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A Vespa mais nervosa

A nova GTS HPE é a Vespa mais poderosa e mais tecnológica da história da marca

por Matteo Pozzi

19/02/2020 - 03h38

Já há alguns anos, o modelo GTS 300 é o carro-chefe da Vespa. Nascida em 2003 com as versões 125 cm³ e 200 cm³, ganhou uma versão de 250 cm³ 2005 que na sequência passou para 300 cm³. A GTS gradualmente deu origem a uma família de modelos de sucesso. A gama inclui a Touring, a GTS Super e a GTS SuperSport, todas vendidas no Brasil.

Em 2019, surgiu Vespa GTS SuperTech, que embarcou tecnologias de conectividade, em torno de uma tela colorida TFT, para aproveitar ao máximo a funcionalidade do sistema VESPA MIA. Agora, tanto a SuperTech quanto o restante da linha GTS 300 recebeu atualizações na mecânica, configuração batizada de HPE (high performance engine, ou motor de alto desempenho). O propulsor renovado é capaz de render 23,8 cv, contra os 21,3 cv anteriores (22 cv no Brasil).

A linha GTS 300 HPE mantém o estilo atemporal, mas na versão SuperTech incorpora muita tecnologia. O estilo é objeto de adoração. A Vespa foi a única scooter capaz de atravessar as décadas, mantendo-se fiel aos seus conceitos básicos, como o corpo de metal, as barrigas laterais sinuosas e muito charme.

A nova GTS adota faróis e luzes full led, que fazem parte da remodelação, que incluiu retoques no escudo dianteiro, com o vinco central em relevo enriquecido com três frisos horizontais. A cobertura do guidão, que incorpora o farol, foi modificada. Os espelhos são clássicos, em cromado, e as grades nas laterais do escudo agora têm trama em formato de favo de mel. Os painéis laterais foram atualizados na parte traseira.

O novo motor está equipado com um novo painel no compartimento da transmissão, que esconde um material de insonorização novo e aprimorado. A capa polida do silenciador de escape também é nova. De resto, é confirmada a aparência elegante do "Vespone". Na versão SuperTech, a instrumentação é totalmente digital, um display TFT colorido de 4,3 polegadas e diversos acabamentos são em preto fosco, como nas rodas. Ela ainda traz uma tomada USB no compartimento na frente das pernas é muito útil, dada a interação com o smartphone.

Nas demais versões, os frisos cromados são mais abundantes, o painel é o clássico, com velocímetro analógico e um pequeno mostrador digital com hodômetro e computador de bordo. A capacidade do compartimento sob o banco na GTS é razoável: pode acomodar apenas um capacete integral e alguns pequenos objetos.

Mas a atração da nova Vespa GTS 300 HPE é mesmo o motor, o mais potente de todos os tempos. A agora ele ganhou mais de 12% em termos de potência, subindo para 23,8 a 8.250 rpm, até 18% para o torque máximo, passando de 2,40 kgfm para bons 2,65 kgfm a 5.250 rpm.

Quanto ao consumo, o GTS 300 vai de 29,4 km/l para 31,2 km/l, segundo os valores declarados no ciclo WMTC - World Motorcycle Test Cycle, ou ciclo de testes internacional para motocicletas. Os menores atritos internos e todas as melhorias, no entanto, se traduzem principalmente em um desempenho mais convincente, sem afetar o peso e as dimensões do motor, que permanece substancialmente inalterado.

Para chegar nisso, os dutos de ar tiveram a geometria revisada em geometria e diâmetro aumentados. As válvulas de admissão também foram aumentadas no diâmetro em 3 mm. O pistão também ficou com a cabeça mais arredondada para otimizar a combustão. Muitas intervenções vieram por conta do regulamento Euro 5, como os novos tuchos roletados no lugar dos deslizantes, o eixo de comando reprojetado, as molas das válvulas redimensionadas, a vela de irídio e a nova unidade de controle eletrônico. Por fim, a transmissão foi revisada. No Brasil, os preços da Vespa GTS 300 começam em R$ 37.985 na versão Super e R$ 38.985 na versão Turing.

Uma boa surpresa

O novo motor HPE é capaz de girar alto - a potência máxima chega a 8.250 rpm, contra 7.500 rpm do antecessor mas é otimizado para oferecer o melhor desempenho em arrancadas e não apenas em elasticidade. Ela se mostra mais rápida no ganho de velocidade até mesmo que outras scooters de 300 cm³ que têm mais potência no papel. Graças a uma relação de transmissão curta, a Vespa GTS se destaca na condução urbana e entre curvas, onde retoma com um vigor nunca visto em uma Vespa. A máxima é limitada a 129 km/h por corte de injeção. Talvez por gostar mais do acelerador, o consumo da Vespa ficou em torno de 25 km/l, abaixo da média prevista pela norma WMTC.

A Vespa GTS também é a mais dedicada ao turismo, e não apenas a um uso puramente urbano. Mas na rodovia sofre tanto pela a ausência do para-brisas - que até pode ser comprado em separado - quanto pelo banco, que não é dos mais confortáveis em viagens longas, mesmo que tenha sido melhorado em comparação com o modelo anterior. Até mesmo o tanque de 7 litros garante apenas uma autonomia discreta, da ordem de 170,180 km.

A nova Vespa GTS 300 HPE é perfeita para viagens urbanas e oferece uma boa esportividade, que pode ser desfrutada especialmente entre curvas. Aqui também surge uma boa estabilidade, que se opõe à alta agilidade tradicionalmente oferecida pela Vespa. Os freios são bons e o ABS intervém de maneira certa. A GTS também é generosa com o passageiro, que conta com excelentes e espaçosas plataformas dobráveis. Na versão SuperTech, o sistema multimídia conecta smartphone e espelha aplicativos de navegação e permite ligações telefônicas - o controle é feito através de um pequeno joystick no punho direito.

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