision, Honda City EXL e Toyota Yaris sedã XLS Conneted têm preços em torno de R$ 88 mil, enquanto o Volkswagen Virtus Highline completo passa de R$ 93 mil. Nota 9.

Total - O Chevrolet Onix Plus somou 79 pontos em 100 possíveis.

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